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Sem santinho e sem carro de som…

terça-feira, 6 novembro 2012

Ivan Pinheiro Machado direto de Nova York

Zero pichações, nenhum santinho sendo distribuído, nem faixas, cartazes, outdoors, muito menos horário político. É assim em Nova York, onde você só percebe que a maior democracia do mundo vai eleger o homem mais poderoso do planeta pelo noticiário dos jornais e TVs. Nem é feriado. Todo mundo tem que trabalhar. Vai votar quem quer. Pelas pesquisas, o jogo está empatado. Ontem à noite, o Gallup dava vantagem de 1 ponto para o candidato republicano, mas existe a famosa margem de 2% de erro para mais ou para menos. A imprensa liberal, tipo New York Times diz que Obama vence. A imprensa de direita tipo Fox News e New York Post diz que Romney já ganhou. Vamos ver nos próximos dias. Porque por aqui o voto é contado um por um. A democracia americana não adotou ainda o milagre das urnas eletrônicas…

Finalizando, passei o dia inteiro na rua, entre o Central Park e o Chinatown a procura de uma imagem para ilustrar esta nota sobre as eleições. Em Times Square, tinha gente distribuindo folhetos de bares, compra de ouro, tours turísticos etc. Mas santinho dos candidatos, nem pensar. A única propaganda eleitoral que eu vi foi na TV. E, obviamente, paga. O que se percebe aparentemente é uma falta de interesse. Mas pensando bem, se justifica. O sistema democrático é tão consolidado por aqui que o presidente, por maior que seja, vai ser sempre bem menor do que a instituição.

Feira do Livro de Frankfurt começa amanhã

terça-feira, 9 outubro 2012

Ao entrar no site oficial da Feira do Livro de Frankfurt, o convite é irresistível:

De 10 a 14 de outubro, não há nenhum outro lugar que você poderia estar, além de aqui com a gente. Como a maior do mundo, sendo uma lendária feira do livro, Frankfurt é sempre emocionante, inovadora e muito, muito colorida. Este ano, mais uma vez, são esperados mais de 7.000 expositores internacionais, diversos grupos de  novos clientes e mais de 3.200 eventos. Entre suas muitas atividades, a Academia de Frankfurt oferecerá quatro conferências internacionais para ajudar os editores a encontrar seu caminho no mundo digital, bem como um evento de dois dias, o StoryDrive, com o objetivo de destacar o potencial de cooperação crossmedia. O restante da programação da Academia também merece um olhar atento, pois dá espaço para assistência a editores iniciantes, às novas tecnologias em sala de aula e marketing para os editores. Nós prometemos muito – e nós cumprimos a promessa.

Os editores Ivan Pinheiro Machado e Janine Mogendorff já estão em Frankfurt e, durante os quatro dias da Feira, vão participar de encontros e reuniões para trazer ótimas novidades literárias para a L&PM Editores. É aguardar para festejar.

