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Novo livro de David Coimbra na coluna de Juremir Machado da Silva

quinta-feira, 18 outubro 2012

Quarta-feira, 17 de outubro, publicamos aqui neste blog uma crônica de Martha Medeiros em que ela revela suas impressões sobre Uma história do mundo, novo livro de David Coimbra. No mesmo dia, o jornalista e escritor Juremir Machado da Silva comentou sobre a mesma obra em sua coluna diária do Jornal Correio do Povo de Porto Alegre. Vale a pena ler as impressões de Juremir sobre o livro de David:

David Coimbra, o egípcio

Por Juremir Machado da Silva* 

Na época da faculdade de jornalismo, quando morava no IAPI e pegava o T1 depois da aula, quando não ia se esbaldar no bar do Maza até encher o latão de cerveja, o David Coimbra já adorava história. Creio que já naquele tempo ele lia Will Durant, historiador americano que sabia tudo dos bastidores da vida das grandes personalidades históricas. David sempre teve um fraco pela história da antiguidade. Nunca tirou o olho da Cleópatra. Tenho a impressão de que só a rainha vadia podia concorrer com a Rosane Aubin pelo coração do David naqueles trepidantes dias de 1980 a 1984. Era certo que David acabaria por escrever livros unindo as suas paixões: literatura, história, crônica e jornalismo. É o que se vê em “Uma história do mundo – como se formou a primeira cidade, como nasceu o primeiro deus único, como foi inventada a culpa”(L&PM).

David, o egípcio, é o nosso Will Durant. Como uma vantagem: escreve muito melhor.

A ambição é a mesma. A história do mundo do David terá muitos volumes (a de Will Durant tem 23). Li os originais do primeiro tomo dessa enciclopédia em tom jocoso do David. É sensacional. Agora, relendo o texto publicado, renovei o meu encantamento. Como não se maravilhar com capítulos que começam assim? “Foi no Egito que Napoleão descobriu que era um marido traído?” Napoleão, o corno. Sobre a evolução tecnológica: “Olhe para você. Veja no que você se transformou. Você passa a noite ressonando em cima de uma colchão macio como as canelas da Scarlett Johansson e debaixo de cobertores quentes como o olhar da Megan Fox”. Nessa balada de cronista, David dribla a chatice da história positivista e o cientificismo da história estruturalista e conta a vida dos nossos antepassados ilustres ou não. Tudo tem uma explicação: “O governo centralizado e forte era tão importante no Egito que o faraó foi promovido de rei a deus. Essas coisas não acontecem por acaso.   As instituições só funcionam quando as pessoas precisam”. 

Pode-se aprender na sacanagem. David sempre encontra um jeitinho para empurrar a coisa (opa!) suavemente: “Dilma Rousseff, Margaret Thatcher, Evita Perón e todas as mulheres que um dia assumiram o poder máximo em seus países jamais conseguiram se igualar às façanhas da Primeira Grande Mulher da História. Maatkare Hatshepsut fez mais do que suplantar o poder dos homens quinze séculos antes de Cristo e 3,5 mil anos antes de Angela Merkel. Hatshepsut suplantou o próprio sexo”. Como? Aí é que a porca torce o rabo (certamente David explicará a origem dessa expressão nalgum dos seus volumes).

É ler.

David Coimbra trabalhou muito, durante quatro anos, leu incansavelmente, de Heródoto a Freud. De Heródoto, aliás, pescou relatos impagáveis: “No Egito, as mulheres vão ao mercado e negociam, enquanto os homens, encerrados em casa, trabalham no tear (…) As mulheres urinam em pé; os homens, de cócoras”. Se fosse resumir o livro de David a partir do clássico título de Paul Veyne, eu diria apenas: “Como se (re)escreve a história”.

Com talento!

Aquelas viagens no T1 só poderiam levar a algum lugar.

*Pela L&PM Editores, Juremir Machado da Silva publica História regional da infâmia e lançará, na Feira do Livro de Porto Alegre, o livro A orquídea e o serial killer. O texto acima foi publicado originalmente em sua coluna na pg. 2 do Jornal Correio do Povo de 17 de outubro de 2012.

Em seu livro, David Coimbra conta até a história de como surgiram as sílabas

Na crônica de Martha Medeiros, o novo livro de David Coimbra

quarta-feira, 17 outubro 2012

Simples

Martha Medeiros*

“Afugento qualquer pretensão filosófica que dificulte o trato com as coisas simples.” Quando li essa frase de Nélida Piñon, tive vontade de ampliá-la, imprimi-la e pendurá-la na parede, só não o fiz porque não seria preciso: trago esse conceito já aderido na pele e na alma.

