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Frio, sol e chuva na pacata Paris

Apesar da descrença do dublê de crítico literário e historiador Eduardo Bueno, com quem já compartilhei infortúnios nessa mesma terra de Espanha, tudo é verdade, como diria Orson Welles. Já que agora estamos todos bem e em Paris eu digo como aquele radialista de Arapongas, no Paraná: “Eduardo, bem esta você aí em segurança na esquina da Dona Laura com a Mariante, mal estou eu aqui”…

As ruas úmidas e ensolaradas da capital francesa / Fotos: Ivan Pinheiro Machado

As ruas úmidas e ensolaradas da capital francesa / Fotos: Ivan Pinheiro Machado

Paris começou a primavera alternando fortes pancadas de chuva com sol. As mesas dos cafés estão desertas na rua, lembrando as tardes do inverno que terminou, pelo menos no calendário. O Salão do livro que começa amanhã já é assunto. Na grande banca de revistas em frente ao meu hotel no Boulevard Saint Germain, ao comprar um jornal ou revista, você recebe uma publicação de 32 páginas com toda a programação do Salão.
Me abasteci de revistas e jornais, inclusive a incensada novidade entre as publicações culturais, a “Books”, e fui matar a fome com uma cerveja e um sanduíche de queijo gruyère, a exemplo do inspetor Maigret, que trabalha aqui pertinho. Depois fui à legendária livraria La Hune, onde pude constatar a enorme quantidade de títulos lançados nesse início de primavera. Coisas muito boas. Já estou inclusive fazendo uma lista com sugestões para o Lima publicar. Até amanhã e um beijo no Peninha.

N.E.: Aos que não entenderam o texto, sugerimos que leiam a caixa de comentários do post anterior.

Momento Jason Bourne: assalto na Calle Layetana

Eu já estava na movimentada Calle Layetana, embarcando minha bagagem no táxi que me levaria ao aeroporto. Dei adeus e abracei minha amiga que incansavelmente me conduziu pelas calles e caves de Barcelona. Isso durou dois minutos. Quando me virei para pegar minha bolsa (onde estava tudo, inclusive passaporte), não havia nada. Centenas de pessoas passavam apressadas e uma me disse, “ele foi por ali”. Por instinto eu saí correndo numa velocidade que faria inveja a um velocista jamaicano. De repente eu vi o sujeito no meio da multidão. Reconheci pela alça que tem cor diferente da bolsa. Acelerei mais ainda diante dos pedestres e turistas perplexos e a uns cinco metros do sujeito gritei “ladron!”. Ele tentou correr e, num instante de irreflexão, pulei na garganta dele. Ele caiu e me olhou apavorado. Arrancou a bolsa, atirou-a em mim e se perdeu a toda velocidade pela Calle Princesa, uma transversal da Layetana. Meus batimentos cardíacos estavam, provavelmente, em 440. Pensei em ligar para o Dr. Lucchese… Alguns transeuntes vieram até mim indagando se estava tudo bem com uma admirada solidariedade. E eu saí passo a passo, agarrado na minha bolsa. Aos poucos as nuvens foram se dissipando e o sol apareceu radiante banhando de luz os telhados de Barcelona. Peguei o táxi finalmente. Meu destino é Paris. Amanhã começa o Salão do Livro. Apesar do incidente saio com as mais gratas lembranças dessa cidade amável, linda, onde quero voltar sempre. E espero que em Paris eu não precise utilizar novamente meu lado Bourne…