﻿{"id":1062,"date":"2010-05-20T18:59:10","date_gmt":"2010-05-20T18:59:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=1062"},"modified":"2010-05-21T12:19:13","modified_gmt":"2010-05-21T12:19:13","slug":"o-que-ha-em-hunter-thompson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=1062","title":{"rendered":"O que h\u00e1 em Hunter Thompson?"},"content":{"rendered":"<p><em>A L&amp;PM acaba de lan\u00e7ar na cole\u00e7\u00e3o de bolso <a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=839293&amp;ID=518393\"><strong>Medo e del\u00edrio em Las Vegas<\/strong><\/a>,\u00a0 marco do gonzo jornalismo. Para falar sobre o autor do livro, Hunter Thompson, convidamos\u00a0o\u00a0jornalista Andr\u00e9 Czarnobai, o\u00a0<strong>Cardoso*<\/strong>.<br \/>\n<\/em><em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/Medo_e_delirio_em_LA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1063\" style=\"margin: 2px;\" title=\"Medo_e_delirio_em_LA\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/Medo_e_delirio_em_LA.jpg\" alt=\"\" width=\"145\" height=\"237\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8220;Na semana que seguiu o domingo tr\u00e1gico em que o escritor norte-americano <a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=745470\" target=\"_blank\">Hunter Thompson<\/a> encerrou sua trajet\u00f3ria alucinada enfiando uma bala na cabe\u00e7a aos 67 anos de idade, o que mais<br \/>\nsurpreendeu foi o destaque que a not\u00edcia recebeu na imprensa brasileira. \u00c9, para dizer o m\u00ednimo, curioso, que um autor estrangeiro que foi praticamente ignorado pelas editoras durante tantos anos tenha arrebanhado um n\u00famero t\u00e3o expressivo de f\u00e3s e merecido tamanha como\u00e7\u00e3o, especialmente quando o pr\u00f3prio mercado faz estimativas nada animadoras do n\u00famero potencial de leitores existentes no pa\u00eds. O fen\u00f4meno refor\u00e7a a pergunta levantada na \u00e9poca pelo jornalista Pedro Doria, em artigo publicado no site No M\u00ednimo. Afinal de contas, o que h\u00e1 em Hunter Thompson?<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Nascido durante a depress\u00e3o norte-americana no estado sulista do Kentucky, Hunter Stockton Thompson desenvolveu sua obra em torno de algumas das obsess\u00f5es mais familiares ao yankee m\u00e9dio. Bebedor inveterado e usu\u00e1rio das mais variadas subst\u00e2ncias il\u00edcitas, Thompson tinha fortes convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e era um aficionado por armas e esportes. Cr\u00edtico contumaz dos maus costumes e v\u00edcios de sua pr\u00f3pria sociedade, ele era acima de tudo um reprodutor eficiente dos mesmos defeitos que apontava, misturando de forma quase indissoci\u00e1vel o cr\u00edtico e o objeto da cr\u00edtica, o que lhe garantiu uma esp\u00e9cie de imunidade soberana na terra do Tio Sam.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Se fosse apenas isso, certamente Thompson n\u00e3o encontraria admiradores al\u00e9m dos limites dos 50 estados da grande na\u00e7\u00e3o do norte, mas, a seu favor, ele ainda possu\u00eda um grande trunfo, comum a todo grande artista da palavra: Thompson tinha estilo. T\u00e3o peculiar que foi o principal (sen\u00e3o \u00fanico) respons\u00e1vel pelo surgimento do seu culto, dentro e fora dos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Como muitos escritores de sua gera\u00e7\u00e3o, Thompson iniciou a carreira escrevendo para jornais e revistas na d\u00e9cada de 60. Enquanto <a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=628491\" target=\"_blank\">Wolfe<\/a> e Talese deliciavam-se com as liberdades ilus\u00f3rias propostas pelo Novo Jornalismo e <a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=806491\" target=\"_blank\">Burroughs<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=63\" target=\"_blank\">Kerouac<\/a> estreitavam os limites entre a poesia e a prosa em suas pessoal\u00edssimas narrativas beatniks, Thompson surgiu como o elo entre os dois mundos, criando, quase por acidente, o que se convencionou chamar de gonzo jornalismo. O termo designa um estilo de grande reportagem cuja capta\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es \u00e9 feita de forma participativa, e cuja reda\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentada em primeira pessoa, com largo uso de digress\u00f5es e sarcasmo, e na qual \u00e9 muito dif\u00edcil discernir a fic\u00e7\u00e3o da realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Se os praticantes do Novo Jornalismo seguiam uma s\u00e9rie de regras e se mantinham fi\u00e9is ao mais elementar dos paradigmas jornal\u00edsticos (a dist\u00e2ncia entre o observador e o que \u00e9 observado), Thompson queria transpor a barreira essencial que o separava da fic\u00e7\u00e3o: o compromisso com a verdade. Tamb\u00e9m chamado de jornalismo fora-da-lei, jornalismo alternativo e cubismo liter\u00e1rio, o g\u00eanero inventado por Thompson tinha sua