Talvez por isso tenha gostado tanto do novo livro do David Coimbra, Uma História do Mundo, que poderia ser considerado um projeto ambicioso, não fosse o David um homem consciente do tempo em que vive: quem, hoje, consegue dedicar-se a calhamaços com milhares de páginas? A vida exige dinamismo. David conseguiu apresentar um panorama histórico desde o neandertal até o início da civilização moderna em 260 páginas. E, nessas 260 páginas, além de traduzir informações sérias para uma linguagem divertida, ele conecta passado e presente utilizando trechos de Marcel Proust, Charles Bukowski e Mario Quintana, e ainda faz graça ao explicar de onde veio o nome da banda Jethro Tull. David é pop. A história do mundo também pode ser. Como?

Simples.

A simplicidade é a principal porta de entrada para a sabedoria. Dois, três degraus, e a pessoa está dentro. Uma vez seduzida, ela então irá decidir se deseja se aprofundar no assunto, e aí, lógico, irá buscar novos acessos que a façam imergir no que lhe interessa, e a viagem se tornará ainda mais excitante e talvez ininterrupta, mas o que a faz iniciar esse percurso rumo ao conhecimento é a curiosidade, a atração e a identificação com um linguajar que estabelece uma agradável comunicação.

O professor Cláudio Moreno faz o mesmo com suas crônicas sobre a Grécia Antiga. Alain de Botton elimina ao menos seis cabeças do monstro de sete que sempre foi a filosofia. Paulo Leminsky e demais poetas da geração anos 80 demonstraram que poesia não precisava ser necessariamente chata e incompreensível. A simplicidade sempre foi um dom, apesar de levantar suspeitas. Os impressionistas (Van Gogh, Monet, Cézanne, entre outros) foram inicialmente desprezados pelos críticos da época. As primeiras exposições desses artistas que hoje são considerados gênios se deram no “Salão dos Recusados”. Os impressionistas eram assim denominados porque pintavam a impressão em detrimento do detalhe. E toda impressão pode ser rapidamente confundida com impostura.

A simplicidade concentra a verdade das coisas – não toda a verdade, mas o seu núcleo, um ponto de partida universal, de onde tudo poderá se tornar mais abrangente, grandiloquente e complexo, à escolha do freguês.

Segundo o filósofo e escritor Eduardo Gianetti, muita gente só se impressiona com o que não entende bem. Já a simplicidade é direta, translúcida e estabelece rápida conexão. Para desconsolo dos herméticos.

*Esta crônica foi publicada originalmente na pg. 2 do Jornal Zero Hora em 17 de outubro de 2012.

 

O triste fim de Edgar Allan Poe

segunda-feira, 8 outubro 2012

Edgar Allan Poe morreu em 7 de outubro de 1849. O escritor das histórias fantásticas e sombrias, dos contos extraordinários e repletos de mistérios influenciou autores como Conan Doyle, Agatha Christie, G. K. Chesterton e Jorge Luis Borges. Em sua coluna do dia 7 de outubro de 2012,  publicada no Jornal Zero Hora, o jornalista e escritor David Coimbra, autor do recém lançado Uma história do mundo, escreveu sobre o dramático fim do grande Poe:

Histórias Extraordinárias – Por David Coimbra*

Num domingo como hoje, 7 de outubro como hoje, o grande Edgar Allan Poe morreu por causa de uma eleição como a de hoje. Conta a lenda que cabos eleitorais o embriagaram e o arrastaram de uma circunscrição eleitoral a outra, a fim de que votasse várias vezes no mesmo candidato. Depois de muita bebida diferente e muito voto igual, Poe foi deixado numa rua de Baltimore. Encontraram na sarjeta no dia 4 de outubro, febril e desfalecido. Levaram-no para um hospital. Passou quatro dias delirando e morreu, miserável, aos 40 anos de idade.

