Posts Tagged ‘Millôr Fernandes’

Exposição no Rio de Janeiro reúne 500 desenhos originais de Millôr

terça-feira, 12 abril 2016

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Millôr: obra gráfica é a exposição que mostrará Millôr Fernandes com todas suas cores. A mostra que será aberta no próximo sábado, 16 de abril, às 18h no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro, é a primeira retrospectiva dedicadas aos desenhos do humorista, dramaturgo, tradutor e jornalista. Em 500 originais, os curadores Cássio Loredano, Julia Kovensky e Paulo Roberto Pires mapeiam os principais temas que estiveram presentes ao longo de 70 anos de produção de Millôr. Ao ganhar as galerias, os desenhos, feitos principalmente para serem publicados na imprensa, revelam a força e a complexidade de uma obra fundamental para a arte brasileira.

A mostra divide em cinco grandes conjuntos a obra gráfica de Millôr, dos autorretratos à crítica implacável da vida brasileira, passando pelas relações humanas, o prazer de desenhar e a imensa e importante produção do “Pif-Paf”, seção que manteve na revista O Cruzeiro entre 1945 e 1963. O acervo de Millôr, que reúne mais de seis mil desenhos e seu arquivo pessoal, está sob a guarda do Instituto Moreira Salles desde 2013.

Mais informações no site do Instituto Moreira Salles.

Algumas das imagens que estarão na exposição:

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Veja aqui as obras de Millôr publicadas pela L&PM Editores.

Um viva aos tradutores!

quarta-feira, 30 setembro 2015

Eles traduzem do inglês, francês, espanhol, alemão, italiano, polonês, norueguês, russo, holandês, chinês, grego… Estudam cada palavra, analisam cada frase, revisam cada linha. Sem os tradutores, nossas opções de leitura seriam muito mais limitadas e nossa biblioteca muito mais reduzida.

Para homenagear os tradutores no Dia Internacional da Tradução – 30 de setembro – vai aqui um texto de Millôr Fernandes que traduziu, entre outros, Shakespeare:

Le dernière translation (Homenagem à Sociedade Brasileira de Tradutores):

Quando morre um velho tradutor

Sua alma, anima, soul,

Já livre do cansativo ofício de verter

Vai direta para o céu, in cielo, to the heaven, au ciel, in caelum, zum himmel,

Ou pro inferno, Holle, dos grandes traditori?

Ou um tradutor será considerado

In the minute hierarquia do divino (himm’lisch)

Nem peixe nem água, ni poisson ni l’eau,

Neither water nor fish, nichts, assolutamente niente?

Que irá descobrir de essencial

Esse mero intermediário da semântica

Corretor da Babel universal?

A comunicação definitiva, sem palavras?

Outra vez o verbo inicial?

Saberá, enfim!, se ele fala hebraico

Ou latim?

Ou ficará infinitamente no infinito

Até ouvir a Voz, Voix, Voce, Voice, Stimme, Vox,

Do Supremo Mistério partindo do Além

Voando como um pássarobirduccelopájarovogel

Se dirigindo a ele em…

E lhe dando, afinal,

A tradução para o Amén?

(De Millôr definitivo – A bíblia do caos)

Teatro de bolso

sábado, 28 março 2015

Teatro do Absurdo, da Crueldade, de Revista, de Rua, do Oprimido, Elisabetano, Épico, Japonês, Invisível, Grego… estes são só alguns (nem a metade!) dos tipos listados no Dicionário de Teatro, de Luiz Paulo Vasconcellos (Coleção L&PM Pocket). E por falar nisso, 28 de março é o Dia Mundial do Teatro, de todos estes teatros, que em sua essência têm o mesmo objetivo: tocar o público, fazer rir ou fazer chorar.

A santíssima trindade do teatro grego – Ésquilo, Sófocles e Eurípedes – fazia o público chorar como ninguém. As tragédias escritas por eles há mais de dois mil anos como Édipo Rei, Sete contra tebas e Antígona são reencenadas ainda hoje em todo o mundo e a dramaturgia contemporânea ainda se alimenta de personagens como Édipo, Medeia, Helena de Troia, Antígona e Electra.

Cena de “Antígona”, de Sófocles.

No volume Tragédias gregas, da série Encyclopaedia, você pode conhecer em detalhes a biografia dos principais autores trágicos e o contexto de sua obra. Já se o assunto for comédia, o maior representante foi Aristófanes, autor de Lisístrata –  A greve do sexo.

