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Feliz Dia de São Valentim!

segunda-feira, 14 fevereiro 2011

No dia 14 de fevereiro, os apaixonados do hemisfério norte comemoram o Dia de São Valentim ou Dia dos Namorados, como é costume chamar aqui no Brasil. A diferença é que o nosso é no dia 12 de junho, véspera do Dia de Santo Antônio, o casamenteiro.

Lá fora, a homenagem a São Valentim é merecida: no século III, o bispo Valentim desafiou a ordem do imperador romano Cláudio II que proibia o casamento por acreditar que soldados solteiros tinham melhor desempenho no campo de batalha. Mesmo à revelia do imperador, o bispo continuou a celebrar casamentos, até ser descoberto e condenado à morte. Diz a lenda que, na prisão, ele se apaixonou pela filha cega de um carcereiro e, como que por milagre, devolveu-lhe a visão. Considerado mártir pela Igreja Católica, o dia de sua morte – 14 de fevereiro – foi oficializado como Dia de São Valentim, quando casais em vários países trocam presentes e juras de amor.

Aproveite para celebrar o amor em toda a sua diversidade e Feliz Dia de São Valentim! Os trabalhos da artista Claire Streetart podem servir de inspiração ;)

Arte de rua de Claire Streetart na Rua Mouffetard, em Paris

Mais arte de Claire Streetart num muro do bairro Sumaré, em São Paulo

Na praça Bolívar, Paris

A cena atrai a atenção de um pedestre em Vers Belleville

Curtiu? Veja outros trabalhos da artista em seu site oficial.

12. Vítimas do Plano Cruzado

terça-feira, 25 janeiro 2011

Por Ivan Pinheiro Machado*

O Eduardo “Peninha” Bueno, cujo post anterior eu tracei um rápido perfil, me acompanhou várias vezes à Feira Internacional do Livro de Frankfurt. Como eu já disse, vivenciamos dezenas de histórias hilárias pelo mundo afora. Claro que houve algumas meio desagradáveis, mas nenhuma tão sinistra como esta que eu vou contar.

Era o auge do Plano Cruzado em 1985. O “cruzado” era a moeda da vez e os preços estavam congelados. Nossa moeda era fortíssima e todo o Brasil viajava. Você andava pela rua em Paris, Nova York, Roma e só se ouvia português… Os aeroportos estavam apinhados de brasileiros excitados. Enfim, tudo um pouco parecido com o que acontece hoje em dia. Trabalhamos duro em Frankfurt, passamos uns dias em Paris e fomos para Madrid onde pegaríamos o vôo de volta via Ibéria. Havia uma verdadeira multidão (80% eram brasileiros) em frente aos balcões da Ibéria. Mostramos nossa passagem para a atendente, ela olhou no “sistema” e lascou: “vocês não estão no vôo”. E mais não disse. Ou melhor, nem nos olhou, mandou passar o próximo e nós ficamos gritando em vão no meio de uma multidão totalmente indiferente. Começava aí um drama que duraria 50 horas. Ou seja, ficamos mais de dois dias feito zumbis, nos arrastando pelo famigerado aeroporto de Barajas tentando falar com alguém que nos desse atenção. Quando estávamos já praticamente desesperados, definitivamente invisíveis, Deus, na sua infinita bondade nos mandou um anjo salvador; era de Minas Gerais e trabalhava para a legendária Stella Barros Turismo. Penalizada pelo nosso miserável estado de decomposição depois de 50 horas perambulando pelo aeroporto, dormindo nos bancos de madeira, ela milagrosamente conseguiu nos colocar num vôo da Aerolineas Argentinas para Buenos Aires, com escala em Nova York para troca de aeronave. Só que não tínhamos visto para entrar nos EUA. Portanto, quando descemos do avião em NY, fomos levados escoltados diretamente para a emigração e colocados numa espécie de cela guarnecida por um daqueles rapazes afro-americanos, tipo um negrão de 2 metros de altura. Um gentil policial que nos disse com um sorriso sádico: “esperamos que o pessoal da Aerolineas Argentinas venha buscá-los, se não…”. Ficou aquela ameaça no ar. A temperatura era de 2 graus em Nova York. O Peninha e eu estávamos em mangas de camisa, pois ainda fazia calor em Madrid.  O detalhe é que, por coincidência, a sala dos quase-deportados, era o único lugar do aeroporto que não tinha calefação. Passaram-se 10 minutos, meia hora, 1 hora e quando começou a bater o desespero, eis que, como uma visão do paraíso, surgiu uma lourinha de olhos azuis, sorridente, que dirigiu-se a nós numa maravilhoso sotaque portenho: “Vamos?”. E lá fomos nós com as ilusões no ser humano restauradas até beijar o solo abençoado do aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre depois de quatro dias com a mesma roupa, sem banho, sem cama e sem fazer a barba.

