Posts Tagged ‘série Biografias’

As origens de Balzac, o aniversariante do dia

segunda-feira, 20 maio 2013

Balzac nasceu em Tours, em 20 de maio de 1799. Nasceu provinciano da Touraine, e esse dado é essencial. Toda a sua obra traz as imagens da província francesa e dessa Touraine à qual voltará frequentemente e onde situa diversos romances: O cura de Tours, O ilustre Gaudissart, O romeiral, A mulher de trinta anos, O lírio do vale. Apreciará descrever as paisagens, o reflexo do rio, a bruma nas encostas, as florestas, os bosquetes tranquilos. Se quisermos continuar, como ele mesmo fez, a descer o rio, chegamos a Saumur, outro lugar monárquico, onde se desenrola Eungénie Grandet. A seguir, as regiões dos chouans, os partidários da realeza durante a Revolução Francesa, e, para terminar, a península de Guérande, onde ocorre o impiedoso huis clos amoroso de Béatrix.

(…)

Os pais de Balzac não parecem muito inclinados a se ocupar dos filhos no dia-a-dia. Em todo caso, resulta daí uma tenra cumplicidade, que nunca se desmentirá, entre o irmão e a irmã, ambos isolados numa família emprestada e interessada sobretudo nos ganhos. Honoré permanecerá convencido, durante sua adolescência e juventude, de que o único ser nesse mundo que o ama e o compreende é essa irmã, com quem dividiu as brincadeiras e os machucados de menino. Ela nunca cessará de defendê-lo; confiarão um ao outro os seus segredos. Em uma das suas primeiras tentativas romanescas, Sténie, ele abordará o carinho ambíguo entre um irmão e uma irmã “de leite”, a ponto de o menino sentir um ciúme violento quando ela se casa.

(Trechos de Balzac, de François Taillandier, Série Biografias L&PM Pocket)

Desenho de Honoré de Balzac feito em 1820, quando ele tinha entre 19 e 20 anos

Desenho de Honoré de Balzac feito em 1820, quando ele tinha entre 19 e 20 anos

 

As origens de Freud

segunda-feira, 6 maio 2013

Que lugar Freud ocupava no seio de sua família, que ele por sua vez perpetuará? Seu pai, Kalamon Jacob Freud – neto do rabino Efraim e filho do rabino Schlomo, morto dois meses antes do nascimento de Sigmund -, é o primogênito de uma família de comerciantes judeus, originários da Galícia Oriental. Ele pode ser considerado um homem das Luzes que permaneceu a vida inteira apegado aos valores tradicionais do judaísmo. Negociante de lãs, despreparado para a industrialização, ele não tem muito sucesso nos negócios, e em 1859 a família precisará deixar Freiberg, na Morávia (hoje Pribor, na atual República Tcheca), para instalar-se em Viena, como tantas outras famílias judias vindas da Eslovênia, Romênia, Polônia, Itália ou Hungria. Jacob tem 41 anos quando casa com Amalia Nathanson, vinte anos mais nova. É nesse contexto econômico difícil que Freud nasce, em 6 de maio de 1856, em Freiberg.

(…)

Amalia, que se tornou mãe de Sigmund aos 21 anos, também vinha de uma família judia da Galícia, anexada ao Império Austro-Húngaro. Ela passara a infância em Odessa antes de seus pais também se instalarem em Viena. Era uma jovem bonita, vivaz, inteligente, sempre decidida e que podia se mostrar tirânica, principalmente com as filhas. Quanto a seu filho mais velho, ela o chamava, mesmo em idade avançada, de Mein goldener Sigi (meu Sigi de ouro).

(…)

Não ha dúvida de que o jovem Sigmund tenha sido objeto de particular dileção por parte de sua jovem mãe – o que o dotou de uma profunda confiança em si mesmo diante da adversidade – e por parte de um pai de idade madura que, apesar das condições materiais bantante precárias, não hesitara em aconselhar ao filho que, para questões de orientação profissional, levasse em conta apenas suas próprias inclinações.

