Posts Tagged ‘Pablo Neruda’

Divulgadas as primeiras conclusões sobre a exumação de Pablo Neruda

quinta-feira, 2 maio 2013

neruda_foto

Nesta quinta-feira, 2 de maio, foram divulgados as primeiras conclusões a respeito dos exames que estãos sendo feitos nos restos mortais do poeta Pablo Neruda, que morreu em 11 de setembro de 1973.

A decisão de exumar Neruda foi tomada desde que um assessor do poeta passou a defender que ele recebeu uma injeção letal por ordem do ditador – e presidente do Chile na época – Augusto Pinochet.

Mas conforme fontes ligadas ao processo, os primeiros exames concluíram que o escritor sofria mesmo de um câncer de próstata avançado e metastático que, na época, foi divulgado como a causa do falecimento de Neruda.

A Coleção L&PM Pocket tem uma série inteira dedicada a Pablo Neruda.

Exumação de restos mortais de Neruda deverá acontecer em abril

terça-feira, 5 março 2013

neruda_perfilHá quem desconfie que o grande poeta chileno Pablo Neruda não morreu em decorrência de um câncer de próstata como conta a história oficial. Prêmio Nobel de Literatura em 1971, Neruda era filiado ao Partido Comunista Chileno e morreu 12 dias após o golpe militar que colocou o general Augusto Pinochet no poder. Em 2011, o partido do poeta, decidiu investigar a possibilidade de assassinato, depois que o ex-motorista de Neruda anunciou que o poeta havia morrido com uma injeção letal por ordem dos militares. O juiz Mario Carroza, que é responsável pelo caso, deve anunciar a data da exumação no dia 8 de março. Ela provavelmente vai acontecer em abril.

A Fundação Pablo Neruda se colocou à disposição para colaborar com a pesquisa de Carroza e informou confiar que a perícia será conduzida com o maior respeito e cuidado possível.

O corpo de Neruda está enterrado ao lado de sua terceira mulher, Matilde Urrutia, no pátio de sua casa em Isla Negra, no litoral do Chile, a 129 quilômetros de Santiago, onde hoje é o Museu Neruda.

O mais romântico dos dias

quinta-feira, 14 fevereiro 2013

14 de fevereiro é Dia de São Valentim, dia internacional do amor, dia dos namorados em grande parte do mundo ocidental. A origem da data tem diferentes versões. Foi o dia da morte de São Valentim, o santo casamenteiro que apaixonou-se pela filha cega do carcereiro. Também o dia em que, na Roma antiga, se festejava a fertilidade numa comemoração chamada Lupercália. E, para completar, na Idade Média, 14 de fevereiro marcava o início do acasalamento dos pássaros. O que leva a crer que não pode haver dia mais romântico do que esse. 

E mesmo que, no Brasil, o Dia dos Namorados seja comemorado em 12 de junho, não há motivo para não se festejar também o Valentin’s Day. Afinal, amar nunca é demais. 

Abaixo, algumas sugestões de livros que combinam com esse dia:

Há história mais romântica do que a de Romeu e Julieta?

Sonetos para serem lidos a dois

"Kama" também significa "amor" em sânscrito

Uma história de amor vivida na Paris de 1968

A história de amor adolescente criada por Roberto Freire

Uma linda história de amor entre duas mulheres

Escritores que assinam embaixo

sexta-feira, 17 agosto 2012

Quem não sonha em ter uma primeira edição assinada de próprio punho por um escritor famoso? Mesmo que algumas dessas assinaturas sejam praticamente ilegíveis, elas são pra lá de especiais, você não concorda? Veja aqui algumas delas e tente reconhecer os nomes (todos eles publicados pela L&PM). Caso tenha alguma dúvida, a resposta está no final do post.

Na ordem: James Joyce, Charles Bukowski, Arthur Conan Doyle, Edgar Allan Poe, Francis Scott Fitzgerald, J. D. Salinger, Jorge Luis Borges, Leon Tolstói, Mark Twain, Oscar Wilde, Pablo Neruda, Rainer Maria Rilke.

O dia que Galeano visitou Neruda

quinta-feira, 12 julho 2012

Fui a Isla Negra, à casa que foi, que é, de Pablo Neruda.

Era proibido entrar. Uma cerca de madeira rodeava a casa. Lá as pessoas tinham gravado seus recados para o poeta. Não tinham deixado nenhum pedacinho de madeira descoberta. Todos falavam com ele como se  estivesse vivo. Com lápis ou pontas de pregos, cada um tinha encontrado sua maneira de dizer-lhe: obrigado.