Ivan Pinheiro Machado, Mirian Goldfader, Eduardo Bueno e Lais Pinheiro Machado, Paris, 1985 – Foto tirada pouco antes do embarque para Madrid

O Plano Cruzado foi a primeira grande euforia econômica dos brasileiros. Um congelamento artificial paralisou os preços e a economia, depois de uma inflação beirando os aterrorizantes 40% ao mês. Com os preços congelados e o dólar quase um por um, todos viajavam e compravam muito. Mas a alegria durou pouco. Demagógico, improvisado, “a farra” do Plano Cruzado logo começou a fazer água. Desabastecimento, mercado negro, especulação, em pouco tempo tudo voltou a ser como era antes. O monstro inflacionário atacou novamente! Velho Sarney! O périplo de horrores econômicos que vivemos a partir do fracasso do “Plano Cruzado” acabou levando à presidência da república o famoso Fernando Collor de Mello. E esta história todos conhecem; confisco da poupança, corrupção… A curiosidade, que de certa forma é uma fábula deste país, é que, passados mais de 20 anos, Sarney e Collor – um responsável pelo maior índice de inflação da história do Brasil e o outro condenado no processo de impeachment  –  atualmente são senadores, apoiaram Lula apaixonadamente e circulam pelos corredores do congresso como se nada tivesse acontecido.

Para ler o próximo post da série “Era uma vez uma editora…” clique aqui.
 
 

110 anos sem Oscar Wilde

terça-feira, 30 novembro 2010

Obituário original publicado no The New York Times em 01 de dezembro de 1900

No dia 01 de dezembro de 1900, o The New York Times publicou o seguinte obituário: MORTE DE OSCAR WILDE; Ele terminou em um obscuro hotel no Quartier Latin em Paris. Disseram que teria morrido de meningite, mas há um boato de que cometeu suicídio.” O anúncio de falecimento comunica que o escritor morreu às três da tarde do dia 30 de novembro e que teria vivido os últimos meses sob o nome de Manmoth. Terminava assim a vida de Oscar Fingal O´Flahertie Wills Wilde, nascido na cidade inglesa de Dublin em 1854. Depois de ser celebrado pela autoria de O retrato de Dorian Gray, de 1891, e de mais uma série de peças de sucesso, sua vida mudou ao ser  acusado e processado pela família de Lord Alfred Douglas, um jovem aristocrata por quem Wilde se apaixonou e com quem compartilhou um excêntrico estilo de vida. Condenado a trabalhos forçados que consumiram sua saúde e sua reputação, Oscar Wilde exilou-se em Paris. É lá que, hoje, ainda é possível visitar a casa onde o escritor inglês viveu seus últimos anos e também o seu mausoléu, no cemitério Père Lachaise, famoso pelas marcas de batons ali deixadas.

No início de 2011, a L&PM publicará a vida de Oscar Wilde na Série Biografias.

Túmulo de Oscar Wilde em Paris é repleto de marcas de batons de fãs

De Oscar Wilde, além de O retrato de Dorian Gray, a Coleção L&PM POCKET publica O Fantasma de Canterville, De Profundis e A alma do homem sob o socialismo .