for\u00e7a baseada na desobedi\u00eancia de padr\u00f5es e no desrespeito das normas estabelecidas, o que contribuiu para que o seu criador logo se tornasse um dos principais \u00edcones da contracultura. Enquanto Truman Capote esmiu\u00e7ava os mais secretos pormenores de um assassinato com pretensa neutralidade, Thompson foi morar durante dezoito meses com os Hell\u2019s Angels para fazer de sua pr\u00f3pria experi\u00eancia um raio-x preciso de uma das mais perigosas gangues de motoqueiros dos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Foi o jornalista Bill Cardoso quem cunhou o termo gonzo em uma carta que escreveu ao amigo: \u201cEu n\u00e3o sei que porra voc\u00ea est\u00e1 fazendo, mas voc\u00ea mudou tudo. \u00c9 totalmente gonzo\u201d. Segundo Cardoso, a palavra originou-se da g\u00edria franco-canadense gonzeaux, que significaria algo como \u201ccaminho iluminado\u201d. Thompson adota o termo pouco antes de aceitar o convite de cobrir a Mint 400, uma corrida de motos no deserto de Nevada, para a Sports Illustrated. Na companhia de um amigo advogado, ele parte em dire\u00e7\u00e3o a Las Vegas, mas logo deixa de lado a corrida para concentrar-se em uma profunda an\u00e1lise sociol\u00f3gica dos viciados em jogo e drogas e todo o tipo de degenerado que se re\u00fane em volta dos cassinos. O artigo \u00e9 recusado pela Sports Illustrated, mas ganha destaque em duas edi\u00e7\u00f5es da Rolling Stone, em novembro de 1971. Logo, \u00e9 editado como livro e transforma-se em sua principal obra, sob o t\u00edtulo de Fear and Loathing in Las Vegas: A Savage Journey to the Heart of the American Dream. Sua popularidade \u00e9 tamanha que, em 1998, a hist\u00f3ria ganha as telas de cinema com Johnny Depp no papel principal.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Traduzido para o portugu\u00eas pela Brasiliense em meados dos anos 80 sob o t\u00edtulo Las Vegas na Cabe\u00e7a, o livro n\u00e3o atrai muitas aten\u00e7\u00f5es e logo acaba saindo de cat\u00e1logo. Sua obra amargaria cerca de vinte anos de ostracismo para, somente em 2004, voltar ao mercado brasileiro atrav\u00e9s da Conrad, atendendo uma demanda crescente de leitores, em sua grande maioria muito jovens, nas faixas inferiores aos 30 anos. Mas como esse p\u00fablico foi formado? O que explica esse fasc\u00ednio pela obra de Thompson entre os leitores brasileiros?<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Em primeiro lugar, n\u00e3o \u00e9 toda a sua obra que convence os leitores tupiniquins. Na verdade, apenas seus primeiros livros, escritos h\u00e1 mais de 30 anos, em pleno auge da contracultura, cativam as aten\u00e7\u00f5es abaixo do Equador. Por estar t\u00e3o associado ao nome do autor, gonzo jornalismo virou sin\u00f4nimo de relatos inconseq\u00fcentes de grandes excessos \u2013 comportamento err\u00e1tico, desobedi\u00eancia, descri\u00e7\u00e3o extrema dos efeitos dos mais variados tipos de entorpecentes. \u00c9 uma literatura confessional e sem censura, que fala a um p\u00fablico mais jovem, ainda respirando os nervosismos e os brios adolescentes \u2013 e que combina perfeitamente com as linguagens praticadas atualmente na Internet, onde o gonzo encontra maior respaldo. Outra poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o para a popularidade tardia do autor est\u00e1 diretamente ligada ao momento cultural que vive n\u00e3o s\u00f3 o Brasil como o mundo, e que podemos definir como a voyeuriza\u00e7\u00e3o da realidade. Numa sociedade em que os paparazzi, reality shows e weblogs s\u00e3o vistos como \u00edcones representativos, n\u00e3o \u00e9 de se estranhar que um estilo narrativo que ponha em primeiro lugar a experi\u00eancia pessoal do seu autor seja sucesso. Mas, sobretudo, Thompson era, como dizia George Plimpton, uma \u201cpersona liter\u00e1ria\u201d, algu\u00e9m dotado de um ineg\u00e1vel carisma, e com uma grande capacidade de seduzir seus leitores.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O que h\u00e1, portanto, em Hunter Thompson? Para o p\u00fablico brasileiro, n\u00e3o muito al\u00e9m da figura que representa a\u00a0 quintess\u00eancia do gonzo, esta forma malcriada de falar sobre tudo, direto de nossos umbigos, sem precisar se preocupar em levar nada muito a s\u00e9rio \u2013 e olha que isso n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o pouca coisa.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">*<em> Se voc\u00ea ainda quer saber mais sobre o Cardoso, <a href=\"http:\/\/qualquer.org\/cardoso\/\">clique aqui<\/a> para ver a p\u00e1gina pessoal dele e <a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/multimidia\/default.asp\">aqui<\/a>\u00a0para asssitir uma\u00a0entrevista ao programa Lado C na L&amp;PM WebTV. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A L&amp;PM acaba de lan\u00e7ar na cole\u00e7\u00e3o de bolso Medo e del\u00edrio em Las Vegas,\u00a0 marco do gonzo jornalismo. 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