﻿{"id":10836,"date":"2011-09-11T09:00:31","date_gmt":"2011-09-11T12:00:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=10836"},"modified":"2011-09-09T17:01:21","modified_gmt":"2011-09-09T20:01:21","slug":"autor-de-hoje-gustave-flaubert","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=10836","title":{"rendered":"Autor de hoje: Gustave Flaubert"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/topo_flaubert1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10838\" title=\"topo_flaubert\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/topo_flaubert1.jpg\" alt=\"\" width=\"458\" height=\"63\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/topo_flaubert1.jpg 1011w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/topo_flaubert1-300x40.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 458px) 100vw, 458px\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p><em>Rouen, Fran\u00e7a, 1821 &#8211; \u2020 Croisset, Fran\u00e7a, 1880<\/em><\/p>\n<p>Filho de um cirurgi\u00e3o franc\u00eas, estudou no col\u00e9gio Real, na Fran\u00e7a, onde conheceu a literatura atrav\u00e9s de poemas, reconstitui\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e romances. Em 1840, frequentou a faculdade de Direito em Paris, mas abandonou os estudos para viajar \u00e0 \u00c1frica do Sul e ao Oriente. Depois disso, recolheu-se a um s\u00edtio em Croisset, na Fran\u00e7a, onde viveu solit\u00e1rio por cerca de trinta anos. Um caso de adult\u00e9rio, seguido do suic\u00eddio da mulher, inspirou o romance <em>Madame Bovary<\/em>. Pouco compreendido \u00e0 \u00e9poca, o livro veio a tornar-se um cl\u00e1ssico. O prest\u00edgio de Flaubert como escritor deve-se, sobretudo, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um estilo liter\u00e1rio elegante, rigoroso e claro. Ao questionar a incompreens\u00e3o burguesa, sua obra tenta superar a heran\u00e7a rom\u00e2ntica, estabelecendo os paradigmas do romance ocidental.<\/p>\n<p>OBRAS PRINCIPAIS:<strong> <\/strong><em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=816351&amp;ID=928152\" target=\"_blank\">Madame Bovary<\/a><\/em>, 1857; <em>Salamb\u00f4<\/em>, 1862; <em>A <\/em><em>educa\u00e7\u00e3o sentimental<\/em>, 1869; <em>Tr\u00eas contos<\/em>, 1877; <em>Bouvard e P\u00e9cuchet<\/em>, 1881<\/p>\n<blockquote><p><span style=\"text-decoration: underline;\">GUSTAVE FLAUBERT por Maria Luiza Berwanger da Silva<\/span><\/p>\n<p>Madame Bovary, c\u2019est moi. Madame Bovary ou le roman sur le rien. A obra de Gustave Flaubert, vista como um todo, desloca-se entre estas duas margens, da profunda subjetividade \u00e0 inapag\u00e1vel negatividade, margens nas quais a voz do sujeito s\u00f3 se faz ouvir para se diluir no indistinto e no inomin\u00e1vel, como se o tr\u00e2nsito entre \u00e2ngulos paradoxais diminu\u00edsse o espa\u00e7o entre fronteiras, espa\u00e7os e territorialidades. Assim, o projeto liter\u00e1rio de Flaubert concede a todo leitor o prazer de compartilhar de singulares paisagens, aquelas que o impacto da leitura possibilita redesenhar.<\/p>\n<p>Permitir ao leitor de hoje experimentar, ampliando-o, o \u201clazer interior\u201d a que se refere Paul Val\u00e9ry: eis, em s\u00edntese, a sublime sensa\u00e7\u00e3o a que nos remete a obra de Gustave Flaubert na representa\u00e7\u00e3o exemplar de <em>Madame Bovary<\/em>, <em>A educa\u00e7\u00e3o sentimental<\/em>, <em>A tenta\u00e7\u00e3o de Santo Ant\u00f4nio <\/em>e <em>Tr\u00eas contos<\/em>. Nessas obras, a composi\u00e7\u00e3o romanesca e a constela\u00e7\u00e3o de temas, mitos e motivos tanto identificam o imagin\u00e1rio e a arte da Fran\u00e7a quanto estabelecem di\u00e1logos com literaturas de outras nacionalidades. Acrescente-se a essas aproxima\u00e7\u00f5es as rela\u00e7\u00f5es com campos diversos de conhecimento, como medicina, religi\u00e3o, hist\u00f3ria, sociologia e psican\u00e1lise, a t\u00edtulo de amostragem, nos quais o prazer do texto emerge justamente da constante insinua\u00e7\u00e3o, ao leitor nacional e ao estrangeiro, sobre o real, enigm\u00e1tico e indecifr\u00e1vel em sua totalidade. P\u00f5e-se, pois, em Flaubert, a p\u00e1gina e o mundo.<\/p>\n<p>Imagem-s\u00edntese da obra flaubertiana, <em>Tr\u00eas contos <\/em>e, especialmente, a personagem F\u00e9licit\u00e9, de <em>Um cora\u00e7\u00e3o simples<\/em>, remete, elucidando-o, ao paradoxo nomeado entre a redu\u00e7\u00e3o \u00e0 subjetividade de \u201cMadame Bovary, c\u2019est moi\u201d e a declarada negatividade de \u201cMadame Bovary ou le roman sur le rien\u201d. Articulado pelo projeto de reter o fluxo do tempo e do espa\u00e7o, nesse conto, o ato de empalhar um papagaio \u201cgigantesco\u201d ret\u00e9m, sob o simbolismo dessa busca da continuidade, a busca da mem\u00f3ria inapag\u00e1vel e em cont\u00ednuo refazer-se, gosto que agrega ao t\u00edtulo <em>Um cora\u00e7\u00e3o simples <\/em>o pr\u00f3prio desejo de uma subjetividade que v\u00ea e que se v\u00ea.<\/p>\n<p>Vasto \u00e9 todo romance que configura a ilus\u00e3o dessa constante travessia em busca do diferente e do m\u00faltiplo. Envolve-nos Flaubert, em seu processo criador, nessa decifra\u00e7\u00e3o infatig\u00e1vel do novo, com tal intensidade que toda tentativa de compreender as faces do Outro (estrangeiro) retorna ao leitor, reconfigurando-lhe a pr\u00f3pria subjetividade. Esta \u00e9 a paisagem com que a revisita\u00e7\u00e3o de Flaubert brinda seu leitor desde sempre.<\/p><\/blockquote>\n<p><em>* <\/em><a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=637394&amp;ID=639273\" target=\"_blank\"><em>Guia de Leitura \u2013 100 autores que voc\u00ea precisa ler <\/em><\/a>\u00e9 um livro organizado por L\u00e9a Masina que faz parte da Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM POCKET. A partir de hoje, todo domingo,voc\u00ea conhecer\u00e1 um desses 100 autores. Pra melhor configurar a proposta de apresentar uma leitura nova de textos cl\u00e1ssicos, L\u00e9a convidou intelectuais para escreverem uma lauda sobre cada um dos autores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rouen, Fran\u00e7a, 1821 &#8211; \u2020 Croisset, Fran\u00e7a, 1880 Filho de um cirurgi\u00e3o franc\u00eas, estudou no col\u00e9gio Real, na Fran\u00e7a, onde conheceu a literatura atrav\u00e9s de poemas, reconstitui\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e romances. Em 1840, frequentou a faculdade de Direito em Paris, mas abandonou os estudos para viajar \u00e0 \u00c1frica do Sul e ao Oriente. 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