Mais um Scliar com sotaque francês

quarta-feira, 27 outubro 2010
No charmoso Boulevard Saint Germain ainda restam duas grandes livrarias tipo aquelas de antigamente; “La Hune” e, 20 metros depois, “L’Ecume des Pages”, ambas no próprio boulevard, quase esquina com rue Saint Benoit. Entre elas, fica o “Flore”, onde Sartre lia os jornais todos os dias pela manhã e à noite Picasso desfilava com suas incontáveis namoradas. Pois bem. Estas livrarias resistem bravamente ao excesso de glamourização do bairro, tomado por Giorgio Armanis, Louis Vuittons, Ralph Laurens que foram comprando os pequenos negócios e transformando em grandes lojas fashions. É o caso da célebre livraria “Le Divan”, na esquina de Guillaume Apollinaire com Rue Bonaparte, a uma centena de metros do boulevard. Há poucos anos capitulou diante de uma oferta irrecusável de ninguém menos do que a Dior. Mas estou escrevendo tudo isto para dizer que Moacyr Scliar teve seu livro “A Guerra do Bom Fim” (editado no Brasil pela L&PM) publicado na França pela Éditions Folies d’Encre, traduzida por Philippe Poncet. Vocês não imaginam o que é disputado o mercado francês. São centenas de lançamentos semanais e pouco espaço nas livrarias para expor tudo. Só fica na vitrine o que é muito importante. Pois eu estive tanto na “La Hune” como na “L’Ecume des pages”. E “La Guerre de Bom Fim” estava orgulhosamente nas duas vitrines. Ambos merecem esta honraria; o livro, porque é maravilhoso, e o doutor Scliar porque, além de ser um grande escritor é um cara muito legal. (IPM)

Paris I: Tio, tem uma moeda?

sexta-feira, 15 outubro 2010

O “flagrante” abaixo ocorreu no semáforo em frente ao Quai d’Orsay, Saint Germain de Près, Paris. Um dos pontos mais sofisticados do mundo. Tanto é verdade que o mendigo vai direto na flamante Ferrari. E não leva. Ou seja, o primeiro mundo não é mais o mesmo.

Foto: Ivan Pinheiro Machado

Para saber mais sobre a “Cidade Luz”, leia Paris: Biografia de uma cidade, de Colin Jones e Paris: Uma história de Yvan Cambeau, na Série Encyclopaedia.

Paris: a cidade-personagem

segunda-feira, 5 julho 2010

Ivan Pinheiro Machado

Balzac amava Paris.

Nasceu em Tours, na belíssima Touraine, região célebre pelos magníficos castelos construídos à beira do Rio Loire – este que é o maior rio da França, com cerca de 1.000 quilômetros, e que serpenteia por quase metade do território francês. E próximo a Tours, numa extensão que ocupa quase 100 mil hectares, estão os mais belos castelos do mundo que, no ano 2000, foram tombados como patrimônio da humanidade pela Unesco. Há castelos que estão por lá desde muito antes da descoberta do Brasil. A beleza, o luxo e a imponência de cerca de trezentos “châteaux” contam a história da arquitetura francesa – da sobriedade contida na Idade Média do século X ao ardor renascentista do século XV. Tours foi capital da França entre 1461 e 1560, quando Paris passou a ser a capital definitiva. Balzac saiu de lá adolescente, logo após abandonar o internato onde esteve isolado de tudo e de todos. Apostava numa carreira literária e conseguiu convencer seu pai a sustentá-lo em Paris, onde estudaria Direito e escreveria romances. De fato, Honoré de Balzac se formaria advogado, mas – naquele momento – não convenceria como romancista, nem no suspeito círculo dos familiares. Era 1820 e ele tinha 21 anos. Precisou de 10 anos mais para construir os alicerces da sua obra e finalmente convencer como escritor. Paris foi impactante o suficiente para submeter Balzac aos seus mistérios, suas mazelas e seus encantos. Magnetizado pela paisagem da cidade luz, fez com que o desconcertante contraste de ruelas medievais, miseráveis, mal-cheirosas, com salões reluzentes, parques esplêndidos e palácios fosse uma constante em sua obra. Posso até me arriscar em dizer que, se a Comédia Humana tem um personagem principal, este personagem é a cidade de Paris.

A grande cortesã

Impregnado do bucolismo das paisagens de Tours e arredores, Balzac capitulou diante da diversidade arquitetônica, econômica, moral e espiritual de Paris. Foi um amor à primeira vista. Ele certamente diria o que disse Henrique IV, o rei da França, 250 anos antes, ao ser obrigado a renunciar ao protestantismo para agradar seus súditos de maioria católica: “Paris vaut bien une messe” (Paris vale bem uma missa).