Se é verdade a história dos cabos eleitorais assassinos, também é verdade que eles só conseguiram fazer isso com Poe porque Poe era um alcoólatra incurável. Bebia sem parar, embriagava-se com um único copo de vinho e, às vezes, ingeria álcool puro, tudo para escapar da melancolia. No entanto, foi a melancolia que o tornou imortal, porque só a dor torna um homem imortal. Poe casou com uma prima que tinha apenas 13 anos de idade – nos anos 30 do século 19 isso não era pedofilia. Como vivessem muito mal, sem ter dinheiro nem para comer, ela morreu de tuberculose. Para ela, Poe teceu um poema tão triste quanto terno:

Pois a lua jamais brilha sem trazer-me sonhos
Da bela Annabel Lee.
E as estrelas jamais surgem sem que eu sinta os brilhantes olhos
Da bela Annabel Lee.
E, assim, durante toda a maré noturna, deito-me ao lado
Da minha querida – minha querida –, minha vida e minha noiva
Em seu sepulcro junto ao mar,
Em sua tumba junto ao rumoroso mar.

Leia Histórias Extraordinárias, e beba um pouco da beleza sombria de Edgar Allan Poe.

* Este texto foi originalmente publicado na pg. 46 do Jornal Zero Hora de 7 de outubro de 2012, na coluna “O Código David”

A Coleção L&PM Pocket publica cinco títulos de Edgar Allan Poe.

“Uma história do mundo”: um livro que faz você se apaixonar pela História

quarta-feira, 26 setembro 2012

Por Ivan Pinheiro Machado*

Está chegando nas livrarias um grande livro: Uma história do mundo de David Coimbra. Trata-se de um projeto que poderá ter muitos volumes, mas este primeiro pretende contar para o leitor como foi que chegamos ao que somos – se é que me entedem… Explicando: David quer mostrar como aconteceu a civilização, a primeira cidade, a monogamia (!!!), como o homem civilizado chegou a um Deus único e, consequentemente, como nasceu a culpa. Com absoluto domínio do tema, o autor, dono de um texto reconhecidamente impecável, percorre os séculos numa narrativa sempre bem-humorada.

Em Uma história do mundo o leitor vai se divertir com esta jornada impressionante do ser humano rumo à civilização. Dos solteiros Neandertais a Freud, passando por Angelina Jolie, Moisés, Abraão, Alexandre Magno e Sodoma & Gomorra, o leitor terá um instigante panorama sobre a constituição da humanidade. E vai saborear a história de um outro ângulo, até então imperceptível nas visões acadêmicas e sisudas que normalmente tratam do tema. Começando com os primeiros vestígios de vida humana na terra  e viajando entre os patriarcas hebreus e os povos do Oriente Médio, o autor dá um salto no tempo para Napoleão e os grandes arquélogos da História – passando com engenhosidade e um toque de humor por Homero, Megan Fox e Dilma Rousseff, entre centenas de outros grandes personagens – retornando para o antigo Egito, onde grande parte da consciência do homem foi urdida.

A capa de "Uma história do mundo"

Atraente e vibrante como um romance, ele aborda a história de forma absolutamente precisa, entregando ao leitor a História como ela é, com “H” maiúsculo, buscada nas fontes mais confiáveis e universalmente aceitas.  Do mesmo autor de Jogo de Damas, Canibais – paixão e morte na rua do Arvoredo, Um trem para Suíça, Pistoleiros também mandam flores, entre outros sucessos.

*Ivan Pinheiro Machado é editor da L&PM Editores

Millôr no Sarau Elétrico de hoje

terça-feira, 3 abril 2012

Há mais de dez anos, toda terça-feira, em Porto Alegre, acontece o Sarau Elétrico. Apresentado pela radialista Kátia Suman e pelos escritores Luís Augusto Fischer, Cláudio Moreno e Claudia Tajes, o tradicional sarau é garantia de boas leituras e boas risadas. O tema de hoje, 3 de abril, é Millôr Fernandes e o convidado especial da noite é David Coimbra, jornalista que entrevistou Millôr em 2007 e que vai contar detalhes de seu encontro com o grande artista.

A partir das 21h30min de hoje, a L&PM WebTV trasmite o Sarau Elétrico ao vivo. Mas se você puder ir até lá prestar sua homenagem a Millôr, sarau acontece no Bar Ocidente que  fica na esquina da Rua João Telles com a Avenida Oswaldo Aranha. O ingresso custa R$ 10.

O elenco fixo do Sarau Elétrico: Luís Augusto Fischer, Kátia Suman, Claudia Tajes e Claudio Moreno

E para os que perderem o Sarau Elétrico de hoje, todo sábado às 18h, a Rádio Elétrica reprisa o áudio do encontro.

