﻿{"id":103,"date":"2010-02-14T18:23:14","date_gmt":"2010-02-14T20:23:14","guid":{"rendered":"http:\/\/lepmeditores.wordpress.com\/?p=103"},"modified":"2010-02-14T18:23:14","modified_gmt":"2010-02-14T20:23:14","slug":"diario-do-anonymus-em-paris-2%c2%ba-dia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=103","title":{"rendered":"Di\u00e1rio do Anonymus em Paris &#8211; 2\u00ba Dia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lepmeditores.files.wordpress.com\/2010\/02\/topoanonymusvale5.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><em>Por Jos\u00e9 Antonio Pinheiro Machado<\/em><\/p>\n<p><strong>Os brasileiros est\u00e3o adorando a Paris Cookbook Fair<\/strong>, a feira mundial dos livros de gastronomia que se realiza no rec\u00e9m criado &#8220;104&#8221;, o &#8220;Le Cent Quatre&#8221;, novo espa\u00e7o cultural e art\u00edstico da capital francesa.<br \/>\nRepresentantes de cerca de 100 pa\u00edses movimentam o pavilh\u00e3o amplo, moderno e confort\u00e1vel, totalmente reciclado e modernizado &#8212; que no passado abrigou o \u00f3rg\u00e3o municipal das &#8220;Pompas F\u00fanebres de Paris&#8221; durante dois s\u00e9culos. O Cent Quatre fica no XIX\u00e8me Arrondissiment, valorizando uma regi\u00e3o pobre de oper\u00e1rios, desempregados e estrangeiros ilegais.<br \/>\nAs C\u00e2mara Brasileira do Livro, est\u00e1 presente com um estande que tem a participa\u00e7\u00e3o das editoras Melhoramentos, Senac e Bocatto. A L&amp;PM, a convite da presidente Rosely Boschini, comparece como observadora. &#8220;Esta feira veio para ficar&#8221;, disse Rosely. &#8220;Aqui est\u00e3o presentes as principais editoras do mundo que editam livros de gastronomia. At\u00e9 no Brasil, o interesse editorial pela gastronomia \u00e9 crescente. No ano que vem, vamos comparecer com representa\u00e7\u00e3o refor\u00e7ada.&#8221;<br \/>\nEmbora ainda n\u00e3o seja a realidade brasileira, <strong>nos Estados Unidos e na Europa os livros de gastronomia<\/strong>, segundo o presidente da Paris Cookbook Fair, M. Edouard Cointreau, <strong> j\u00e1 s\u00e3o &#8220;a parcela mais apetitosa e mais rent\u00e1vel do mercado editorial.&#8221;<br \/>\n<\/strong>Esse entusiasmo parece contagiar nossos editores e livreiros, e vai se concretizar em duas frentes, num primeiro momento. Desde logo come\u00e7a a prepara\u00e7\u00e3o para trazer a Paris uma representa\u00e7\u00e3o mais numerosa na Cookbook Fair do ano que vem. Al\u00e9m disso, outra novidade imediata: a cria\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o exclusivo para livros de gastronomia j\u00e1 na pr\u00f3xima Bienal do Livro, em S\u00e3o Paulo.<br \/>\nNa verdade, <strong>esta primeira edi\u00e7\u00e3o da Paris Cookbook Fair ficou dividida entre duas inclina\u00e7\u00f5es: feira de neg\u00f3cios ou feira-festival?<\/strong> Numa feira de neg\u00f3cios, a exemplo da tradicional Feira de Frankfurt, o foco \u00e9 a comercializa\u00e7\u00e3o internacional de direitos entre editores de diversos pa\u00edses; na feira-festival, da qual a cinquenten\u00e1ria Feira do Livro de Porto Alegre \u00e9 amostra, a id\u00e9ia \u00e9 um grande evento de p\u00fablico, de divulga\u00e7\u00e3o de autores e novos lan\u00e7amentos.<br \/>\n&#8220;Talvez seja interessante cultivar essa d\u00favida existencial&#8221;, diz um dos editores mais chegados a M. Cointreau.\u00a0 &#8220;Essa duplicidade pode fazer bem \u00e0 sa\u00fade financeira e ao marketing das pr\u00f3ximas edi\u00e7\u00f5es&#8221;, completa.<br \/>\nPor enquanto os neg\u00f3cios t\u00eam mais express\u00e3o do que a presen\u00e7a do p\u00fablico.<br \/>\nMesmo assim, centenas de parisienses e turistas, no primeiro dia aberto ao p\u00fablico, enfrentaram a manh\u00e3 gelada do fim de semana, com temperaturas em torno de zero grau, para ingressar no Cent Quatre, felizmente bem fechado e aquecido: <strong>al\u00e9m da calefa\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel, bailarinas indianas, conhaques e vinhos se encarregaram de fazer subir a temperatura<\/strong>.<br \/>\nSomando-se aos apelos dos estandes e das dan\u00e7as, o p\u00fablico desfrutou de quiosques com bebidas variadas e uma mini-feira livre de produtos bio, onde n\u00e3o faltaram cenas inesquec\u00edveis. Um renomado produtor italiano de car\u00edssimo aceto balsamico oferecia demonstra\u00e7\u00e3o de seu produtos envelhecidos, com amostras diminutas servidas ao p\u00fablico em parcimoniosas colherinhas. <strong>Um japon\u00eas, entusiasmado pelo sabor foi polidamente advertido pela esposa, ao tentar a quinta colherada de repeti\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\nNas demonstra\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias, o destaque (sem patriotismo) foi o Brasil, que apostou na simplicidade: a cozinheira e chef de cozinha Ana Trajano apresentou a uma plat\u00e9ia de dezenas de refinados gourmets o charque e a mandioca. Depois de uma apresenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica em que comil\u00f5es de diversos pa\u00edses foram iniciados nas diferen\u00e7as entre charque, carne seca e carne de sol, todos adoraram os finalmentes: charque com salada e uma boa farofa.<br \/>\nA mandioca brilhou especialmente: &#8220;De norte a sul do Brasil, chamada de mandioca, macaxera ou aipim, servida ao natural, ou na forma de pir\u00e3o, farofa ou pa\u00e7oca, \u00e9 um alimento de primeira. A mandioca une o Brasil!&#8221;, disse Ana no evento em que lan\u00e7ou seu livro &#8220;Gosto do Brasil&#8221;. O editor Breno Lerner lembrou que 60 milh\u00f5es de pessoas deixaram de morrer de fome na \u00c1frica gra\u00e7as ao crescimento da cultura da mandioca, que tem o Senegal na lideran\u00e7a mundial em mat\u00e9ria de cultivo.<br \/>\nEntre os livros de luxo de cintilantes capas dura,s apresentados na Paris Cookbook Fair por editores europeus em ternos Armani impec\u00e1veis, n\u00e3o deixa de ser estimulante constatar que brilhou o grande ingrediente da mesa brasileira. Quem diria. <strong>Os estandes refinados se transformaram, por momentos, em balc\u00e3o da realidade, e a mandioca, normalmente reduzida a insossa curiosidade tropical, foi redimida<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Antonio Pinheiro Machado Os brasileiros est\u00e3o adorando a Paris Cookbook Fair, a feira mundial dos livros de gastronomia que se realiza no rec\u00e9m criado &#8220;104&#8221;, o &#8220;Le Cent Quatre&#8221;, novo espa\u00e7o cultural e art\u00edstico da capital francesa. 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