﻿{"id":10667,"date":"2011-09-02T16:00:31","date_gmt":"2011-09-02T19:00:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=10667"},"modified":"2011-09-05T10:14:51","modified_gmt":"2011-09-05T13:14:51","slug":"as-possibilidades-de-uma-ilha-%e2%80%93-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=10667","title":{"rendered":"A(s) possibilidade(s) de uma ilha \u2013 Parte II"},"content":{"rendered":"<p><em>Alexandre Boide conta a hist\u00f3ria dos Mang\u00e1s*<\/em><\/p>\n<p>Como em quase tudo no que se refere aos prim\u00f3rdios dos mang\u00e1s, o respons\u00e1vel por essa mudan\u00e7a de mentalidade foi Osamu Tezuka, conhecido como \u201co deus do mang\u00e1\u201d, pressionado pelas priva\u00e7\u00f5es extremas existentes em seu pa\u00eds no in\u00edcio de sua carreira. No Jap\u00e3o do p\u00f3s-guerra, as hist\u00f3rias em quadrinhos haviam praticamente desaparecido dos jornais e das revistas. Os quadrinistas precisariam reiventar a din\u00e2mica e o formato de suas hist\u00f3rias caso desejassem permanecer na ativa. A oportunidade para isso surgiu em Osaka, onde vivia Tezuka, com a possibilidade de publicar HQs em preto e branco em livros de impress\u00e3o barata conhecidos como <em>akahon<\/em> (\u201clivros vermelhos\u201d, por causa da cor chamativa de suas capas). Para serem encadernadas e comercializadas como livros, as hist\u00f3rias naturalmente precisavam ter come\u00e7o, meio e fim, e foi assim que, em 1947, surgiu <em>Shin-Takarajima<\/em> (\u201cA nova Ilha do Tesouro\u201d), o primeiro <em>best-seller<\/em> da era moderna dos mang\u00e1s, com 60 p\u00e1ginas e 400 mil exemplares vendidos.<\/p>\n<p>As hist\u00f3rias em quadrinhos japonesas n\u00e3o precisavam se prender a um limite de p\u00e1ginas e seus protagonistas n\u00e3o precisavam ser eternos, mas isso n\u00e3o significa que elas pudessem prescindir do apelo dos her\u00f3is. Principalmente a partir de 1959, com a publica\u00e7\u00e3o das primeiras revistas voltadas para o p\u00fablico infantil masculino, houve um <em>boom<\/em> criativo que originou personagens que marcariam para sempre o imagin\u00e1rio coletivo do pa\u00eds: de Kitar\u00f4, Doraemon, Kamen Rider e Ultraman at\u00e9 os mais recentes Goku, Naruto e Ruffy. Osamu Tezuka, nunca \u00e9 demais lembrar, estava l\u00e1 desde o in\u00edcio, com seu megapopular robozinho Astro Boy. E n\u00e3o eram s\u00f3 os her\u00f3is de a\u00e7\u00e3o que davam as cartas. Outro g\u00eanero de hist\u00f3ria tamb\u00e9m se revelou bastante atraente para o novo nicho que surgia: as grandes aventuras esportivas. Ao longo das d\u00e9cadas, n\u00e3o foram poucos os autores que alcan\u00e7aram o estrelato explorando o potencial desse g\u00eanero, como Tetsuya Chiba (de <em>Ashita no Joe<\/em>), Mitsuru Adachi (de <em>Touch<\/em>), Yoichi Takahashi (de <em>Captain Tsubasa<\/em>) e Takehiko Inoue (de <em>Slam Dunk<\/em>).<\/p>\n<p><div id=\"attachment_10669\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/Osamu_Tezuka1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10669\" class=\"size-full wp-image-10669\" title=\"Osamu_Tezuka[1]\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/Osamu_Tezuka1.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"261\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/Osamu_Tezuka1.jpg 400w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/Osamu_Tezuka1-300x195.