“Um trem para a Suíça” de David Coimbra: uma importante reedição

terça-feira, 27 março 2012

David Coimbra é um dos melhores textos da imprensa brasileira. Sua base é o jornal Zero Hora de Porto Alegre, mas seus livros têm amplo trânsito pelo Brasil inteiro. Inclusive seu romance histórico Canibais serviu como base para uma produção da TV Globo em 2010. Cronista, romancista, David é um estudioso de história e acaba de entregar para a L&PM seu projeto mais ambicioso: o primeiro volume de uma espécie de “história do mundo”, ainda sem título definitivo. Neste livro ele consegue juntar emoção, erudição, bom humor e muita informação. Aguardem.

Enquanto este novo livro não vem, a L&PM está reeditando seu trabalho mais recente, Um trem para a Suíça. Um delicioso conjunto de crônicas sobre o cotidiano e suas muitas viagens pelo mundo inteiro. David tem muito leitores e é consagrado no sul do país. Fica a dica de um grande escritor que o Brasil inteiro deve conhecer. (IPM)

Noite de autógrafos e de muitos encontros

quinta-feira, 8 março 2012

A noite do lançamento de 1961 – O golpe derrotado, foi um grande sucesso. Cerca de trezentas pessoas estiveram por lá para receber seu autógrafo de Flávio Tavares, jornalista que testemunhou e participou do Movimento da Legalidade junto a Leonel Brizola, então governador do Rio Grande do Sul. O livro, que conta todas as peripécias da rebelião, é um relato que resgata um importante momento histórico, ao mesmo tempo em queleva o leitor a mergulhar em uma emocionante aventura. A sessão de autógrafos foi precedida por um bate-papo com Flávio e o também jornalista e escritor David Coimbra. O ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra, o prefeito de Porto Alegre José Fortunati, além da neta de Brizola, Juliana Brizola, e o neto de Jango, Christopher Goulart, também foram prestigiar o lançamento.

Dia 20 de março tem mais: Flávio autografará seu livro na Livraria Argumento no Rio de Janeiro.

A noite abriu com um bate-papo entre Flávio Tavares e David Coimbra

Flávio contou histórias da Legalidade como a vez em que, ao telefone, ligou para o arcebispo fingindo ser o Comandante do 3º Exército, General Machado Lopes, e logo depois ligou para este mesmo general fingindo ser o arcebispo para assim marcar um encontro entre eles.

A multidão assistia atenta. Em primeiro plano, segurando alguns livros, a neta de Leonel Brizola, Juliana Brizola

Assim que o bate-papo terminou, as pessoas correram para pegar seu autógrafo

A fila ficou comprida...

E nem o prefeito José Fortunati deixou de pegar a sua dedicatória

Dicas de leitura no Dia do Repórter

quinta-feira, 16 fevereiro 2012

Além de Hunter Thompson, que já foi citado por aqui hoje, no Dia do Repórter, temos outras dicas de leituras para quem curte uma reportagem emocionante com clima de aventura. Dá só uma olhada:

1961 – O golpe derrotado, de Flávio Tavares – Testemunha e participante do Movimento da Legalidade, o jornalista Flávio Tavares escreveu este belo romance reportagem, onde a memória é o fio condutor que desnuda detalhes e revela a face oculta de tudo, com uma surpresa a cada passo. Colunista político nos anos 1960 da Última Hora, do Rio de Janeiro, Flávio foi preso e banido do Brasil pela ditadura em 1969. Á volta do exílio, trabalhou nos maiores jornais do país e publicou, antes do recém lançado “1961”, os livros Memórias do Esquecimento e o Dia em que Getúlio matou Allende.

10 dias que abalaram o mundo, de John Reed – Considerada a primeira grande reportagem moderna, este livro é uma minuciosa descrição da revolução comunista de 1917 na Rússia. Em 1914, John Reed, um norte-americano do Oregon foi para a Europa cobrir, pela Metropolitan Magazine, a Primeira Grande Guerra, recém iniciada. Ele e a esposa acabaram chegando em Moscou no auge do movimento revolucionário. Em 1981, Warren Beatty dirigiu e estrelou “Reds” como Reeds.

Um trem para a Suíça, de David Coimbra – Repórter esportivo, David Coimbra escreve no jornal com a mesma paixão que dedica a seus romances e novelas. Este livro reúnem crônicas e relatos de viagens. A Olimpíada da China e três Copas do mundo são o pano de fundo para histórias em países como Coreia, Japão, China, Malásia, África do Sul, Bolívia, Venezuela, Alemanha e Suíça. Entre as histórias/reportagens está um perigoso contato com os guerrilheiros das Farc nas selvas bolivianas.