(Trechos de Freud, de René Major e Chantal Talagrand – Série Biografias L&PM)

O pequeno Sigmund e seu pai, Jacob Freud

O pequeno Sigmund e seu pai, Jacob Freud

A grande família Freud. Sigmund ao fundo, de pé, olhando para a câmera, atrás da cadeira de sua mãe, Amalia – Clique para ampliar

A intimidade de Billie Holiday

quinta-feira, 11 abril 2013

Esta é a musa do jazz Billie Holiday fritando um bife ao lado de seu cão Mister na cozinha do apartamento onde morou no Harlem, em Nova York, em 1949. O “flagra” é do fotógrafo americano Herman Leonard.

A intimidade de uma das maiores vozes do jazz de todos os tempos está no livro Billie Holiday da Série Biografias.

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via Pinterest

Quadrinhos L&PM com 20% de desconto em Belém

quinta-feira, 28 março 2013

Atenção, fãs de quadrinhos que moram em Belém! Todas as HQs da L&PM estão com 20% de desconto na FoxVídeo (Tv. Dr. Moraes, 584) até o dia 7 de abril. Aproveitem!

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Depois dos quadrinhos, é a vez da Série Biografias (8 a 21 de abril) e da Série Encyclopaedia (22 de abril a 5 de maio) ganhar 20% de desconto. Fiquem ligados!

O adeus a Beethoven

terça-feira, 26 março 2013

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Em 26 de março de 1827, às 17h45, morria o genial Ludwig van Beethoven. Dono de uma personalidade forte e melancólica, filho de um músico alcoólatra e de uma mãe tuberculosa, cercado de irmãos ineptos, Beethoven escapou do papel de menino prodígio que o pai tentou impor-lhe na esteira de Mozart e brilhou com luz própria. Por meio de melodias surpreendentes e perturbadoras, ofereceu à humanidade ideais de liberdade. E mesmo que a surdez tenha lhe tirado dos palcos, ela não foi capaz de impedir que ele continuasse compondo. Depois de Beethoven, a história da música nunca mais foi a mesma.

Por volta das quatro da tarde, o céu escureceu e caiu uma tempestade, “uma tempestade formidável, acompanhada de granizo e de neve”, escreveu Gerhard von Breuning. Beethoven ergue a mão, cerra o punho como se quisesse desafiar o céu, conta Hüttenbrenner, enfeitando talvez a cena. E acrescenta: “Quando a mão caiu sobre o leito, os olhos estavam semi-fechados. Com a mão direita ergui sua cabeça, apoiando a esquerda sobre seu peito. Nenhum sopro saía mais dos seus lábios, o coração havia parado de bater. Fechei seus olhos, sobre os quais depus um beijo, assim como na testa, na boca, nas mãos”. (Trecho de Beethoven, de Bernard Fauconnier, Série Biografias L&PM).

Deu vontade de ouvir Beethoven? Aqui vão algumas:

O nascimento de Michelangelo

quarta-feira, 6 março 2013

“Michelangelo Buonarroti, conhecido como Michelangelo, nasce no dia 6 de março de 1475 em um cenário de lenda: um castelo em ruínas do Casentino (Toscana), encarapitado sobre uma crista rochosa recoberta de mato ralo, onde o burgo de Chiusi parece fazer parte da pedra. Abaixo, em uma garganta escura corre um fio de água, o Tibre, que segue seu curso em direção a Roma. Exatamente ao pé do castelo, o Arno, indissociável de Florença, tem sua nascente.” (Trecho inicial de Michelangelo, Série Biografias L&PM)

Escultor, pintor, arquiteto, poeta, engenheiro, Michelangelo foi descoberto aos quinze anos por Lorenzo de Medici. Passou a vida entre Florença e Roma. Trabalhou para sete papas, com os quais criou uma obra titânica, como rendeção de seu “pecado de imperfeição”. Autor de David e da Pietà, genial criador dos afrescos da Capela Sistina, Il Dinvino, como era chamado, encarna o múltiplo homem universal da Renascença italiana.

Michelangelo é um dos títulos da Série Biografias L&PM

Michelangelo é um dos títulos da Série Biografias L&PM

O escritor Stefan Zweig é o próximo nome da Série Biografias L&PM

quarta-feira, 28 novembro 2012

Stefan Zweig quando jovem

No início de 2013, a Série Biografias L&PM - a maior série de biografias do Brasil – vai lançar mais um título que conta, de forma primorosa, a vida de uma grande personalidade. E o próximo volume é sobre o aniversariante de hoje: o escritor austríaco Stefan Zweig. Leia abaixo, com exclusividade, trechos dessa biografia:

Stefan Zweig nasceu em Viena, no dia 28 de novembro de 1881. Tanto o impulso econômico como o crescimento demográfico da cidade eram extraordinários. A partir de 1857, uma das mais brilhantes manifestações do programa de reabilitação da cidade foi a demolição das antigas fortificações para dar lugar à construção da Ringstrasse (“rua do Círculo”) que, conforme seu nome indica, tinha a forma de um grande quarteirão circular.