Avançando mais de um milênio, em plena Londres do século 16, eram exibidas as primeiras peças de um tal William Shakespeare, que veio a se tornar um dos autores mais encenados de todos os tempos. Textos como Hamlet, MacbethSonho de uma noite de verão inspiraram adaptações, paródias e versões para cinema e TV. São cerca de 20 títulos do autor na Coleção L&PM Pocket e um volume inteiro dedicado ao dramaturgo inglês na série Ouro: Shakespeare – Obras escolhidas.

Confira a lista completa de textos teatrais publicados pela L&PM, que contém entre outros autores os brasileiros Millôr Fernandes e Martins Pena, os russos Anton Tchekhov e Máximo Gorki e o francês Molière.

Millôr onipresente na Flip

sexta-feira, 1 agosto 2014

Millôr está na Praça da Matriz de Paraty: em letras gigantes que reproduzem o modo como ele próprio desenhava seu nome.

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Millôr está na Casa de Cultura: em uma exposição que traça um paralelo entre sua vida e obra e que se divide em módulos que relembram todas as fases de seu trabalho.

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Millôr está em todas as palestras da Tenda dos Autores: no fundo do palco, em um painel que exibe seus inconfundíveis traços.

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Millôr está em todas as mãos: ao longo da Flip estão sendo oferecidas edições do Daily Millôr, um jornal diário feito exclusivamente para o evento.

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Por fim, Millôr está nas livrarias da histórica cidade: a L&PM, por exemplo, tem diferentes títulos a oferecer.

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A Flip 2014 – Festa Literária Internacional de Paraty, que homenageia Millôr Fernandes, termina no domingo, 3 de agosto. Mas seguiremos festejando o guru do Méier! :-)

 

Rei Lear em monólogo com Juca de Oliveira

quarta-feira, 16 julho 2014

Estreia nesta sexta-feira, 18 de julho, em São Paulo, “Rei Lear”, peça de Shakespeare que, pela primeira vez no Brasil, terá um único ator em cena: Juca de Oliveira.

Juca, que chegou a pensar em cancelar o projeto devido à responsabilidade de encenar sozinho (sem troca de roupas ou objetos cênicos) um texto de Shakespeare, vive seis papéis no monólogo que tem adaptação de Geraldo Carneiro.

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Publicado pela L&PM com tradução de Millôr Fernandes, O Rei Lear pode ser encontrado na Coleção Pocket, no grande livro Shakespeare – Obras escolhidas da Série Ouro e no recém lançado Shakespeare traduzido por Millôr Fernandes. A tragédia foi escrita em 1606 e começa quando Lear, o idoso rei da Bretanha, se vê obrigado a dividir seu reino. É uma peça centrada no desgaste e na decrepitude de um homem em idade avançada.

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SERVIÇO DA PEÇA

Rei Lear

Data: De 18 de julho a 12 de outubro

Horário: sex. e sáb. às 21h e dom. às 19h

Onde: Teatro Eva Herz, av. Paulista, 2073

Classificação: 14 anos

Millôr Fernandes e a arte de traduzir

terça-feira, 15 julho 2014

Sobre tradução

Por Millôr Fernandes

Passei boa parte de minha vida traduzindo furiosamente, sobretudo do inglês. Para ser mais preciso, até os vinte anos, quando traduzi um livro de Pearl Buck para a José Olympio. O livro se chamava Dragon Seed, foi publicado com o nome de “A estirpe do dragão” e, como eu não tinha contato com o editor, foi assinado pelo intermediário, o escritor Antônio Pinto Nogueira de Accioly Netto, diretor da revista O Cruzeiro, mediante 60% dos direitos.

Depois disso abandonei a profissão para nunca mais, por ser trabalho exaustivo, anônimo, mal remunerado. Só voltei à tradução em 1960, com a peça “Good People” (A fábula de Brooklyn), de Irwin Shaw, para o Teatro da Praça. Depois disso traduzi mais três ou quatro peças – entre elas “The Playboy of The Western World”, uma obra-prima, de tradução quase impossível devido à sua linguagem extremamente peculiar.