A partir de amanhã, os livros vão colorir Frankfurt

Só os tiras não dizem adeus…

terça-feira, 2 outubro 2012

Por Ivan Pinheiro Machado*

Quero relembrar um livro extraordinário, “O longo adeus” de Raymond Chandler, um clássico da chamada “literatura noir”, um gênero tradicionalmente americano e concebido por escritores admiráveis que acabaram colocando o romance policial – outrora considerado um subgênero – dentro da grande literatura. Philip Marlowe, o fascinante detetive de Chandler, figurou em oito romances como protagonista de tramas complicadas, numa época difícil, nos Estados Unidos em pleno período pós-recessão. Um país marcado por incertezas e por uma legião de losers andando pelas ruas em busca de um meio para sobreviver. Philip Marlowe, como o detetive Sam Spade, de Dashiell Hammett, é fruto desse país em crise, onde a construção da futura maior nação capitalista do mundo convivia com hordas de desempregados e aventureiros lutando pela vida. São homens da cidade, habituados a tensões e violência. Seus clientes seguidamente frequentam o mesmo círculo social, e sua atuação nada tem de “genial” no que diz respeito à sagacidade e à técnica investigativa. Marlowe é um cara durão. Aliás, essa tradução de tough guy é um achado dos primeiros tradutores de Chandler, Hammett e seus companheiros da literatura noir. E tornou-se comum a todos os romances, sendo quase uma marca registrada do gênero. Os “durões” aguentavam porrada, metiam-se em toda a sorte de confusões, mas, no fundo, eram uns sentimentais. O belo “O longo adeus” é um clássico sobre a amizade. A curiosa relação entre Marlowe e Terry Lennox, um homem enigmático, sempre envolvido em enrascadas. É um livro que trata também da solidão. Os personagens se aproximam, mas sempre se separam, se afastam. A imagem que fica é como um quadro de Edward Hopper; angústia, imobilidade e solidão. Philip Marlowe é um homem duro, mas sensível. Ele sabe que vai terminar sozinho. É dura a vida de detetive particular. É complicada a vida com as mulheres e os improváveis amigos sempre vão embora. Como está dito no final de “O longo adeus”, – sem dúvida a obra-prima de Chandlder – “só os tiras não dizem adeus”. Eles estão sempre no seu pé. Tiras não gostam de detetives particulares.

"Nighhawks" (Falcões da noite), de Edward Hopper

* Toda semana, a Série “Relembrando um grande livro” traz um texto assinado em que grandes livros são (re)lembrados. Livros imperdíveis e inesquecíveis.

“Uma história do mundo”: um livro que faz você se apaixonar pela História

quarta-feira, 26 setembro 2012

Por Ivan Pinheiro Machado*

Está chegando nas livrarias um grande livro: Uma história do mundo de David Coimbra. Trata-se de um projeto que poderá ter muitos volumes, mas este primeiro pretende contar para o leitor como foi que chegamos ao que somos – se é que me entedem… Explicando: David quer mostrar como aconteceu a civilização, a primeira cidade, a monogamia (!!!), como o homem civilizado chegou a um Deus único e, consequentemente, como nasceu a culpa. Com absoluto domínio do tema, o autor, dono de um texto reconhecidamente impecável, percorre os séculos numa narrativa sempre bem-humorada.

Em Uma história do mundo o leitor vai se divertir com esta jornada impressionante do ser humano rumo à civilização. Dos solteiros Neandertais a Freud, passando por Angelina Jolie, Moisés, Abraão, Alexandre Magno e Sodoma & Gomorra, o leitor terá um instigante panorama sobre a constituição da humanidade. E vai saborear a história de um outro ângulo, até então imperceptível nas visões acadêmicas e sisudas que normalmente tratam do tema. Começando com os primeiros vestígios de vida humana na terra  e viajando entre os patriarcas hebreus e os povos do Oriente Médio, o autor dá um salto no tempo para Napoleão e os grandes arquélogos da História – passando com engenhosidade e um toque de humor por Homero, Megan Fox e Dilma Rousseff, entre centenas de outros grandes personagens – retornando para o antigo Egito, onde grande parte da consciência do homem foi urdida.

A capa de "Uma história do mundo"

Atraente e vibrante como um romance, ele aborda a história de forma absolutamente precisa, entregando ao leitor a História como ela é, com “H” maiúsculo, buscada nas fontes mais confiáveis e universalmente aceitas.  Do mesmo autor de Jogo de Damas, Canibais – paixão e morte na rua do Arvoredo, Um trem para Suíça, Pistoleiros também mandam flores, entre outros sucessos.

*Ivan Pinheiro Machado é editor da L&PM Editores

Quadrinhos podem ajudar vestibulandos a conhecer clássicos da literatura

segunda-feira, 27 agosto 2012

Uma das dicas mais recorrentes para se sair bem no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), nos vestibulares e nas redações é ler bastante. Alguns estudantes, entretanto, não cultivam este hábito. Os dados da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” mostra que o número de leitores recuou: em 2007, eram 95,6 milhões de leitores, mas, em 2011, houve recuo para 88,2 milhões.