(…)

Após o nascimento, sua avó materna, a sra. Brettauer, passara a morar com a família e, embora a mencione muito pouco, o menino era muito apegado a ela. As crises de raiva de Stefan eram notórias, e seus anos de menino devem ter sido semelhantes aos que descreveu na novela “Segredo ardente” (Brennendes Geheimnis). O personagem principal, Edgar, estava com cerca de 12 anos, “e parecia desconhecer a moderação. Ele falava de qualquer pessoa, ou de qualquer objeto, ou com entusiasmo, ou com um ódio tão violento que o rosto ficava todo contorcido, o que lhe dava um aspecto quase maldoso e assustador”.

(…)

Zweig abre o livro com o soneto “Ô Enfance, étroite prison” (“Ó Infância, estreita prisão”), no qual relembra seus choros, seus desejos, e sua louca impaciência. Ele dedicou essa obra a Ellen Key (1849-1926), uma famosa pedagoga suíça, com quem manteve uma longa correspondência. Como Friderike, sua primeira mulher, contará mais tarde, Stefan era uma criança que se revoltava com frequência, o que o marcou com uma sede insaciável de liberdade. Adulto, ele sempre teve dificuldade para usar colarinhos duros, símbolos de um controle desagradável dos pais. As tensões familiares foram reais, e deixaram nas suas reações em relação à sua mãe um certo distanciamento irônico que Zweig terá dificuldade de superar.

Quando ainda era uma criança, Zweig cresceu rodeado de governantas, mas da sua memória emergem apenas algumas impressões um pouco embaçadas, não muito felizes. Ele fala muito pouco do irmão mais velho com quem, aparentemente, não tinha interesses em comum. Alguns passeios no Prater o fizeram conhecer sua primeira decepção amorosa. Um dia, ele terá a honra de ser notado pela princesa imperial Estefânia, que parou na frente daquele menino tão bem educado, e tão bem vestido, e conversou com ele durante alguns instantes.

"Brasil, um país do futuro" na Coleção L&PM Pocket e com prefácio de Alberto Dimes

Ao visitar o Rio de Janeiro, Stefan Zweig ficou encantado com o que encontrou por aqui e escreveu o livro Brasil, um país do futuro. De enorme repercussão na época em que foi lançado, graças a este livro o Brasil ganhou internacionamente, nas décadas de 50 e 60, o “slogan” de “país do futuro”. Apaixonado, emotivo e de extrema sensibilidade, Zweig passou seus últimos anos em Petrópolis, na serra carioca. Deprimido pela guerra, pelo avanço do nazismo e da intolerância contra os judeus, principalmente na Áustria, sua terra natal, suicidou-se juntamente com sua mulher em 1941.

De Zweig, além de Brasil, um país do futuro, a Coleção L&PM Pocket publica 24 horas na vida de uma mulher e Medo e outras histórias.

A Índia de Gandhi por Eduardo Galeano

quarta-feira, 15 agosto 2012

Em 15 de agosto de 1947 a independência [da Índia] foi proclamada. Enquanto o país, tomado de um delírio de alegria, a festejava aos gritos de Mahatma Gandhi Ki jai, “vitória ao Mahatma Gandhi”, este se ausentava. “Agora que temos a independência, parece que estamos desiludidos. Eu pelo menos estou”.