Eu também encontrei, sem palavras, a minha maneira. E entrei sem entrar. E em silêncio ficamos conversando vinhos, o poeta e eu, caladamente falando de mares e amares e de alguma poção infalível contra a calvície. Compartilhamos camarões ao pil-pil e uma prodigiosa torta de jaibas e outras dessas maravilhas que alegram a alma e a pança, que são, como ele sabe muito bem, dois nomes para a mesma coisa.

Várias vezes erguemos taças de bom vinho, e um vento salgado golpeava nossas caras, e tudo foi uma cerimônia de maldição da ditadura, aquela lança negra cravada em seu torço, aquela puta dor enorme, e foi também uma cerimônia de celebração da vida, bela e efêmera como os altares de flores e os amores passageiros.

(Trecho de O livro dos abraços, de Eduardo Galeano, que escolhemos para homenagear Pablo Neruda no dia de seu aniversário. O poeta nasceu em 12 de julho de 1904)

O “vinho” antes do vinho

quarta-feira, 27 junho 2012

No princípio era o verbo. E o nome do vinho precedeu a cultura da vinha. A pré-história do vinho remonta a vários milênios antes do início da era cristã, com o Soma, bebida sacrificial fermentada da Índia védica, que além de uma mistura mágica era um deus poderoso. Essa “poção da imortalidade” não era um vinho de uvas, mas o suco de uma planta sacrificial (ao que tudo indica, a Asclepias acida) que provavelmente tinha propriedades psicotrópicas ou psicodélicas. E o licor do Soma tinha o nome de Vena. Do Vena (amado, em sânscrito) se originaram  os nomes que designam o vinho em quase todas as línguas e povos da Europa: é o caso do russo (vino), do grego (woinos, depois oinos), do latim (vinum), do italiano e do espanhol (vino), do português (vinho), do alemão (wein), do inglês (wine) e do francês (vin). De origem mítica, de essência mística, de natureza santificada, de consumo francês, europeu e mundial, o vinho sempre foi uma bebida civilizatória. O vinho é muito mais do que “vinho”: é um patrimônio da humanidade. (Introdução do livro Vinho, de Jean-François Gautier, Série Encyclopaedia)

Vinho combina com um bom livro. E, como mostram as fotos abaixo, também com bons escritores:

O poeta português Fernando Pessoa em uma adega

Pablo Neruda e Vinicius de Moraes entre garrafas de vinho

Charles Bukowski bem agarrado em uma garrafa de vinho

Jardim de inverno

quarta-feira, 20 junho 2012

Chega o inverno. Um esplêndido ditado
dão-me as lentas folhas
vestidas de silêncio e de amarelo.
Sou um livro de neve,
uma larga mão, uma pradaria,
um círculo que espera,
que assim pertenço à terra e a seu inverno.

Cresceu o rumor do mundo na folhagem,
ardeu depois o trigo constelado
por flores rubras como queimaduras,
logo chegou o outono estabelecendo
a escritura de vinho:
e tudo passou, foi céu passageiro
a taça do estio,
e se apagou a nuvem navegante.

Eu esperei no balcão, tão enlutado
como ontem nas heras da minha infância,
que a terra estendera
suas asas no meu amor desabitado.

Eu soube que a rosa feneceria
e este caroço do transitório pêssego
voltaria para dormir, germinar:
e me embebedei com a taça do ar
até que todo o mar se fez noturno
e o amanhecer foi convertido em cinza.

Vive a terra agora
tranquilizando o seu interrogatório,
estendida a pele do seu silêncio.
Volto a ser agora
o taciturno que chegou de longe
envolto em chuva fria e pelos sinos:
devo para a pura morte da terra
a intenção das minhas germinações.

Pablo Neruda em Jardim de Inverno (edição bilíngue), Coleção L&PM Pocket

Morre o grande Carlos Fuentes, autor da obra-prima “Aura”

quarta-feira, 16 maio 2012

Morreu ontem, aos 83 anos, Carlos Fuentes, um dos maiores e mais influentes escritores latinoamericanos do século XX. É autor – entre dezenas de romances, novelas, livros de contos, ensaios, peças de teatro e roteiros cinematográficos – de A região mais transparente (1958), Aura (1962), A Morte de Artemio Cruz (1962), Terra Nostra (1975) e Gringo Viejo (1985). Filho de pais mexicanos, nasceu no Panamá em 1928. Dono de um estilo muito refinado e de um enorme talento, soube como poucos retratar a atmosfera onírica e trágica do seu México. Com o colombiano Gabriel García Marquez, o chileno José Donoso, o peruano Vargas Llosa, o paraguaio Roa Bastos, o argentino Julio Cortázar, os uruguaios Onetti e Benedetti, o guatemalteco Miguel Ángel Asturias, entre outros, formou a “geração de ouro” que criou a alma e a personalidade da poderosa literatura latinoamericana que invadiu o mundo inteiro nas últimas décadas do século XX e produziu 4 prêmios Nobel: Miguel Ángel Asturias, Pablo Neruda, Gabriel García Marquez e Vargas Llosa.