Apesar do recuo, os dados mostram que 48% dos estudantes são leitores. Já quando pesquisamos o ensino médio, 30% dos alunos destas séries têm o hábito de ler. Estes, portanto, costumam ter uma vantagem em relação aos vestibulandos que correm dos livros. Para quem não curte muito os clássicos da literatura podem encontrar nos quadrinhos bons aliados.

A L&PM Editores está lançando alguns clássicos da literatura mundial com adaptação para os quadrinhos.

- Não é uma concorrência com o mercado editorial dos livros. Os quadrinhos são uma maneira lúdica de o professor chegar ao coração do aluno. A partir daí, esse leitor pode buscar a versão original ou até mesmo outros livros, como acontece muitas vezes, ou seja, os quadrinhos podem apresentar o universo da leitura – comenta Ivan Pinheiro Machado, editor da L&PM Editores.

A L&PM passou a investir na adaptação de clássicos para quadrinhos quando percebeu que esse esse tipo de leitura já não era mais rejeitado pelo Ministério da Educação (MEC) que, inclusive, já faz compras dos livros, assim como algumas secretarias de educação estaduais, para abastecer bibliotecas.

- Até o fim da década de 90, o MEC não aceitava bem adaptação de obras e histórias em quadrinhos. A medida que este conceito foi mudando, percebemos que este era um bom mercado. Fizemos uma longa pesquisa e recebemos o apoio da UNESCO, o que mostra que mantivemos a ideia central do autor, ou seja, que fomo fieis ao tema da obra. Aproveitamos que já sabíamos fazer histórias em quadrinhos, já que a empresa nasceu editando quadrinhos – revela.

Para o editor da L&PM Editores, um dos pontos fortes é a forma lúdica de apresentar a história.

- Justamente por apresentar a história de uma maneira lúdica, o quadrinho acaba criando uma ponte entre o mundo real e o virtual, cada vez mais presente na realidade dos adolescentes e jovens. Dessa maneira, é possível fazer uma ligação entre grandes autores e um público que talvez estivesse afastado deles.

"Odisseia" é um dos títulos da Série Clássicos da Literatura em Quadrinhos da L&PM

Trecho de matéria originalmente publicada no Jornal Extra online, editoria Vida de Calouro, em 27 de agosto de 2012.

A longa estrada de Jack Kerouac

segunda-feira, 30 julho 2012

Por André Bernardo*

Jack Kerouac foi o primeiro a reconhecer que seu livro, o semiautobiográfico On the Road, daria um ótimo filme. Tanto que, em 1957, escreveu uma carta para Marlon Brando, propondo a ele que comprasse os direitos de adaptação para o cinema. E mais: sugeria também que Brando interpretasse Dean Moriarty e ele, Sal Paradise. “Vamos lá, Marlon, arregace as mangas e responda”, instigava. Em vão. Kerouac morreu em 1969, sem ter recebido uma resposta sequer do ator. Dez anos depois, em 1979, Francis Ford Coppola comprou os direitos da obra. De lá para cá, vários cineastas, como Jean-Luc Godard, Joel Schumacher e Gus Van Sant, se revezaram na direção, mas o projeto nunca vingou. Tudo começou a mudar em 2004, quando Coppola assistiu a Diários de Motocicleta no Festival de Sundance e resolveu convidar Walter Salles para adaptar a obra-prima de Kerouac. “Li On the Road pela primeira vez quando tinha 18 anos e lembro que ele me marcou profundamente. É um livro que fala da necessidade de explorar o mundo e viver a vida à flor da pele. Quando rodei Diários de Motocicleta, tornei a lê-lo porque queria estar impregnado daquela ânsia por liberdade. A cada nova leitura, eu tinha uma reação diferente”, descreve Walter Salles, que levou seis anos para pesquisar o filme e 69 dias para rodá-lo.