Ele se apoderou da cidade para ambientar seus quase 3.000 personagens. Para usar uma expressão bem balzaquiana, “pintou” Paris como poucos. Tanto é verdade que uma das partes centrais da Comédia, que inclui cerca de um terço do total dos quase cem títulos é exatamente Cenas da Vida Parisiense. Portanto, a Comédia Humana é um dos mais importantes documentos literários sobre a cidade. Pela primeira vez na literatura, uma cidade é personagem de uma grande obra. Ele a descreveu maravilhosamente e a elevou a proporções quase humanas. A frase final de O Pai Goriot reflete a idéia de Balzac: o jovem Rastignac está chocado e decepcionado com a vida quando enterra seu amigo Goriot. Do alto do cemitério Père-Lachaise ele vê Paris imensa espalhada em volta do Sena e exclama: “Paris, agora é entre nós dois!”

Eugène Rastignac era o alter ego de Balzac. Ambos enfrentaram Paris. Entenderam que era necessário ser cínico, ser duro e ser forte para não serem engolidos pelo turbilhão daquela cidade fascinante. São centenas as passagens em que Balzac fala sobre Paris. Eu escolhi uma, que se não é a mais bonita, nem a mais brilhante, pelo menos fará você entender a relação “literária” dele com a cidade, a ponto de transformá-la em protagonista em muitas de suas tramas:

 “Há aqueles que conhecem tão bem sua fisionomia que percebem nela até mesmo uma verruga, um sinal de nascença, o menor rubor. Para outros, Paris é sempre uma maravilha monstruosa, um espantoso conjunto de acontecimentos, a cidade em que transcorrem cem mil romances, a verdadeira cabeça do mundo. Só que para estes Paris é uma criatura completa: cada ser humano, cada detalhe de prédio são apenas um fragmento do tecido celular dessa grande cortesã (…).”

Leia também:

Balzac e a política: um autor de direita e uma obra de esquerda
O homem que amava as mulheres
Balzac: a volta ao Brasil mais de 20 anos depois
Por que ler Balzac
O monumento chamado Comédia Humana
Balzac: o homem de (maus) negócios
Sexo para todos os gostos
20 de maio: aniversário de Balzac
Ouro e prazer
Balzac e as balzaquianas
O poder das mulheres na Comédia humana

CLIQUE AQUI PARA LER A PARTE 13 DESTA SÉRIE.

Paris tem mania de Rimbaud

quarta-feira, 16 junho 2010

Por Paula Taitelbaum

Rimbaud é pop. E em Paris está mais na moda do que nunca. O belo rosto do poeta que cantou o inferno estampa lambretas, camisetas, vitrines de livrarias e, até o dia 1º de outubro, é exibido na exposição RIMBAUDMANIA. Em cartaz na “Galeria des Bibliothéques, Ville de Paris”, a mostra pode ser vista a partir de uma singela entrada de quatro euros que permite um passeio pelos manuscritos originais do autor, fotos, desenhos, capas de livros e muita memorabília. “O que é este mistério e como ele se tornou tão grande? Por que sua imagem consegue se renovar a cada geração? Rimbaud viveu todas as nossas tristezas, nossos fracassos, nossos sonhos? O que é esse sol que nele brilha e que tanto nos atrai? Será que o que mais nos intriga é o fato de ter escrito tão bem ou ter parado de escrever tão cedo? Ou será que é sua imagem que faz com que o acolhamos como uma espécie de irmão? Não há nenhuma resposta objetiva. Arthur Rimbaud manterá para sempre o seu enigma. RIMBAUDMANIA narra o advento dos heróis da mitologia moderna, e torna tangível a extensão desse mito. Rimbaud sobrevive graças à esperança e à fé na capacidade do homem para ‘mudar a vida’”, diz o texto de apresentação do curador Claude Jeancolas que está no site oficial da mostra. É lá também que você poderá saber mais detalhes e assistir um vídeo sobre a exposição. As fotos abaixo foram tiradas recentemente nas ruas de Paris.

 De Rimbaud, a Coleção L&PM Pocket publicou Uma temporada no inferno. Leia mais sobre o poeta no post Arthur Rimbaud: a tragédia, o charme e o mito.