Com a experiência que tenho, hoje, em vários ramos de atividade cultural, considero a tradução a mais difícil das empreitadas intelectuais. É mais difícil mesmo do que criar originais, embora, claro, não tão importante. E tanto isso é verdade que, no que me diz respeito, continuo a achar aceitáveis alguns contos e outros trabalhos meus de vinte anos atrás; mas não teria coragem de assinar nenhuma de minhas traduções da mesma época. Só hoje sou, do ponto de vista cultural e profissional, suficientemente amadurecido para traduzir. As traduções, quase sem exceção (e não falo só do Brasil), têm tanto a ver com o original quanto uma filha tem a ver com o pai ou um filho a ver com a mãe. Lembram, no todo, de onde saíram, mas, pra começo de conversa, adquirem como que um outro sexo. No Brasil, especialmente (o problema econômico é básico), entre o ir e o vir da tradução perde-se o humor, a graça, o talento, a poesia, o pensamento, e, mais que tudo, o estilo do autor.

Fica dito – não se pode traduzir sem ter uma filosofia a respeito do assunto. Não se pode traduzir sem ter o mais absoluto respeito pelo original e, paradoxalmente, sem o atrevimento ocasional de desrespeitar a letra do original exatamente para lhe captar melhor o espírito. Não se pode traduzir sem o mais amplo conhecimento da língua traduzida mas, acima de tudo, sem o fácil domínio da língua para a qual se traduz. Não se pode traduzir sem cultura e, também, contraditoriamente, não se pode traduzir quando se é um erudito, profissional utilíssimo pelas informações que nos presta – que seria de nós sem os eruditos em Shakespeare? –, mas cuja tendência fatal é empalhar a borboleta. Não se pode traduzir sem intuição. Não se pode traduzir sem ser escritor, com estilo próprio, originalidade sua, senso profissional. Não se pode traduzir sem dignidade.

O texto acima foi retirado de uma entrevista para a revista Senhor em 1962 e está no recém lançado Shakespeare traduzido por Millôr que traz as peças “Hamlet”, “A megera domada”, “O rei Lear” e “As alegres matronas de Windsor” no mesmo volume.

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Coluna de Antonio Bivar na Revista Joyce Pascowitch traz haicais de Jack Kerouac

quinta-feira, 22 maio 2014

Este mês, a coluna “De conversa em conversa” de Antonio Bivar na glamurosa revista Joyce Pascowitch, é sobre Haicais. O destaque fica por conta dos poemas produzidos por Jack Kerouac que chegaram ao Brasil pela L&PM com tradução de Claudio Willer. Escritor, tradutor e um verdadeiro beat brasileiro, Bivar declara seu gosto pela poesia japonesa e convida os leitores a mergulharem neste maravilhoso mundo de três versos. Clique sobre as páginas para ler.

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Dois anos sem Millôr

quinta-feira, 27 março 2014

Logo ele que ria da morte, “um dia, mais dia menos dia, acaba o dia-a-dia”. Mas, em contrapartida, eu posso dizer que penso no Millôr todos os dias. Foram 37 anos de convivência, de 1974 até 2011. E vira e mexe eu me pego citando o Millôr. E assim, na prática, se vê a importância e o tamanho de Millôr Fernandes. Se admira a sua originalidade, sua genialidade, sua capacidade de verbalizar as coisas mais simples da forma mais inteligente, poética, brilhante e… simples. Hoje faz dois anos que morreu Millôr. Como não sentir falta de sua gentileza? Da sua intensa capacidade de falar coisas brilhantes, de sua enorme capacidade de calar para ouvir com profundo interesse seu interlocutor?  “Só se morre uma vez. Mas é para sempre”, ele disse. Mas o seu legado como o amigo fiel, desenhista, pintor, poeta, humorista, escritor, dramaturgo, pensador, é inesquecível. (Ivan Pinheiro Machado)

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Millôr Fernandes, Paulo Lima (o L da L&PM) e Ivan Pinheiro Machado (o PM) no início dos anos 80

“Terror cultural”: a perseguição a editores e livreiros na ditadura

terça-feira, 25 março 2014

O jornal O Globo publicou, em sua edição de sábado, dia 22 de março de 2014, uma matéria sobre a perseguição a editoras e livreiros durante a ditadura militar e cita a apreensão do livro de memórias do general Olympio Mourão Filho, editado pela L&PM e apreendido ainda na gráfica, em 1978:

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Ivan Pinheiro Machado (à esq.) e Paulo Lima, da L&PM, em 1978: livro de Mourão Filho foi apreendido na gráfica

(…)

Fundada justamente em 1974, a L&PM, sediada em Porto Alegre, estreou com um livro que já testava os limites da anunciada abertura política. Era uma coletânea de quadrinhos do personagem Rango, anti-herói miserável criado pelo cartunista Edgar Vasques que ironizava o discurso grandiloquente do “milagre brasileiro”. O livro vendeu 12 mil exemplares em poucos meses e rendeu ao editor Ivan Pinheiro Machado uma visita à delegacia para explicar as piadas com símbolos pátrios.