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10669\" class=\"wp-caption-text\">Osamu Tezuka em um mar de mang\u00e1s criados por ele<\/p><\/div>E as limita\u00e7\u00f5es de formato n\u00e3o foram a \u00fanica barreira quebrada pela nova maneira de fazer quadrinhos inventada pelos japoneses. Nos Estados Unidos, em 1954, foi decretado oficialmente, e pelos pr\u00f3prios editores: gibi era coisa de crian\u00e7a. Viol\u00eancia escancarada, sensualidade e mensagens de desafio ao <em>status quo<\/em> n\u00e3o seriam mais toleradas nos <em>comic books<\/em>, que s\u00f3 poderiam ser comercializados depois de receber o selo de aprova\u00e7\u00e3o do Comics Code, o c\u00f3digo de \u00e9tica dos quadrinhos. Conte\u00fado mais ousado e contestador somente em publica\u00e7\u00f5es destinadas a maiores de idade, como a revista <em>Mad<\/em> ou, mais tarde, no mercado underground de revistas publicadas por conta pr\u00f3pria e distribu\u00eddas pelo correio ou de m\u00e3o em m\u00e3o, onde surgiram grandes nomes dos quadrinhos norte-americanos das \u00faltimas d\u00e9cadas, como R. Crumb, Harvey Pekar e os irm\u00e3os Hernandez. A partir do estabelecimento do Comics Code, o mercado de massa das revistas de HQs nos Estados Unidos passou a ser totalmente dominado por animaizinhos falantes, super-her\u00f3is virtuosos e historinhas edificantes como a de Archie e sua turma.<\/p>\n<p>No Jap\u00e3o, essa limita\u00e7\u00e3o formal e arbitr\u00e1ria nunca existiu. Muitos dos personagens das revistas para meninos s\u00e3o c\u00ednicos, amorais e at\u00e9 indecentes sem nunca perder a simpatia. E, quando estudantes universit\u00e1rios e jovens prolet\u00e1rios come\u00e7aram a procurar por hist\u00f3rias em quadrinhos mais adequadas a sua faixa et\u00e1ria, os editores dos <em>ankohon<\/em> deram ouvidos \u00e0 demanda e come\u00e7aram a publicar os <em>kurai<\/em> (os mang\u00e1s \u201cdark\u201d), que exploravam temas considerados tabus, como a humilha\u00e7\u00e3o imposta ao pa\u00eds com a derrota na 2\u00aa Guerra Mundial e passagens espinhosas da hist\u00f3ria japonesa que n\u00e3o podiam ser ensinadas nas escolas em virtude da censura exercida pelo governo imperial. Foi no caminho aberto pelos <em>kurai<\/em> na abordagem de temas hist\u00f3ricos que surgiram grandes cl\u00e1ssicos dos quadrinhos japoneses, como <em>A lenda de Kamui<\/em>, de Sanpei Shirato, <em>Gen p\u00e9s descal\u00e7os<\/em>, de Keiji Nakazawa e <em>Lobo Solit\u00e1rio<\/em>, de Kazuo Koike e Goseki Kojima.<\/p>\n<p><em><strong>(Continua amanh\u00e3)<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>(leia aqui a <a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=10629\" target=\"_blank\">parte I<\/a>)<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>*Alexandre Boide \u00e9 tradutor e coordenador editorial <a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=8498\" target=\"_blank\">dos Mang\u00e1s que ser\u00e3o publicados<\/a> no final de 2011 pela L&amp;PM. \u201cA(s) possibilidade(s) de uma ilha\u201d foi escrito especialmente para este Blog e ser\u00e1 publicado em tr\u00eas partes, do dia 01 ao dia 03 de setembro. N\u00e3o deixe de acompanhar.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexandre Boide conta a hist\u00f3ria dos Mang\u00e1s* Como em quase tudo no que se refere aos prim\u00f3rdios dos mang\u00e1s, o respons\u00e1vel por essa mudan\u00e7a de mentalidade foi Osamu Tezuka, conhecido como \u201co deus do mang\u00e1\u201d, pressionado pelas priva\u00e7\u00f5es extremas existentes em seu pa\u00eds no in\u00edcio de sua carreira. 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