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As anotações no roteiro de “On the Road”

sexta-feira, 22 junho 2012

A Revista Trois Couleurs, que foi distribuida durante o Festival de Cannes, é uma verdadeira preciosidade para os amantes dos beats. Editada pela Mk2, produtora do filme On the Road (“Sur la Route” na França e “Na Estrada” no Brasil) ela traz, em suas 240 primorosas páginas, um “quem é quem” dos personagens, uma cronologia que mostra até os antepassados de Jack Kerouac, muitas fotos, documentos, desenhos, música e detalhes sobre o filme dirigido por Walter Salles como croquis e anotações no roteiro. Nestas anotações, feitas pelo diretor, há até algumas escritas em português. “Muito bom isso vai antes da morte do pai” escreveu ele junto a uma locução em off de Sal Paradise, que aparece logo no início do roteiro.

A capa da Revista "Trois", uma preciosidade que temos aqui na editora.

Uma das anotações de Walter Salles está escrita em português - Clique sobre a imagem para ampliá-la

Mais anotações. "Excellent star" escreveu o diretor ele no roteiro de José Rivera

Mais duas páginas cheias de comentários

O roteirista portorriquenho José Rivera, que também trabalhou com Walter Salles em “Diários de Motocicleta” fez várias versões de roteiros até chegar na final. Em alguns momentos, ele optou por seguir a descrição de Jack Kerouac em On the Road – o manuscrito original. Um das primeiras cenas do filme, por exemplo, mostra o enterro do pai de Sal Paradise e a locução em off diz “Encontrei Dean pela primeira vez não muito depois que meu pai morreu…”, enquanto no livro On the road – Pé na estrada a frase é “Encontrei Dean pela primeira vez não muito depois que minha mulher e eu nos separamos”.

O filme estreia no Brasil em 13 de julho.

O misterioso “teaser poster” de On the road

quinta-feira, 19 maio 2011

Por Paula Taitelbaum

No início desta semana, blogs do mundo inteiro começaram a divulgar o cartaz abaixo como sendo o “teaser poster” de On the road, o esperado filme dirigido por Walter Salles. Diziam que ele teria sido fotografado durante o Festival de Cannes 2011. A partir daí, alguns jornais também deram a notícia, chamando para “O primeiro cartaz do filme On the road“.

Eu só vi a foto desse poster hoje. E tudo nele me pareceu muito estranho. 

O "teaser poster" que teria sido fotografado numa parede do Festival de Cannes. Clique para aumentar

Achei muito esquisito o cartaz não ter o nome da produtora do filme. Fiquei pensando que Walter Salles não é do tipo que queira se promover sozinho. Defendi aqui na editora que um “teaser poster” é algo comercial (ainda mais se estiver em Cannes) e que por isso seria sem sentido não mostrar os atores. Pra completar, fiquei com a impressão de que, além da estética não ter nada a ver com as fotos já divulgadas do filme, esse cartaz estava parecendo um trabalho de alunos de alguma faculdade de design.

Como a L&PM publica On the road, seria bom se também déssemos a notícia do “primeiro cartaz do filme” aqui no blog. Mas antes de fazer isso, resolvi verificar se ele era mesmo verdadeiro. Pra ter certeza de que se tratava (ou não) de um poster original, enviei um email para o produtor do filme, Charles Gillibert, da Produtora MK2 de Paris. O título da minha mensagem era: “teaser poster on the road? is it true?”. Coloquei a foto em anexo. A resposta de Charles veio alguns minutos depois: “Dear Paula, It is absolutely not the OTR poster even not a teaser…” (Cara Paula, não é absolutamente o cartaz de OTR nem mesmo um teaser).

Agradeci a atenção dele e fiquei pensando que alguém deve estar muito feliz a essa hora. Contente por ter criado um  cartaz que ficou famoso. Um poster que nada mais é do que… fake. Tentei achar onde a notícia começou e os primeiros blogs que divulgaram a imagem no Brasil dizem que a informação veio do site “The Play List“. Mas basta entrar lá para ver que o último post é de Outubro de 2010. 

Resumo da ópera: o cartaz acima é uma fabulação, uma brincadeira, uma invenção. Um viral que foi, rapidamente, passando de blog em blog até chegar nos jornais. Não há dúvida de que a internet facilitou a vida dos jornalistas. Mas, às vezes, tenho a impressão de que essa facilidade faz com que eles esqueçam que nem tudo o que cai na rede é… peixe. Ou verdade.