﻿{"id":10677,"date":"2011-09-04T09:00:22","date_gmt":"2011-09-04T12:00:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=10677"},"modified":"2011-09-02T20:23:30","modified_gmt":"2011-09-02T23:23:30","slug":"autor-de-hoje-jose-de-alencar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=10677","title":{"rendered":"Autor de hoje: Jos\u00e9 de Alencar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/topo_jose_de_alencar.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10678\" title=\"topo_jose_de_alencar\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/topo_jose_de_alencar.jpg\" alt=\"\" width=\"457\" height=\"62\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/topo_jose_de_alencar.jpg 1007w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/topo_jose_de_alencar-300x40.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 457px) 100vw, 457px\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><em>Mecejana (CE), Brasil, 1829 &#8211; \u2020 Rio de Janeiro, Brasil, 1877<\/em><\/p>\n<p>Filho de um senador do Imp\u00e9rio, diplomou-se em Direito em S\u00e3o Paulo. Iniciou sua carreira liter\u00e1ria publicando folhetins no <em>Correio Mercantil<\/em>, do Rio de Janeiro. Trabalhou como advogado, jornalista e pol\u00edtico, chegando a deputado e mesmo a Ministro da Justi\u00e7a. Sua vasta obra teve imediato reconhecimento. Participou tamb\u00e9m das principais pol\u00eamicas de seu tempo, defendendo um programa de literatura nacionalista e rom\u00e2ntica. Em sua obra, procurou representar as tradi\u00e7\u00f5es do Brasil e os costumes nacionais, norteado por um senso est\u00e9tico incomum. Temas como o indianismo, o sertanismo, o regionalismo e a vida urbana em sociedade, presentes em seus romances, convivem com cr\u00f4nicas, textos para o teatro, ensaios cr\u00edticos e poemas. Seu estilo \u00e9 apurado e seu texto privilegia a descri\u00e7\u00e3o. Nas narrativas e no teatro, sua obra configura a linguagem liter\u00e1ria brasileira.<\/p>\n<p>\u00a0OBRAS PRINCIPAIS:<strong> <\/strong><em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=292715&amp;ID=838454\" target=\"_blank\">O guarani<\/a><\/em>, 1857; <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=292715&amp;ID=738270\" target=\"_blank\">Luc\u00edola<\/a><\/em>, 1862; <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=292715&amp;ID=806370\" target=\"_blank\">Iracema<\/a><\/em>, 1865; <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=292715&amp;ID=619066\" target=\"_blank\">O ga\u00facho<\/a><\/em>, 1870; <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=292715&amp;ID=909339\" target=\"_blank\">Senhora<\/a><\/em>, 1875<\/p>\n<blockquote><p><span style=\"text-decoration: underline;\">JOS\u00c9 DE ALENCAR por Myrna Bier Appel<\/span><\/p>\n<p>Em 1875, escritor j\u00e1 reconhecido nacionalmente, com cerca de vinte romances publicados, diversas pe\u00e7as teatrais encenadas na corte, artigos publicados pela imprensa, o cearense Jos\u00e9 Martiniano de Alencar lan\u00e7a o livro <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=292715&amp;ID=909339\" target=\"_blank\">Senhora<\/a><\/em>, uma das obras da sua maturidade. Qual \u00e9 o segredo dessa longevidade? O que pode oferecer ao leitor de hoje o romance <em>Senhora<\/em>? Aur\u00e9lia Camargo \u2013 \u00f3rf\u00e3, rica, bela, inteligente \u2013 \u00e9 disputada por todos os jovens nos bailes e festas da corte. C\u00f4nscia de que sua beleza, aliada \u00e0 fortuna, constitui um atrativo irresist\u00edvel aos que lhe fazem a corte, atribui a cada um de seus pretendentes uma cota\u00e7\u00e3o, como em um mercado financeiro. Sabedores de sua cota\u00e7\u00e3o, os admiradores que a cercam esmeram-se em satisfazer-lhe os menores caprichos. Aur\u00e9lia diverte-se com o jogo e a todos desdenha. De volta ao seu palacete, em seus aposentos, vai-se despindo de seus adere\u00e7os e com eles despoja-se da personalidade exibida nos sal\u00f5es. Desfaz o penteado elaborado e a\u00ed est\u00e1 a leg\u00edtima hero\u00edna ao gosto rom\u00e2ntico: delicada, melanc\u00f3lica, mas decidida e firme. Administra seus pec\u00falios e sua casa com compet\u00eancia, soluciona problemas e alivia sofrimentos alheios, atenta ao que se passa ao seu redor. Alencar cria tipos humanos e sociais, descreve cenas e costumes da corte: ricos e pobres, escravos e senhores, diplomatas, mercadores, jovens \u201ccasadoiras\u201d vigiadas pela fam\u00edlia, estudantes \u00e0 procura de uma noiva com bom dote, meretrizes \u00e0 ca\u00e7a de um rico protetor. Tamb\u00e9m o cen\u00e1rio \u00e9 variado: al\u00e9m do teatro, da \u00f3pera, dos bailes da corte, os passeios de fins de semana descrevem praias, arrabaldes com seus folguedos populares e outro padr\u00e3o de vida. Isso tudo faz parte do plano tra\u00e7ado por Alencar: compor um vasto painel de seu pa\u00eds, com as peculiaridades de ra\u00e7as humanas, regi\u00f5es, climas, paisagens, tipos sociais, hist\u00f3ria, pol\u00edtica e at\u00e9 mesmo linguagem.