Walter Salles durante as filmagens de Na Estrada

On the Road narra a busca por liberdade e a quebra de tabus. Embora tudo parecesse bem, nada estava realmente bem nos EUA do pós-guerra”, sintetiza o cineasta, que convidou os ainda pouco conhecidos atores Sam Riley e Garrett Hedlund para interpretarem os papéis de Sal Paradise e Dean Moriarty, os dois jovens amigos que, movidos a sexo, drogas e jazz, resolvem desbravar os EUA, de Costa a Costa.

MITO LITERÁRIO OU IMPULSO CRIATIVO?

Nos seis anos que levou para pesquisar sobre o filme, Walter Salles refez – “umas cinco vezes”, calcula o diretor – o trajeto que Sal e Dean percorrem no livro; conheceu pessoalmente contemporâneos de Kerouac, como o escritor Lawrence Ferlinghetti, hoje com 93 anos; e viu de perto o manuscrito de On the Road, um “pergaminho” de 37 metros de comprimento e cerca de 175 mil palavras.

Biógrafo de Jack Kerouac – King of the Beats, o inglês Barry Miles confirma a lenda de que a primeira versão de On the Road teria sido escrita em inacreditáveis 20 dias: de 2 a 22 de abril de 1951. “Para realizar essa façanha, Kerouac contou com a ajuda extra de algumas doses de benzedrina e café. Para não perder tempo colocando folhas de papel na máquina de escrever, redigiu o livro num enorme pergaminho feito de papel de teletipo”, afirma Miles.

Sim, a primeira versão de On the Road levou apenas três semanas para ser escrita. Mas, até a obra ser publicada, em 5 de setembro de 1957, Kerouac teve que reescrevê-lo algumas vezes. O livro é quase que um diário de bordo dos sete anos em que Kerouac e Neal Cassady passaram na estrada, vivendo de carona e sem destino certo. Em On the Road, Kerouac e Cassady foram rebatizados de Sal e Dean. Outras figuras importantes do movimento beat, como o poeta Allen Ginsberg e o romancista William Burroughs, ganharam os nomes de Carlo Marx e Old Bull Lee. Em Na Estrada, de Walter Salles, o autor de Uivo foi interpretado por Tom Sturridge e o de Almoço Nu, por Viggo Mortensen. Já LuAnne Henderson, mulher de Neal Cassidy, foi vivida pela atriz Kristen Stewart, mais famosa pelo papel de Bella na saga Crepúsculo.

CLÁSSICOS DA GERAÇÃO BEATNIK

No Brasil, On the Road foi publicado, pela primeira vez, ainda na década de 80, com tradução de Eduardo Bueno. E logo cativou uma legião de admiradores, como o músico Jorge Mautner, o poeta Paulo Leminski, entre outros intelectuais de vanguarda.

Atualmente, a L&PM publica 18 títulos de Kerouac, como Cidade Pequena, Cidade GrandeOs SubterrâneosOs Vagabundos IluminadosViajante Solitário, entre outros. Além de outros clássicos da geração beat, como Uivo, de Ginsberg, e Um Parque de Diversões da Cabeça, de Ferlinghetti.

Só On the Road, calcula Ivan Pinheiro Machado, editor da L&PM, já vendeu mais de 100 mil exemplares. “Kerouac passou uns 20 anos no limbo, sem procura e sem repercussão. Foi revivido pela coleção L&PM Pocket em 2004 e, aos poucos, tornou-se um dos livros mais lidos entre os 1.100 títulos da coleção”, orgulha-se Ivan.

Por aqui, um dos maiores “beatnólogos” que existem é o jornalista Roberto Muggiati. Autor de Blues – Da Lama à Fama, Improvisando SoluçõesNew Jazz – De Volta para o Futuro, ele leu On the Road em 1958, um ano depois de sua publicação.

No dia 5 de dezembro de 1959, Muggiati publicou um artigo intitulado Jack Kerouac e as Crianças do Bop no suplemento dominical do Jornal do Brasil e enviou uma cópia para o então agente de Kerouac, Sterling Lord. Três semanas depois, Muggiati recebeu um postal datilografado e assinado à mão pelo próprio Kerouac. Nele, o autor de On the Road dizia: “Eu lhe asseguro que a geração beat é um movimento honesto e, se a crítica é ‘Para onde vocês estão indo?’, a resposta é ‘Chegaremos lá’”. “Neal Cassady morreu em 1968, aos 42 anos, e Kerouac em 1969, aos 47. No caso deles, o que contou foi a intensidade, não a longevidade”, sublinha Muggiati.