Assim como outras editoras perseguidas, a casa gaúcha sofria apreensões de livros e tinha crédito negado em bancos (num deles, Ivan ouviu do gerente que “o coronel ligou para cá e disse: L&PM não!”). Mas sobrevivia publicando livros de políticos da oposição, como Paulo Brossard e Pedro Simon, literatura nacional e estrangeira e antologias de humor com autores como Millôr Fernandes, Luis Fernando Verissimo, os irmãos Caruso e Angeli, entre outros. O lançamento mais conturbado foi “A verdade de um revolucionário”, livro de memórias do general Olympio Mourão Filho, um dos artífices do golpe de 1964. Morto em 1972, Mourão deixou uma obra em que dava sua versão dos eventos e criticava figuras proeminentes do regime. O livro foi apreendido ainda na gráfica, em 1978, e só foi publicado no ano seguinte, depois de uma longa disputa judicial.

— Acho que foi a última apreensão de livros da história do Brasil, até chegar o Roberto Carlos… — ironiza Ivan, relembrando o início turbulento da editora, que este ano completa 40 anos. — Éramos jovens e tínhamos um idealismo, uma revolta contra aquela situação. Lembro que o Darcy Ribeiro uma vez me disse: “Mas você é editor, numa época dessas? É por isso que o mundo vai para frente, por causa da insciência da juventude!”

Para ler a matéria na íntegra, clique na imagem abaixo para ampliar o fac-símile ou clique aqui para ler o texto na versão online.

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Millôr Fernandes será o autor homenageado da Flip em 2014

terça-feira, 12 novembro 2013

Agência Estado -Por Maria Fernanda Rodrigues

São Paulo, 11 (AE) – Apesar da campanha de pesquisadores e de leitores, não deu para Lima Barreto (1881-1922). O homenageado da Festa Literária Internacional de Paraty de 2014, marcada para o período de 30 de julho a 3 de agosto, será Millôr Fernandes (1923-2012).

É a primeira vez que os organizadores do evento escolhem um autor contemporâneo para as homenagens que se espalham por diferentes espaços da Flip – estão previstos debates e exposições. “O Brasil tem uma relação cruel com seus autores. Depois que morrem, passam 10, 20 anos numa espécie de limbo até que eles começam a ser reeditados. Eu quis dar uma resposta imediata a essa morte”, justifica Paulo Werneck, curador da Flip. Millôr, que esteve na primeira edição da festa fluminense, em 2003, quando dividiu o palco com o jornalista Ruy Castro, sofreu um acidente vascular cerebral em 2011 e morreu um ano depois, aos 88.

A ideia é explorar as múltiplas faces de Millôr, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo entre 1996 e 2000 – ele foi humorista, artista gráfico, caricaturista, cartunista, escritor, dramaturgo, jornalista. “Millôr era o mundo da Flip num homem só: traduzia Shakespeare com erudição e fazia cartum nos anos 1950, quando a forma não era reconhecida.”

Com a homenagem, novos livros devem ser lançados e edições antigas podem ganhar cara nova. A agente literária Lucia Riff, que representa a obra do autor, diz que L&PM e Nova Fronteira continuam com os direitos da obra dele, mas adianta que outras edições estão sendo preparadas por novas casas editoriais. Com a morte do escritor, seu acervo foi doado para o Instituto Moreira Salles pelo filho Ivan, e daqueles 7 mil itens pode sair muito material.

Nos planos da L&PM estão “Millôr 3 em 1″, previsto para breve com “ê, Millôr Definitivo” e “Liberdade, Liberdade”, e ainda reedições, no formato convencional, das peças já publicadas em edições de bolso.

OUTROS HOMENAGEADOS

A Flip já celebrou, de 2013 para trás, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade, Oswald de Andrade, Gilberto Freire, Manuel Bandeira, Machado de Assis, Nelson Rodrigues, Jorge Amado, Clarice Lispector, Guimarães Rosa e Vinicius de Moraes.

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Clique aqui e conheça todos os títulos de Millôr publicados pela L&PM.