<\/p>\n<p>Deixou esquematizada uma <em>gram\u00e1tica<\/em> <em>do dialeto brasileiro<\/em>, que em grande parte j\u00e1 empregava em seus escritos, sobretudo nos di\u00e1logos de cunho popular, pelos romances e nas pe\u00e7as teatrais, atraindo cr\u00edticas ferozes dos puristas e conservadores. A todos respondia Alencar, ou pela imprensa, nas famosas pol\u00eamicas, ou nos in\u00fameros pref\u00e1cios e posf\u00e1cios de suas obras.<\/p>\n<p>\u201cSeixas era homem honesto; mas ao atrito da secretaria e ao calor das salas, sua honestidade havia tomado essa t\u00eampera flex\u00edvel de cera que se molda \u00e0s fantasias da vaidade e aos reclamos da ambi\u00e7\u00e3o.\u201d Alencar introduz o protagonista com uma frase incisiva, por\u00e9m n\u00e3o absoluta: ao ponto-e-v\u00edrgula seguem palavras que esmaecem a primeira impress\u00e3o e permitem prever uma personalidade contradit\u00f3ria. Ser\u00e1 ela, conjugada a circunst\u00e2ncias e acontecimentos v\u00e1rios, causa do conflito gerador do interesse da narrativa. Fernando Seixas, \u00f3rf\u00e3o de pai, funcion\u00e1rio p\u00fablico modesto, abandona a faculdade, arranja um cargo em uma secretaria, escreve na imprensa e conquista prest\u00edgio. Mas os rendimentos eram minguados. Fernando passa a viver ent\u00e3o uma vida dupla. Mora numa casa modesta com a m\u00e3e e as duas irm\u00e3s, trabalha na reparti\u00e7\u00e3o e no jornal durante o dia. \u00c0 noite, ao abrirem-se as salas da alta sociedade, da \u00f3pera, do teatro, surge Seixas, elegant\u00edssimo, figurino impec\u00e1vel, distinguindo-se entre os homens pela frase polida, pelo galanteio agrad\u00e1vel. Alguns anos antes, Fernando cortejara Aur\u00e9lia, ent\u00e3o adolescente e pobre, e um grande amor parecia lig\u00e1-los. Com o tempo, ele a pretere em favor do oferecimento de uma noiva acompanhada de um dote tentador. Compromete-se e parte para o Recife a neg\u00f3cios. A vida de Aur\u00e9lia transforma-se radicalmente: torna-se rica, gra\u00e7as a uma inesperada heran\u00e7a, e passa a brilhar na corte. Seixas volta da viagem em situa\u00e7\u00e3o que vai se deteriorando progressivamente. O reencontro dos antigos namorados ocorre numa sala de teatro, causando-lhes forte emo\u00e7\u00e3o. O amor, mesmo negado e sufocado, ainda ardia vivo. Com o tempo, Aur\u00e9lia decide virar o jogo. Deseja Seixas como marido e resolve compr\u00e1-lo. Sem revelar sua identidade, faz com que um desconhecido tutor ofere\u00e7a a mais alta \u201ccota\u00e7\u00e3o da sua bolsa matrimonial\u201d a Fernando. O jovem aceita o \u201cneg\u00f3cio\u201d, mesmo sem saber quem ser\u00e1 sua noiva. O conhecimento s\u00f3 se dar\u00e1 no dia da cerim\u00f4nia oficial.<\/p>\n<p>Alencar, retratando a vida social e dom\u00e9stica da \u00e9poca, segue os encontros e desencontros desse casamento de apar\u00eancias. Com tais antecedentes, poder\u00e1 o amor sobreviver? Com esse enredo que facilmente poderia descambar para o folhetim melodram\u00e1tico, Alencar estrutura um romance da sociedade do Rio de Janeiro imperial. Examina a psicologia das personagens, evitando o manique\u00edsmo, prende a aten\u00e7\u00e3o do leitor pelas intrigas e artimanhas e confere \u00e0 linguagem um tratamento liter\u00e1rio at\u00e9 ent\u00e3o ausente da fic\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p><\/blockquote>\n<p><em>* <\/em><a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=637394&amp;ID=639273\" target=\"_blank\"><em>Guia de Leitura \u2013 100 autores que voc\u00ea precisa ler <\/em><\/a>\u00e9 um livro organizado por L\u00e9a Masina que faz parte da Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM POCKET. A partir de hoje, todo domingo,voc\u00ea conhecer\u00e1 um desses 100 autores. Pra melhor configurar a proposta de apresentar uma leitura nova de textos cl\u00e1ssicos, L\u00e9a convidou intelectuais para escreverem uma lauda sobre cada um dos autores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mecejana (CE), Brasil, 1829 &#8211; \u2020 Rio de Janeiro, Brasil, 1877 Filho de um senador do Imp\u00e9rio, diplomou-se em Direito em S\u00e3o Paulo. Iniciou sua carreira liter\u00e1ria publicando folhetins no Correio Mercantil, do Rio de Janeiro. Trabalhou como advogado, jornalista e pol\u00edtico, chegando a deputado e mesmo a Ministro da Justi\u00e7a. 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