Para o editor da L&PM, Ivan Pinheiro Manchado, não é difícil explicar o motivo do sucesso editorial de On the Road. “O livro de Kerouac reflete uma realidade que é o contraponto ao ‘american way of life’. Foi o primeiro de uma série de grandes livros que contestaram a sociedade americana pós-guerra e iniciaram uma nova estética transgressora. Transgressão, aliás, é uma boa palavra para definir o que foi o movimento beat”, opina Ivan. Walter Salles concorda. “De vez em quando, algumas pessoas me perguntam: mas, por que o movimento beat acabou? Nessas horas, só tenho a responder que o movimento beat não acabou; ele apenas se transformou em outra coisa. Não teria existido Bob Dylan se ele não tivesse lido On the Road, colocado a mochila nas costas e ido até Nova Iorque. Até hoje, ele seria apenas o Robert Allen Zimmerman”, reflete.

UMA VIAGEM QUE RESISTE AO TEMPO

Bob Dylan não foi o único. Johnny Depp é outro notório admirador de Kerouac. Em 1991, o astro desembolsou US$ 50 mil para comprar alguns itens do espólio do escritor, como uma capa de chuva, uma mala de viagem e um cheque sem fundos, entre outros itens. Dez anos depois, o famoso manuscrito de On the Road foi arrematado, em um leilão na Christie’s de Nova Iorque, por US$ 2,4 milhões. Curiosamente, quando morreu, em 21 de outubro de 1969, vítima de cirrose hepática, Kerouac tinha apenas US$ 19 em sua conta bancária. Mas o autor estava longe de ser uma unanimidade. Dos que atacavam seu estilo verborrágico de escrever, Truman Capote, de A Sangue Frio, foi um dos mais ácidos: “Isso não é literatura, é datilografia!”. Mas, e se Kerouac não tivesse sucumbido à bebida? Como estaria hoje, aos 90 anos, o ídolo da geração beat? Bem, para começo de conversa, Kerouac, provavelmente, detestaria a alcunha de “o ídolo da geração beat”. “O que sabemos é que ele não aceitava, no fim da vida, o rótulo de grande revolucionário”, pondera Ivan. Barry Miles confessa que se surpreendeu com o que descobriu sobre seu biografado. Ao longo dos anos, Kerouac criticou o movimento hippie, apoiou a Guerra do Vietnã e só votou em candidatos republicanos. “Acho que Kerouac odiaria o mundo de hoje”, opina Miles. Já Walter Salles pensa diferente. Ele pode até não saber ao certo como estaria hoje Kerouac, mas, a exemplo de alguns de seus contemporâneos, como Ferlinghetti e Gary Snyder, desconfia que o escritor continuaria “jovem de espírito”. “A coisa mais bacana de fazer o filme foi conhecer as pessoas de 80 anos mais jovens que já conheci na vida”, explica o cineasta.

*Matéria publicada no portal Saraiva Conteúdo em 15 de julho de 2012.

Morre o grande Carlos Fuentes, autor da obra-prima “Aura”

quarta-feira, 16 maio 2012

Morreu ontem, aos 83 anos, Carlos Fuentes, um dos maiores e mais influentes escritores latinoamericanos do século XX. É autor – entre dezenas de romances, novelas, livros de contos, ensaios, peças de teatro e roteiros cinematográficos – de A região mais transparente (1958), Aura (1962), A Morte de Artemio Cruz (1962), Terra Nostra (1975) e Gringo Viejo (1985). Filho de pais mexicanos, nasceu no Panamá em 1928. Dono de um estilo muito refinado e de um enorme talento, soube como poucos retratar a atmosfera onírica e trágica do seu México. Com o colombiano Gabriel García Marquez, o chileno José Donoso, o peruano Vargas Llosa, o paraguaio Roa Bastos, o argentino Julio Cortázar, os uruguaios Onetti e Benedetti, o guatemalteco Miguel Ángel Asturias, entre outros, formou a “geração de ouro” que criou a alma e a personalidade da poderosa literatura latinoamericana que invadiu o mundo inteiro nas últimas décadas do século XX e produziu 4 prêmios Nobel: Miguel Ángel Asturias, Pablo Neruda, Gabriel García Marquez e Vargas Llosa.

