Posts Tagged ‘Oscar Wilde’

Encontrada carta em que Oscar Wilde dá conselhos a um aspirante a escritor

terça-feira, 2 abril 2013

Uma carta nunca antes revelada, escrita pelo irlandês Oscar Wilde (1854-1900), foi descoberta em uma caixa empoeirada na parte de trás de um velho guarda-roupas, na Inglaterra.

O documento tem 13 páginas e não está datado, mas estima-se que tenha sido escrito por volta de 1890, quando Wilde estava se tornando um dos dramaturgos mais famosos de Londres.

Dirigida a um aspirante a escritor não identificado - que pede conselhos de como ser bem sucedido – Wilde escreveu que “o melhor trabalho na literatura é sempre feito por aqueles que não dependem dela para ganhar o pão de cada dia”. Outro conselho do autor de O retrato de Dorian Gray é “faça algum sacrifício por sua arte e você será reembolsado…”

Duas das páginas da carta de Oscar Wilde

Duas das páginas da carta de Oscar Wilde

Junto com a carta foi encontrado o primeiro rascunho do soneto “The New Remorse” (“O novo remorso”), publicado por Oscar Wilde – sob outro título – em 1887. O esboço do poema foi escrito por Wilde para seu novo amante na época, Lord Alfred Douglas, depois de terem acabado de se conhecer em 1891.

O rascunho de "The New Remorse", escrito por Oscar Wilde

O rascunho de “The New Remorse”, escrito por Oscar Wilde

Os dois documentos pertenceram a Lawrence Hodson (1864-1933), dono de cervejaria vitoriana que recolheu cartas autografadas e manuscritos durante sua vida. Eles foram deixados de herança ​​para sua neta e encontrados por peritos na antiga propriedade da família, em Shippon, perto de Abingdon, Oxon, depois que ela faleceu em novembro passado.

Mike Heseltine, um dos leiloeiros da Bloomsbury de Londres, especializado em manuscritos, disse: “A carta é desconhecida até agora e é completamente fascinante, enquanto a primeira versão de um de seus poemas mais importantes é igualmente emocionante.”

Tanto a carta quanto o esboço do poema irão a leilão esta semana, no dia 4 de abril, junto com outras preciosidades literárias de Hodson. A estimativa é de qua carta de 13 páginas seja vendida por 12.000 libras e o poema por 7.500 libras.

Quem dá mais?

O encontro de Oscar Wilde e Walt Whitman

quarta-feira, 23 janeiro 2013

Usando um casaco de pele verde, o jovem poeta inglês Oscar Wilde  desembarcou no porto de Nova York em janeiro de 1882 para uma série de palestras. A cosmopolita NY o recebeu de braços abertos e a imprensa norteamericana celebrou sua exuberância. Na Filadélfia, sua segunda parada, ele falou que gostaria muito de conhecer o também poeta Walt Whitman. Informado disso, Whitman mandou-lhe um recado, dizendo que estaria em casa entre duas e três e meia da tarde.

Whitman vivia em Camden, em uma casa nada luxuosa, com o irmão e a cunhada. Embora ambos os escritores fossem altos, seus figurinos contrastavam bastante. No encontro, enquanto Wilde vestia, como sempre, roupas elegantes, Withman estava com uma blusa rude, feita em casa. Ao chegar, a primeira coisa que o visitante disse foi “Venho como um poeta visitando outro poeta” e, em seguida, descreveu ao anfitrião como, na infância, sua mãe lia Folhas na relva em voz alta para ele. Lisonjeado, Withman abriu uma garrafa de vinho de sabugo, feito pela cunhada, e ofereceu a Wilde. “Vou chamá-lo de Oscar”, ele disse. Depois de beberem toda a garrafa, continuaram conversando sobre poesia no escritório de Withman.

Anos mais tarde, recordando-se daquela tarde, um amigo de Wilde, conhecendo seu gosto refinado, observou que devia ter sido difícil para ele beber o vinho de sabugo. Foi quando o autor de O retrato de Dorian Gray disse: “Se fosse vinagre, eu teria bebido do mesmo jeito”.

O rude Walt Whitman e o elegante Oscar Wilde se encontraram em 1882

 Oscar Wilde é um dos títulos da Série Biografias L&PM.