Ouro e prazer

sexta-feira, 28 maio 2010

Por Ivan Pinheiro Machado

Balzac tinha a pretensão de ir muito além da literatura com a sua “Comédia Humana”.
Segundo ele, seus livros na realidade eram “tratados de costumes” que facilitariam a vida dos historiadores do futuro na “compreensão do século XIX”. E ele retratou com a precisão de um sociólogo a Paris dos tempos da Restauração. E com isso realizou um verdadeiro mergulho na alma humana. Dizia que, no fundo, Paris se movia por uma busca desenfreada por “ouro e prazer”; “a luta de todos contra todos sob a amável hipocrisia dos salões, o choque feroz de instintos insaciáveis”.

Era uma sociedade transformada inexoravelmente pela revolução de 1789. Em 30 anos vivera uma revolução sangrenta, uma república, um império e a restauração de uma monarquia saudosista e ineficiente. Era um novo mundo. Uma classe média ascendente e uma burguesia definitivamente influente transitavam entre velhos aristocratas falidos e novos-ricos em busca de nobreza. Esta tensão se transportava para o Bois de Bologna, as Tulherias, o hipódromo, a ópera, os salões majestosos dos palacetes de Saint-Germain de Près. Uma Paris deslumbrante, onde “dândis” impecavelmente cafajestes contracenavam com condessas de pele alva e olhos mediterrâneos.

Balzac foi o cronista desta sociedade em transe. Descreveu as paixões desenfreadas, os brutais jogos de interesses e “a busca de ouro e prazer”. Ilusões que nasciam e se perdiam num mundo contraditório, que redundava em fortuna para poucos e sofrimento e frustrações para quase todos. Assim pensava Honoré de Balzac.

CLIQUE AQUI PARA LER A PARTE 8 DESTA SÉRIE.

Maio de 68: Paris vivia outra Revolução #2

sexta-feira, 7 maio 2010

Quando decidimos dedicar um post ao movimento de maio de 68, apareceu aqui na editora uma revista PHOTO de maio de… 78.  Era uma edição especial com fotos inéditas tiradas dez anos antes por fotógrafos como Cartier-Bresson e Gilles Caron. Resolvemos então dividir essa pequena preciosidade com vocês:

Maio de 68: Paris vivia outra revolução #1

quinta-feira, 6 maio 2010

A agitação começou em 2 de maio de 1968. Quatro dias depois, no dia 6, 13 mil estudantes bateram de frente com a polícia. A partir daí, Paris virou um campo de batalha entre jovens que protestavam e policiais que tentava reprimir a massa. Foi um combate que teve a participação de intelectuais como Jean-Paul Sartre (na foto abaixo, entregando jornais durante as agitações) e que culminou numa greve geral com a participação de milhões de europeus. 

© Bruno Barbey / Magnum Photos

O movimento que durou menos de um mês foi suficiente para eternizar o Maio de 68. Desde então, tornou-se impossível, por exemplo, escrever sobre a história de Paris sem tocar nesse episódio. A seguir, trechos de dois livros publicados pela L&PM Editores que falam sobre o assunto:
 

 Paris: uma história, de Yvan Combeau – L&PM POCKET ENCYCLOPAEDIA
Em 1968, da Rue Gay-Lussac ao Odéon, da Sorbonne aos Champs-Élysée, os dias do mês de maio apresentaram uma agitação bastante parisiense. Após um primeiro ato nos edifícios da recém-fundada Universidade de Nanterre, o movimento dos estudantes transcorreu (dia e noite) nas ruas, nos bulevares e nos teatros da capital. 

 
Paris – Biografia de uma cidade, de Colin Jones – L&PM EDITORES
“Esses acontecimentos começaram como um protesto contra as condições de superlotação e empobrecimento das universidades, mas acabaram se tornando um esforço de estudantes rebeldes de reviverem a tradição de militância nas ruas da Esquerda do século XIX. Durante várias semanas, revoltas e barricadas novamente tornaram-se característica principal da vida urbana parisiense, e o Quartier Latin transformou-se num campo de batalha entre estudantes arremessadores de pedras e policiais repressores de rebeliões. Os eventos de Maio de 68 também providenciaram um fórum para questionamentos fundamentais dos valores da sociedade capitalista e de seu consumismo emergente.