Operação Condor: o seqüestro dos uruguaios, de Luiz Cláudio Cunha O sequestro de um casal de uruguaios, em 1978, numa ação dos órgãos de repressão do Uruguai e do Brasil, expôs as vísceras da sinistra Operação Condor à opinião pública brasileira e internacional. Alertados por um telefonema anônimo, o repórter Luiz Cláudio Cunha e o fotógrafo J.B. Scalco foram conduzidos até um apartamento em Porto Alegre, onde surpreenderam militares uruguaios e policiais brasileiros na fase final do sequestro do casal. Pela primeira vez no continente, jornalistas testemunhavam a Condor em pleno vôo.

O Smurf Repórter, de Peyo – Ok, este não é exatamente um livro sério e de reportagem como os outros que indicamos. Mas para quem quer descobrir, de forma divertida e colorida, um pouco mais sobre a vida do repórter, tá valendo. Fica a dica para as crianças. Em formato convencional e pocket.

Fila de embarque para “Um trem para a Suíça”

terça-feira, 8 novembro 2011

Já falamos (e mostramos fotos) da sessão de autógrafos de Claudia Tajes e de Martha Medeiros. Agora é a vez de David Coimbra. O escritor e editor de esportes do Jornal Zero Hora também autografou, durante horas na Feira do Livro de Porto Alegre. Além de seus fiéis leitores, David também recebeu a patrona da Feira do Livro, Jane Tutikian, que ontem, 07 de novembro, o cumprimentou pelo lançamento de “Um trem para a Suíça“. 

David Coimbra recebe o abraço de Jane Tutikian, a patrona da Feira do Livro de Porto Alegre deste ano

Muita gente embarcou nas páginas de "Um trem para a Suíça"

As viagens de David Coimbra

quarta-feira, 26 outubro 2011

“Este livro foi escrito durante dez anos e por dez países. De 2001, ano em que as Torres Gêmeas se desmancharam e o mundo mudou para sempre, até 2010, ano em que o Brasil elegeu, pela primeira vez em sua História, uma mulher presidente da República, contei o que vi e vivi em crônicas e nacos de reportagens que foram selecionadas (…). Foram textos paridos nos lugares mais diversos do planeta.” (David Coimbra no início da apresentação de seu novo livro “Um trem para a Suíça“)

Um trem para a Suíça” é, literalmente, uma viagem. Cronista consagrado, romancista, repórter, David Coimbra, através da radicalidade do texto, da entrega ao assunto, acaba por transcender a matéria jonalística para chegar à verdadeira literatura. Isto é, provoca aquilo que é mais raro na relação autor e leitor: o prazer de ler.

E é isto que nós, editora e autor, estamos entregando ao leitor com este livro cuja leitura, ao mesmo tempo em que traz toneladas de informações, é magnificamente prazerosa. Informação & emoção. Este é o binômio mágico que atrai e seduz o leitor. “Um trem para a Suíça” leva aos confins da Ásia, onde você vai se divertir com a narrativa sobre um bordel coreano onde estrangeiro não entra;  ao Japão, onde o autor foi testemunha de um terremoto; à Cidade Proibida na China; à África do Sul; à Tanzânia; à Venezuela do “kaiser” Chávez; à eficiência impecável alemã e seu mito de que todos falam inglês; à cidade suíça que Mark Twain chamou de a mais bonita do planeta; à Malásia e às perigosas montanhas colombianas onde, depois de mil peripécias, o repórter encontra e entrevista os guerrilheiros das FARC.

Antes das viagens, o livro abre com um conjunto de crônicas. Uma espécie de “entrada” aos relatos de viagem. São textos curtos carregados de humor, emoção e …talento. Enfim, ” Um trem para a Suíça” - como se dizia antigamente – “é diversão garantida, ou seu dinheiro de volta”.

David Coimbra e os guerrilheiros das FARC / Arquivo pessoal

O comandante guerrilheiro estava furioso. Fitou-me com os olhos em chispas, apertava o cano da metralhadora com a mão e repetia, aos gritos esganiçados:

- Espiones de la dea!

Aquilo me confundia ainda mais. Tentava raciocinar, consultava o meu arquivo mental das sutilezas da língua espanhola: o que seria “de la dea”?

(Início da crônica “Santo Olívio e a guerrilha”)

David Coimbra autografa Um trem para a Suíça no dia 07 de novembro às 18h30min na Feira do Livro de Porto Alegre.