﻿{"id":10682,"date":"2011-09-03T14:00:37","date_gmt":"2011-09-03T17:00:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=10682"},"modified":"2011-09-08T09:40:00","modified_gmt":"2011-09-08T12:40:00","slug":"as-possibilidades-de-uma-ilha-%e2%80%93-parte-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=10682","title":{"rendered":"A(s) possibilidade(s) de uma ilha \u2013 Parte III"},"content":{"rendered":"<p><em>Alexandre Boide conta a hist\u00f3ria dos Mang\u00e1s* (Leia antes a <a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=10629\" target=\"_blank\">parte I<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=10667\" target=\"_blank\">parte II<\/a>)<\/em><\/p>\n<p>Livres da obriga\u00e7\u00e3o autoimposta de agradar somente a uma faixa de p\u00fablico espec\u00edfica, os mang\u00e1s puderam atingir o grande p\u00fablico a partir de temas quase sempre inexplorados e evitados pelos quadrinhos ocidentais produzidos para o consumo de massa: a viol\u00eancia gr\u00e1fica expl\u00edcita e impactante de artistas como Buronson (de <em>Hokuto no Ken<\/em>) e Ryoichi Ikegami (de <em>Crying Freeman<\/em>); o retrato glamourizado da atividade criminosa na obra de quadrinistas como Takao Saito (de <em>Golgo 13<\/em>) e Monkey Punch (de <em>Lupin III<\/em>); a sensualidade despudorada do tra\u00e7o de Oh! great (de <em>Tenjho Tenge<\/em>); a fic\u00e7\u00e3o intimista dos retratos urbanos presentes nas hist\u00f3rias curtas de Yoshihiro Tatsumi e Jiro Taniguchi; a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica apocal\u00edptica de Katsuhiro Otomo (de <em>Akira<\/em>) e Masamune Shirow (de <em>Ghost in the Shell<\/em>); o terror visualmente fascinante de Junji Ito (de <em>Uzumaki<\/em>) e Hitosi Iwaaki (de <em>Parasyte<\/em>).<\/p>\n<p>Da mesma forma como n\u00e3o se limita a uma determinada faixa et\u00e1ria, a popularidade dos mang\u00e1s tamb\u00e9m n\u00e3o faz distin\u00e7\u00e3o de g\u00eanero. Ali\u00e1s, a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o dos quadrinhos como uma divers\u00e3o destinada a meninos pode ser considerada uma heran\u00e7a maldita do Comics Code, que vetava qualquer abordagem de temas rom\u00e2nticos que n\u00e3o viesse impregnada de um escancarado vi\u00e9s moralizante. No Jap\u00e3o, as hist\u00f3rias para meninas est\u00e3o presentes desde os prim\u00f3rdios das revistas de mang\u00e1s, com t\u00edtulos dedicados exclusivamente a elas. E, pelo menos desde a d\u00e9cada de 1960, s\u00e3o elas que p\u00f5em a m\u00e3o na massa: com poucas exce\u00e7\u00f5es (como <em>A princesa e o cavaleiro<\/em>, de Osamu Tezuka), os grandes sucessos dos mang\u00e1s para meninas s\u00e3o de autoras do sexo feminino. Nesse universo, personagens masculinos de apar\u00eancia andr\u00f3gina tamb\u00e9m s\u00e3o bastante frequentes, assim como romances envolvendo personagens do mesmo sexo, especialmente meninos.<\/p>\n<div style=\"width: 213px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"   \" title=\"a_princesa_e_o_cavaleiro\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-Mxj4jIjlHag\/TdQoVqVO9_I\/AAAAAAAACpk\/h_G_KzpLy5w\/s1600\/A+Princesa+e+o+Cavaleiro+capa.jpg\" alt=\"&quot;A princesa e o cavaleiro&quot; de \" width=\"203\" height=\"284\" \/><p class=\"wp-caption-text\">&quot;A princesa e o cavaleiro&quot;, de Osamu Tezuka<\/p><\/div>\n<p>Passados mais de 60 anos desde a publica\u00e7\u00e3o de <em>Shin-Takarajima<\/em>, a aventura pioneira de Osamu Tezuka, existem mang\u00e1s para todos os p\u00fablicos, gostos, g\u00eaneros e faixas et\u00e1rias. O leque de op\u00e7\u00f5es \u00e9 o mais variado poss\u00edvel: desde as onipresentes sagas de samurais, hist\u00f3rias de a\u00e7\u00e3o e humor ininterruptos voltadas para meninos e as tradicionais aventuras de capa e espada at\u00e9 temas muito mais improv\u00e1veis como gastronomia, pescaria, jogos de tabuleiro e degusta\u00e7\u00e3o de vinhos finos. E isso sem levar em conta um mercado de quadrinhos alternativos repleto de subg\u00eaneros de assimila\u00e7\u00e3o nem sempre t\u00e3o f\u00e1cil, como <em>lolicon<\/em> (ou \u201ccomplexo de Lolita\u201d, com suas fantasias sexuais envolvendo