Há 165 anos, nascia o pai de Drácula

quinta-feira, 8 novembro 2012

Abraham “Bram” Stoker nasceu no dia 8 de novembro de 1847 na Irlanda. Mas engana-se quem pensa que o autor de Drácula foi uma super celebridade em sua época. Na verdade, durante seus 64 anos de vida, ele ficou mais conhecido por ser o assistente pessoal do famoso ator Henry Irving e gerente de negócios do Lyceum Theatre em Londres (que pertencia a Irving). Antes de lançar Drácula, em 1897, Bram Stoker passou anos pesquisando o folclore europeu e as histórias mitológicas de vampiros. Romance epistolar, escrito de forma realista, o livro possui formato de diário com telegramas, cartas, registros de navio e recortes de jornais. Um estilo que provavelmente Stoker desenvolveu na época em que trabalhou como jornalista. Ao ser publicada, a história do Conde Drácula foi considerada um “romance de horror simples”. Que ganharia força e fortuna apenas após a morte de seu criador.

Drácula, de Bram Stoker, é um romance espetacular, uma saga vitoriana narrada com fluidez e suspense constante que mais do que uma história de terror, baseia-se no mito do amor eterno através do vampiro obcecado pela esposa, morta e reencarnada.  E por falar em esposa, vai aqui uma curiosidade: em 1878, Stoker casou-se com a bela Florence Balcome, ex-pretendente de Oscar Wilde. A moça parecia gostar mesmo de um escritor…

Um retrato da nossa alma

terça-feira, 16 outubro 2012

Por Paula Taitelbaum*

Quantos anos eu tinha? Dezessete? Dezoito? Já não tenho mais certeza… Só lembro que entrei em um sebo de Porto Alegre e comprei duas edições muito antigas, puídas, em que as palavras ainda eram escritas com “ph”, ambas assinadas por Oscar Wilde: O retrato de Dorian Gray e O fantasma de Canterwille. Era uma época em que tudo o que era usado e velho me fascinava. As roupas, os móveis, os livros. Passados mais de vinte anos, sigo sendo um pouco assim, atraída pelo que tem jeito de passado. Infelizmente, a rinite já não me faz suportar o cheiro de mofo que vem dos sebos. Mas também não é nada que um bom antialérgico não cure…

Mas voltemos ao que interessa. Cheguei em casa com meu frágil livro de páginas titubeantes e mergulhei afoita na vida do belo Dorian, do pintor Basil, do cínico Lorde Henry e de todos e de tudo que a exuberante imaginação de Oscar Wilde foi capaz de criar. E mesmo que eu não tenha percebido na época a releitura de Wilde para o mito de Fausto – que vende a alma ao diabo em troca dos prazeres do mundo – eu me vi totalmente envolvida com a história do belo Dorian em meio às intrigas da sociedade inglesa do século XIX. 

O retrato de Dorian Gray mostra como a paixão é capaz de capturar a alma e como a vaidade é responsável por criar uma  prisão. Há algo de fantástico e sobrenatural nessa história. Mas também há muito de real em sua metáfora. E diálogos primorosos que chegam a arrepiar de tão espetaculares. “Quando o homem trata a vida com arte, o cérebro é o próprio coração” diz lá pelas tantas Lorde Henry. “Eu não quero saber de nada. Gosto de escândalos dos outros, mas escândalos meus não me interessam, pois não possuem o encanto da novidade.” fala Dorian Gray quando Basil pergunta se é verdade o que andam dizendo sobre ele.

O final do livro, lindo, repleto de tensão, é um dos mais incríveis que já li. E talvez a moral que reste seja a de que, como diria o próprio Dorian Gray, “dentro de nós, todos temos o céu e o inferno.”. Já a pergunta que paira no ar é: “Se nossa alma tivesse rosto, como ele seria?”

Sempre imaginei que a beleza de Dorian Gray deveria ser como a de Lord Byron. Mas cada um que imagine seu próprio Dorian

* Toda semana, a Série “Relembrando um grande livro” traz um texto assinado em que grandes livros são (re)lembrados. Livros imperdíveis e inesquecíveis.