(Trecho da biografia de Mahatma Gandhi na Coleção L&PM Pocket)

Quem relembra este episódio é Eduardo Galeano em seu novo livro Os filhos dos dias:

(clique na imagem para ampliar e ler melhor)

As bodas de Marilyn Monroe e Arthur Miller

sexta-feira, 29 junho 2012

No dia 29 de junho, cerca de sessenta jornalistas são, pois, “convidados” a ir à casa de [Arthur] Miller em Connecticut. Enquanto o casal almoça em segredo não longe do local, na verdade são mais de quatrocentos que desembarcam na propriedade familiar. No começo da tarde, ao seguir de perto a atriz e o escritor, uma correspondente de Paris Match foi morta por um automóvel. Seu sangue espirrou no suéter amarelo de Marilyn que, alguns minutos depois, com grande esforço de sedativos teve de enfrentar a imprensa. Nessa mesma noite, Miller e ela são casados por um juiz.

A imprensa faz de tudo por uma boa foto ou uma informação exclusiva, ainda que banal, sobre um dos casais mais famosos da época. Cada passo de Marilyn Monroe e Arthur Miller naquele 29 de junho de 1956 foi registrado pelas câmeras, flashes e canetas a postos. Afinal, aquele era o dia em que a maior diva do cinema iria se casar com um dos dramaturgos de maior renome da época.

Mas nem tudo são flores nesta história. Dias antes, Marilyn ficou sabendo pelo rádio (!) que seria pedida em casamento e isso a deixou furiosa! Aconteceu assim: Arthur Miller pleiteava um passaporte para a Inglaterra a fim de acompanhar a atriz nas gravações de “O príncipe encantado”, mas a Comissão de Atividades Antiamericanas descobriu que ele participara, anos antes, de reuniões comunistas. Ao ser questionado: “Por que o senhor quer um passaporte?” ele responde “Para ir a Inglaterra com a mulher com quem eu vou me casar”. A informação passa imediatamente às manchetes e se espalha num piscar de olhos.

Consternada, furiosa mesmo, Marilyn sabe pelo rádio que vai se tornar mrs. Arthur Miller sem que ele tenha formalmente feito o pedido. Como se seu consentimento fosse evidente. Foi pega de surpresa. (…) Às pressas, pede socorro aos assessores habituais e convoca os jornalistas à tarde para uma pequena coletiva na porta de casa. Dessa vez remodelada e preparada para o jogo, uma Marilyn toda sorrisos, cheia de segurança e jovialidade, confirma para uma plateia de repórteres a eminência de seu casamento com Arthur Miller. (…) O anúncio oficial da união da bomba sexual e do intelectual engajado alimenta a crônica internacional.

Para saber mais sobre a vida de um dos maiores mitos da história do cinema, leia Marilyn Monroe da Série Biografias L&PM.

A vertigem de Michelangelo

segunda-feira, 25 junho 2012

Michelangelo e o aprendiz encarregado do gesso galgam a escada de plataformas que conduz à “ponte”, vinte metros acima. O menino coloca o emboço, depois estende o carvão sobre o teto. Com o punção, depois com o carvão, Michelangelo traça os contornos como onze anos antes, quando trabalhava com seu mestre Ghirlandaio nos afrescos de Santa Maria Novella. Enquanto espera que as cores sejam moídas embaixo, ele olha fixamente o labirinto, a seus pés, e suas pernas vacilam… Como confessará por diversas vezes em suas Cartas, Michelangelo sente uma vertigem. Contudo, o labirinto da Sistina o fascina. É um dos locais sagrados da cristandade, os peregrinos devem percorrê-lo de joelhos para a própria edificação e penitência… Sim, mas como alcançar o quadrado sagrado que segue os seis círculos consecutivos (como os seis dias da Criação) do trajeto a descobrir, sem saltar nele? Para alcançar a espiritualidade é preciso saltar de um espaço para outro, reflete Michelangelo, como fez Platão, do sensível ao inteligível. Mas quem pode dar conta desse salto? Ele se sente sugado para o vazio e se mantém erguido com dificuldade… Reunindo toda a sua energia, o “Divino” está de pé, agarrando sem delicadeza o pincel que lhe estende o ajudante. Começa a pintar com a cabeça inclinada, a pintura escorrendo sobre seu rosto, sobre a barba apontada para o teto a menos de trinta centímetros da abóboda, o gesso entrando pelos olhos. Ele só descerá do andaime à noite, extenuado, e despertará sobressaltado para vestir às pressas suas camisas de lã na luz fraca de uma vela e voltar para a “ponte” glacial de madrugada.

(Trecho de Michelangelo, Série Biografias L&PM)

Clique aqui e assista vídeo sobre a Série Biografias na L&PM WebTV