adolescentes) ou <em>ero-guro<\/em> (\u201cer\u00f3tico grotesco\u201d, cuja denomina\u00e7\u00e3o dispensa maiores explica\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>Os dois primeiros mang\u00e1s a ser lan\u00e7ados pela L&amp;PM s\u00e3o um bom exemplo dessa diversidade. Os dois volumes de <em>Solanin<\/em>, de Inio Asano \u2014 publicado na revista <em>Weekly Young Sunday<\/em>, da editora Shogakukan, entre 2005 e 2006 \u2014, narram a luta de um jovem casal de rec\u00e9m-formados para se integrar \u00e0 sociedade adulta sem abrir m\u00e3o de seus sonhos e ideais. Transformada em filme no Jap\u00e3o, a s\u00e9rie foi indicada ao Harvey Award de Melhor Edi\u00e7\u00e3o de Material Estrangeiro ao ser publicada nos Estados Unidos, em 2008. J\u00e1 <em>Aventuras de menino<\/em>, do veterano Mitsuru Adachi, \u00e9 uma compila\u00e7\u00e3o de sete hist\u00f3rias publicadas na revista <em>Big Comic Original<\/em>, tamb\u00e9m da Shogakukan, entre 1998 e 2006, e t\u00eam em comum o fato de tratarem de recorda\u00e7\u00f5es do universo infantil, um terreno que o autor explorou com maestria em seus popular\u00edssimos mang\u00e1s para meninos.<\/p>\n<p>Apesar de tudo isso, ainda h\u00e1 quem pense que os quadrinhos japoneses se resumem \u00e0 viol\u00eancia extrema e imagens que beiram o pornogr\u00e1fico. Afinal, no Brasil, os mang\u00e1s s\u00e3o um fen\u00f4meno um tanto recente. Alguns t\u00edtulos chegaram a ser publicados no final da d\u00e9cada de 1980 e no in\u00edcio dos anos 1990, mas foi s\u00f3 no ano 2000 que eles desembarcaram por aqui com toda a for\u00e7a, a reboque do sucesso dos desenhos animados na televis\u00e3o, e respeitando na medida do poss\u00edvel o formato de publica\u00e7\u00e3o das hist\u00f3rias em volumes encadernados no Jap\u00e3o. Nessa \u00e9poca, n\u00e3o havia muita gente disposta a apostar no potencial de hist\u00f3rias em quadrinhos em preto e branco feitas para ser lidas \u201cde tr\u00e1s para a frente\u201d. Hoje elas s\u00e3o maioria nas bancas, e est\u00e3o chegando ao mercado de <em>pocket books<\/em> atrav\u00e9s da maior cole\u00e7\u00e3o de livros de bolso do pa\u00eds.<\/p>\n<p><em><strong>(Fim)<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>(leia aqui a <a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=10667\" target=\"_blank\">parte II<\/a>)<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>*Alexandre Boide \u00e9 tradutor e coordenador editorial <a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=8498\" target=\"_blank\">dos Mang\u00e1s que ser\u00e3o publicados<\/a> no final de 2011 pela L&amp;PM. \u201cA(s) possibilidade(s) de uma ilha\u201d foi escrito especialmente para este Blog e ser\u00e1 publicado em tr\u00eas partes, do dia 01 ao dia 03 de setembro. N\u00e3o deixe de acompanhar.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexandre Boide conta a hist\u00f3ria dos Mang\u00e1s* (Leia antes a parte I e parte II) Livres da obriga\u00e7\u00e3o autoimposta de agradar somente a uma faixa de p\u00fablico espec\u00edfica, os mang\u00e1s puderam atingir o grande p\u00fablico a partir de temas quase sempre inexplorados e evitados pelos quadrinhos ocidentais produzidos para o consumo de massa: a viol\u00eancia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2175],"tags":[2522,2524,2525,2523,2526,1896,2531,2509,1897,1898],"class_list":["post-10682","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mangas","tag-a-princesa-e-o-cavaleiro","tag-akira","tag-aventuras-de-menino","tag-buronson","tag-inio-asano","tag-manga","tag-mangas-lpm","tag-osamu-tezuka","tag-shogakukan","tag-solanin"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10682","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10682"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10682\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10690,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10682\/revisions\/10690"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10682"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10682"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10682"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}