A L&PM publicou um dos seus mais impressionantes trabalhos que, por acaso, é uma pequena novela de 80 páginas, Aura. Poucos textos da literatura latinoamericana têm a beleza e a expressividade desta narrativa em que o o autor utiliza seus imensos recursos para construir uma ficção que intriga, deslumbra e, por fim, surpreende como poucas histórias conseguem surpreender. Uma verdadeira obra prima que a L&PM publica desde a década de 1980 numa magnífica tradução da poeta Olga Savary (atualmente é publicada na Coleção L&PM Pocket).

Para nós, fica a melancolia de ver esta luminosa geração ir se apagando aos poucos. Como consolo, resta o sortilégio da literatura, o raro espaço real onde o imaginário que estes homens e mulheres criaram faz com que se eternizem nos corações e mentes da nossa e de futuras gerações. (Ivan Pinheiro Machado)

Uma mineral com gás para Moebius

segunda-feira, 12 março 2012

Por Ivan Pinheiro Machado*

O Maxim’s era um restaurante que causava furor no Rio de Janeiro. Plantado no alto da torre do Rio Sul em Botafogo, aliava à lenda parisiense uma vista paradisíaca. Era difícil conseguir reserva no Maxim’s. Como seu homônimo francês, era o preferido dos ricos e famosos. Jean Giraud, dito Moebius estava sentado diante de mim e do adido cultural francês. Eu estava um pouco nervoso. O consulado da França no Rio havia transmitido um convite a mim, pois Moebius gostaria de almoçar com seu editor brasileiro. Estava no Rio como convidado e estrela da Bienal de Quadrinhos que realizava-se na Fundição Progresso na Lapa. Nos encontramos pontualmente às 13h. Era primavera de 1991 e a L&PM Editores havia publicado em sua saudosa coleção de álbuns de quadrinhos dois clássicos seus, “Major fatal” (1988) e “O Homem é bom?” (1984).

Os títulos de Moebius publicados pela L&PM Editores

Moebius estava além do seu tempo. Seus personagens intrigantes erravam por paisagens estranhas, planetas, cidades futuristas e desertos improváveis. Publicamos na década de 80 do século passado as histórias que nos fascinaram nos nossos vinte anos. Vários episódios de “A Garagem Hermética de Jerry Cornelius” estavam impressos em “Major fatal”. Delirantemente fantásticas, suas histórias fizeram com que eu imaginasse que iria encontrar um personagem inquieto, falador, messiânico. Quando fui apresentado a ele pelo adido, o que vi foi um homem discreto, com um ar clássico de intelectual francês. Estava curioso para saber o que editávamos (naquele tempo não tinha internet, Google, estas coisas que acabaram com os mistérios). Lembro que me achou muito jovem para ser um editor e ficou impressionado por editarmos “Valentina” de Guido Crepax e “Corto Maltese” de Hugo Pratt. Estava fascinado com a beleza  do Rio de Janeiro, cuja baía da Guanabara se descortinava aos nossos pés sob um sol feérico. A vista que os janelões do Maxim’s nos proporcionavam era verdadeiramente deslumbrante. Enfim, rapidamente fiquei à vontade diante daquele homem modesto, simpático e introvertido. Guardo daquele agradável encontro de almoço a imagem dos seus óculos redondos e do seu pedido de “uma água mineral com gás” como bebida. Nem parecia o super star dos quadrinhos; o genial inspirador de Ridley Scott em “Alien” e “Blade Runner”, o colaborador da lendária revista “Metal Hurlant”, aquele que era considerado um dos maiores e mais premiados desenhistas do mundo.