A L&PM publicou um dos seus mais impressionantes trabalhos que, por acaso, é uma pequena novela de 80 páginas, Aura. Poucos textos da literatura latinoamericana têm a beleza e a expressividade desta narrativa em que o o autor utiliza seus imensos recursos para construir uma ficção que intriga, deslumbra e, por fim, surpreende como poucas histórias conseguem surpreender. Uma verdadeira obra prima que a L&PM publica desde a década de 1980 numa magnífica tradução da poeta Olga Savary (atualmente é publicada na Coleção L&PM Pocket).

Para nós, fica a melancolia de ver esta luminosa geração ir se apagando aos poucos. Como consolo, resta o sortilégio da literatura, o raro espaço real onde o imaginário que estes homens e mulheres criaram faz com que se eternizem nos corações e mentes da nossa e de futuras gerações. (Ivan Pinheiro Machado)

sábado, 31 dezembro 2011

Desventuras do mês de janeiro quando
o indiferente
meio-dia estabelece sua equação no céu,
um ouro duro como o vinho de uma taça repleta
satura a terra até seus limites azuis.

Desventuras deste tempo semelhantes a uvas
pequenas que agruparam verde amargo,
confusas, escondidas lágrimas dos dias,
até que a intempérie publicou seus cachos.

Sim, germes, dores, tudo o que palpita
aterrado, à luz crepitante de janeiro,
madurará, arderá como arderam os frutos.

Divididos serão os pesares: a alma
dará um golpe de vento, e a morada
ficará limpa como o pão novo na mesa.

(De Pablo Neruda em Cem Sonetos de Amor - tradução de Carlos Nejar)

De que morreu Pablo Neruda?

sexta-feira, 23 setembro 2011

Jornal da época noticia a morte de Pablo Neruda

Em 23 de setembro de 1973, há exatos 38 anos, Pablo Neruda morria aos 69 anos. Em seu livro Paula, Isabel Allende defende que o grande poeta teria morrido de “tristeza”, poucos dias depois do golpe militar de Augusto Pinochet ter derrubado o governo de Salvador Allende. Mesmo assim (e mesmo ele estando doente), há os que acreditam que Neruda teria sido assassinado pela ditadura de Pinochet. Essa teoria ganhou força em junho de 2011, quando o Ministério Público chileno incluiu seu nome em uma lista de 726 pedidos de investigação sobre mortes em circunstância duvidosas. O resultado das investigações que estão em andamento promete ajudar a reescrever a história recente do Chile, marcada por uma das ditaduras mais violentas que a América Latina testemunhou.

Pablo Neruda é considerado um dos mais importantes poetas de língua espanhola do século 20 e durante as eleições presidenciais chilenas nos anos 70, desistiu de sua candidatura para que Salvador Allende vencesse. No livro Últimos poemas (O mar e os sinos), a voz de Neruda se levanta pela última vez, cheia de nostalgia e melancolia, mas ao mesmo tempo reafirmando a fé na palavra. Este livro derradeiro foi concluído em seu leito de morte e sua primeira edição saiu pela L&PM Editores em 1983. Atualmente, o livro em edição bilingue faz parte da coleção pocket.

Perdão se pelos meus olhos não chegou
mais claridade que a espuma marinha,
perdão porque meu espaço
se estende sem amparo
e não termina:
- monótono é meu canto,
minha palavra é um pássaro sombrio,
fauna de pedra e mar, o desconsolo
de um planeta invernal, incorruptível.
Perdão por esta sucessão de água,
da rocha, a espuma, o delírio da maré
- assim é minha solidão –
saltos bruscos de sal contra os muros
de meu ser secreto, de tal maneira
que eu sou uma parte do inverno,
da mesma extensão que se repete
de sino em sino em tantas ondas
e de um silêncio como cabeleira,
silêncio de alga, canto submergido.

(Versos de “Últimos poemas”, de Pablo Neruda)