O nascimento de Oscar Wilde

terça-feira, 16 outubro 2012

A criança que nasceu no dia 16 de outubro de 1854 em Dublin, na Westland Row, número 21, e que o mundo logo iria conhecer como o glorioso Oscar Wilde – tanto por seu gênio literário quanto por suas aventuras mundanas – tinha inicialmente um nome com consonâncias ainda mais prestigiosas: Oscar Fingal O’Flahertie Wills Wilde. Pois foi assim que seus pais, William Robert Wilde e Jane Francesca Elgee – ambos pertencentes à antiga burguesia irlandesa protestante e fervorosos nacionalistas -, chamaram seu segundo filho, batizado com esse patrônimo pelo reverendo Ralph Wilde, seu tio paterno, em 26 de abril de 1855. De fato, tal nome de batismo traduz toda uma doutrina, enraizada num poderoso contexto histórico. Oscar, na mitologia céltica, é o filho de Ossian, rei de Morven, na Escócia; enquanto Fingal, irmão de Ossian, é um herói do folclore irlândes. (Trecho inicial de Oscar Wilde, Série Biografias L&PM)

De todos os dândis que encantaram a sofisticada sociedade londrina do final do século XIX, o mais brilhante e luminoso foi sem dúvida Oscar Wilde. Célebre, respeitado, Wilde viveu o ano de 1895 como o grande autor de O retrato de Dorian Gray (1891) e de três peças que faziam sucesso no momento: O leque de Lady Windermere, Um marido ideal e A importância de ser prudente. Neste mesmo ano, acusado de crimes de natureza sexual, foi processado pela família de Lord Alfred Douglas, um jovem aristocrata por quem se apaixonou e com quem compartilhou um excêntrico estilo de vida. Condenado, sua vida mudou radicalmente e o talentoso escritor viu-se encarcerado por dois anos com trabalhos forçados que consumiram sua saúde e fulminaram sua reputação. Na prisão, produziu, entre outros escritos, De profundis, o clássico anarquista, A alma do homem sob o socialismo e a célebre Balada do cárcere de Reading. Cumprida a pena, decidiu exilar-se em Paris em 1898 onde morreu em 30 de novembro de 1900.

Escritores que assinam embaixo

sexta-feira, 17 agosto 2012

Quem não sonha em ter uma primeira edição assinada de próprio punho por um escritor famoso? Mesmo que algumas dessas assinaturas sejam praticamente ilegíveis, elas são pra lá de especiais, você não concorda? Veja aqui algumas delas e tente reconhecer os nomes (todos eles publicados pela L&PM). Caso tenha alguma dúvida, a resposta está no final do post.

Na ordem: James Joyce, Charles Bukowski, Arthur Conan Doyle, Edgar Allan Poe, Francis Scott Fitzgerald, J. D. Salinger, Jorge Luis Borges, Leon Tolstói, Mark Twain, Oscar Wilde, Pablo Neruda, Rainer Maria Rilke.

A sofrida prisão de Oscar Wilde

quarta-feira, 30 maio 2012

Restava-lhe apenas um pouco mais de cinco anos de vida quando Wilde, aos quarenta anos, foi encarcerado, em 28 de maio de 1895, na prisão de Pentoville. Muito mais severa do que as de Holloway e Newgate, ela fora especialmente concebida para os forçados mais indisciplinados. Logo ao chegar a esse pedaço de inferno na Terra, o novo detento foi obrigado a se submeter às formalidades usuais, humilhado e como se já tivesse levado alguma advertência. Teve que se despir completamente, entregar suas roupas e objetos pessoais a um guarda e deixar-se auscultar, nu como um verme, até as partes mais íntimas de seu corpo. (…) Rasparam-lhe os cabelos, como a um vulgar galeriano, e obrigaram-no a tomar banho numa água gelada e turva. Enfim, vergonha suprema, entregaram-lhe seu medonho uniforme de prisioneiro – o famigerado pijama listrado – antes de levá-lo, com algemas nos punhos e ferros nos pés, para uma cela exígua e sem janelas onde imperava, sendo destituída de qualquer arejamento, um odor pestilento. (…) Quanto à comida, era particularmente nojenta: um mingau de aveia ralo, semelhante ao que se dava a cavalos de tração, acompanhado de um pedaço de pão preto. Esse inacreditável estado de decadência é evocado por Wilde em De profundis. (…) Nem ao menos se dignaram informá-lo da publicação em forma de livro, em 30 de maio de 1895, de sua obra A alma do homem sob o socialismo.

