﻿{"id":10431,"date":"2011-08-23T10:02:43","date_gmt":"2011-08-23T13:02:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=10431"},"modified":"2012-03-21T09:06:32","modified_gmt":"2012-03-21T12:06:32","slug":"nunca-e-tarde-para-ler-josue-guimaraes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=10431","title":{"rendered":"Nunca \u00e9 tarde para ler Josu\u00e9 Guimar\u00e3es"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>SOMBRAS E DORES DA DITADURA<\/p>\n<p><em>Sergius Gonzaga*<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_10433\" style=\"width: 163px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/e_tarde_para_saber.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10433\" class=\"size-medium wp-image-10433  \" title=\"e_tarde_para_saber\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/e_tarde_para_saber-177x300.jpg\" alt=\"\" width=\"153\" height=\"262\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10433\" class=\"wp-caption-text\">&quot;\u00c9 tarde para saber&quot; foi o quinto romance escrito por Josu\u00e9 Guimar\u00e3es<\/p><\/div>\n<p>Quando <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=45\" target=\"_blank\">Josu\u00e9 Guimar\u00e3es<\/a> escreveu <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=636453&amp;ID=649292\" target=\"_blank\">\u00c9 tarde para saber<\/a><\/em>, em 1976, o Brasil ainda vivia sob o signo de uma longa ditadura militar que se estendeu por vinte anos (1964-1984). Apesar de seu projeto desenvolvimentista, do crescimento econ\u00f4mico ocorrido, em especial nos primeiros anos da d\u00e9cada de 1970, e da unifica\u00e7\u00e3o definitiva do pa\u00eds atrav\u00e9s de uma m\u00faltipla rede de comunica\u00e7\u00f5es (televis\u00e3o, correios, telefonia), o regime autorit\u00e1rio trouxe consigo um universo de sombras e dores. (&#8230;) Centenas de rapazes e mo\u00e7as, ultrapassando o medo, a dor, a amea\u00e7a da tortura\u00a0&#8211; praticada indiscriminadamente em quart\u00e9is e delegacias de pol\u00edcia -, ultrapassando o pr\u00f3prio horror \u00e0 morte, fizeram da luta armada a sua situa\u00e7\u00e3o-limite, o seu enfrentamento radical com o sistema. Despreparados do ponto de vista militar, sem entender o processo social, cultural e econ\u00f4mico que o Brasil experimentava, sem lideran\u00e7as capazes ou representativas, sem calcular a for\u00e7a brutal do inimigo, inocentes e, ao mesmo tempo, aventureiros, muitos desses jovens foram f\u00e1cil e impiedosamente derrotados pelas for\u00e7as repressivas.<\/p>\n<p>Escrever sobre um deles, como Josu\u00e9 o fez em <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=636453&amp;ID=649292\" target=\"_blank\">\u00c9 tarde para saber<\/a><\/em>, exigia coragem e sutileza, porque a ditadura continuava com seu manto assustador de censura, intimida\u00e7\u00e3o e controle das exist\u00eancias individuais. Coube tamb\u00e9m ao escritor, atrav\u00e9s da figura de Mariana, evocar uma parte da juventude brasileira que se mantinha alienada do que ocorria nos substerr\u00e2neos do regime. Fez isso sem acus\u00e1-la ou reprov\u00e1-la. Simplesmente desvelou sua inocente inconsci\u00eancia, produzindo assim um estranho romance pol\u00edtico em que n\u00e3o se discute pol\u00edtica. Por isso, mais do que uma bela hist\u00f3ria de amor adolescente, mais do que um Romeu e Julieta ambientado no Rio de Janeiro de algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s, mais do que um relato de suspense, esta novela \u00e9 uma obra de grande tradi\u00e7\u00e3o realista brasileira e ocidental: uma obra que, simultaneamente, mostra e desmascara o seu tempo hist\u00f3rico.<\/p>\n<p><em>* Sergius Gonzaga \u00e9 Secret\u00e1rio de Cultura de Porto Alegre, professor, editor, especialista em literatura brasileira e grande conhecedor da obra de Josu\u00e9 Guimar\u00e3es. Este texto\u00a0\u00e9 parte da introdu\u00e7\u00e3o\u00a0da edi\u00e7\u00e3o de <\/em><em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=636453&amp;ID=649292\" target=\"_blank\">\u00c9 tarde para saber<\/a>\u00a0da Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM Pocket.<\/em><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SOMBRAS E DORES DA DITADURA Sergius Gonzaga* Quando Josu\u00e9 Guimar\u00e3es escreveu \u00c9 tarde para saber, em 1976, o Brasil ainda vivia sob o signo de uma longa ditadura militar que se estendeu por vinte anos (1964-1984). 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