No sábado, 10 de janeiro, ele morreu aos 73 anos. Ao saber da notícia abri meu velho exemplar da “Garagem Hermética”. Fiquei imaginando o silencioso Moebius flutuando nos seus mundos pós-galáticos e fui invadido por uma sincera melancolia ao perceber o vazio real que fica quando um grande criador se vai.

*Ivan Pinheiro Machado é editor

A editora das mulheres

quinta-feira, 8 março 2012

Para quem não sabe, a L&PM Editores é a editora das mulheres. Elas estão por tudo. Dominam a produção, a divulgação e a venda. Influem nos lançamentos, na escolha editorial, na escolha dos fornecedores, nas estratégias, enfim, as mulheres são importantes em todos os passos dados pela editora. Em cada livro que você tem em mãos com o selo da L&PM pode ter certeza de que 90% do esforço total que o produziu, veio das mulheres. Então, eu quero homenagear as mulheres da L&PM. Convencionou-se estabelecer o Dias das Mulheres, que é hoje. Para nós este dia é apenas honorífico. Aqui na editora as mulheres nos dominam (os poucos homens que aqui trabalham) 365 dias por ano (em 2012, 366 dias). E graças a elas a L&PM tornou-se a importante editora que é. (Ivan P. M.)

As mulheres da L&PM fotografadas no Dia Internacional da Mulher de 2012 (parte delas, já que algumas estão em São Paulo) / Foto: Ivan Pinheiro Machado

Um chope + um livro = dois chopes

quarta-feira, 7 março 2012

Se você for a até a nossa WebTV verá um belo vídeo produzido aqui na casa sobre o lançamento da  “Coleção 64 páginas”. A ideia é passar para os nossos leitores que esta nova série é muito, mas muuuuuuito barata, considerando que é uma escolha editorial de primeiríssima qualidade e os livros têm um acabamento industrial quase de luxo.

Se você paga 6 reais, 7 reais ou, na melhor das hipóteses, 5 reais (me avisem onde) pelo fugaz prazer de um bom chope, imagine pagar os mesmos 5 reais por um livro do seu autor predileto. Nada contra o chope. Nós queremos apenas destacar o fato extraordinário de que você encontra, no País do Livro Caro, um magnífico livro por… 5 reais! Não é ponta de estoque, encalhe, promoção caça níquel. Não. Com o know how, o pioneirismo e a experiência de 15 anos no ramo do livro barato, a L&PM Editores tem inovado sempre quando se trata de livro de bolso. São mais de 1.000 títulos que formam a maior coleção de livros de bolso do Brasil. Portanto, temos autoridade para propor novos e diferenciados produtos visando a satisfação do nosso leitor. Pois foi o leitor, e ninguém mais, que viabilizou esta aventura maravilhosa que é a coleção L&PM POCKET com mais de 20 milhões de livros vendidos na última década.

Para viabilizar este novo e importante projeto, criamos um procedimento industrial que possibilita um custo gráfico excelente, além do fato de serem livros de 64 páginas. São novelas curtas, ensaios, seleção de contos, antologias de poemas de alguns dos grandes autores nacionais e estrangeiros, clássicos e modernos. De Conan Doyle à Bukowski, passando por Tolstói, Tchékhov, Kerouac, Poe, Fernando Pessoa, Mauricio de Sousa e muitos outros, você vai sentir de forma concreta o prazer de ler. Mais do que uma degustação, você terá a plena condição de conhecer obras importantes que fatalmente vão conduzi-lo a vôos mais longos, livros mais alentados que você vai encontrar na própria coleção L&PM POCKET.

Os doze primeiros títulos da “Coleção 64 páginas” já estão a disposição do público em algumas grandes cidades. Mas a partir de 12 de março estará nas melhores casas do ramo e nos milhares expositores da coleção L&PM POCKET por este Brasil a fora. (Ivan Pinheiro Machado).

Os primeiros 12 títulos da "Coleção 64 Páginas"