Trecho de Oscar Wilde, Série Biografias L&PM.

Poesia para vestir

terça-feira, 27 dezembro 2011

Em parceria com uma empresa especializada em produtos de papel, a estilista Sylvia Heisel desenvolveu um vestido que é pura poesia. Totalmente feito de papelão reaproveitado, cada parte do vestido tem gravado um trecho da obra de grandes escritores como Oscar Wilde, Virginia Woolf, Charles Dickens, Andy Warhol, Lewis Carrol, entre outros.

Conforme o uso, o papel vai se desgastando e o texto vai aparecendo. Falando assim, parece uma roupa frágil, mas a estilista garante que a peça pode até ser lavada e tem a mesma durabilidade de um vestido de tecido delicado, como a seda, por exemplo. O papel é tratado para se tornar mais resistente e não rasgar e é aquecido para ficar mais maleável, como se fosse mesmo um tecido com a textura de um couro mais fino e aveludado. Olha só o resultado:

Um brinde ao verão

quinta-feira, 22 dezembro 2011

O verão chegou. Verão que combina com viagem, que combina com férias, que combina com uma bebidinha, que combina com… escritores. E é para fazer um brinde ao verão que separamos aqui alguns autores e suas bebidas preferidas. Tim tim!

Entre as bebidas favoritas de William Faulkner estava o Mint Julep, uma mistura nada inocente de uísque e cerveja:

Charles Bukowski era amante da Boilermaker, cerveja “emparelhada” com uma dose de uísque. Funciona assim: primeiro, o cidadão bebe o uísque de um gole só. Depois, degusta sua cerveja (de preferência escura), lentamente. Mas esse é só para os fortes como o velho Buk…

William Burroughs gostava de algo mais simples: Vodka com coca-cola. Este nem precisa de receita. Basta acrescentar gelo:

F. Scott Fitzgerald e sua Zelda adoravam Gin Rickey, um coquetel que mistura gin, suco de limão e água com gás:   

A bebida de Dorothy Parker era o Whisky Sour que leva uísque, suco de limão e açúcar… Uma espécie de caipirinha inglesa.

Ernest Hemingway gostava de um bom Mojito, bebida que ele descobriu em Havana e que se prepara com rum, limão e hortelã:

E pra mostrar que a gente também lembra de quem está no hemisfério norte, onde inverno acaba de chegar, sugerimos a bebida preferida de Oscar Wilde: o poderoso Absinto.

Só não esqueça: se beber, não dirija. Aliás, fique em casa. Quem sabe lendo um bom livro…

É proibido beijar Oscar Wilde

quinta-feira, 1 dezembro 2011

Pra colocar fim à depredação do túmulo de Oscar Wilde no cemitério de Père Lachaise, em Paris, a família do escritor resolveu erguer em volta do jazigo uma parede de vidro. Na verdade, a principal preocupação era impedir que as pessoas continuassem deixando marcas de batom no túmulo. Isso mesmo: centenas de beijos deixados por fãs e admiradores do escritor ornavam o local – o que, segundo a família e amigos próximos, era uma afronta à memória do autor de O retrato de Dorian Gray.

“Oscar era muito cuidadoso com sua imagem, apresentando-se sempre bem vestido. Não acho que lhe agradaria a ideia de repousar num túmulo degradado, mesmo por beijos de batom”, disse o ator britânico Rupert Everett, famoso intérprete das obras de Wilde.

O neto do escritor, Merlin Holland, lembra outro motivo pelo qual a atitude dos visitantes não era bem vista por sua família: foi um beijo que levou Oscar Wilde para a prisão em 1895. Holland assegura que, se vivo fosse, seu avô estaria enfurecido com a situação.

O neto de Oscar Wilde discursou na inauguração das novas paredes de vidro

Antes, o jazigo era assim, "decorado" com centenas de beijos de fãs e admiradores

As placas de vidro têm dois metros de altura e  impedem totalmente o acesso ao túmulo, que ostenta uma extravagante esfinge alada, esculpida em 1912 pelo artista Jacobs Epstein especialmente para decorar o jazigo do escritor.

“Flores, não beijos de batom!”, bradou o neto, que assistiu à “cerimônia” de colocação das placas ao lado do Ministro irlandês das Artes e do Patrimônio, que também apoiou a intervenção.