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Mulherão

quarta-feira, 8 março 2017

Martha Medeiros*

Peça para um homem descrever um mulherão. Ele imediatamente vai falar no tamanho dos seios, na medida da cintura, no volume dos lábios, nas pernas, bumbum e cor dos olhos. Ou vai dizer que mulherão tem que ser loira, 1 metro e 80, siliconada, sorriso colgate. Mulherões, dentro deste conceito, não existem muitas. Agora pergunte para uma mulher o que ela considera um mulherão e você vai descobrir que tem uma em cada esquina.

Mulherão é aquela que pega dois ônibus para ir para o trabalho e mais dois para voltar, e quando chega em casa encontra um tanque lotado de roupa  e uma família morta de fome. Mulherão é aquela que vai de madrugada pra fila garantir matrícula na escola e aquela aposentada que passa horas em pé na fila do banco pra buscar uma pensão de 200 reais. Mulherão é a empresária que administra dezenas de funcionários de segunda a sexta, e uma família todos os dias da semana. Mulherão é quem volta do supermercado segurando várias sacolas depois de ter pesquisado preços e feito malabarismo com o orçamento. Mulherão é aquela que se depila, que passa cremes, que se maquia, que faz dieta, que malha, que usa salto alto, meia-calça, ajeita o cabelo e se perfuma, mesmo sem nenhum convite para ser capa de revista. Mulherão é quem leva os filhos na escola, busca os filhos na escola, leva os filhos pra natação, busca os filhos na natação, leva os filhos pra cama, conta histórias, dá um beijo e apaga a luz. Mulherão é aquela mãe de adolescente que não dorme enquanto ele não chega, e que de manhã bem cedo já está de pé, esquentando o leite.

Mulherão é quem leciona em troca de um salário mínimo, é quem faz serviços voluntários, é quem colhe uva, é quem opera pacientes, é quem lava roupa pra fora, é quem bota a mesa, cozinha o feijão e à  tarde trabalha atrás de um balcão. Mulherão é quem cria filhos sozinha, quem dá expediente de 8 horas e enfrenta menopausa, TPM e menstruação. Mulherão é quem arruma os armários, coloca flores nos vasos, fecha a cortina para o sol não desbotar os móveis, mantém a geladeira cheia e os cinzeiros vazios. Mulherão é quem sabe onde cada coisa está, o que cada filho sente e qual o melhor remédio pra azia.

Longa vida às mulheres lindas de morrer, mas mulherão é quem mata um leão por dia.

* Martha Medeiros é escritora best-seller e mulherão. O texto acima está no livro Trem-bala.

As novas viagens de Martha Medeiros

segunda-feira, 31 outubro 2016

Eu viajo para resistir à hostilidade humana, à crueza dos costumes, ao tique-taque insano dos relógios. Viajo porque sou consciente do quanto viver é difícil e porque não quero ser engolida pela descrença e pela desesperança. Viajo para celebrar a vida no que ela tem de mais sagrado: suas suti­lezas, delicadezas, ins­tantes mágicos, sintonias.” Martha Medeiros em “Um lugar na janela 2“.

Um_lugar_na_janela_2Se for para escolher entre “janela ou corredor” Martha Medeiros vai sempre preferir aquele que a deixe vislumbrar as paisagens que se descortinam à sua frente. Apaixonada por viagens, em 2012, a escritora lançou “Um lugar na janela“, livro que trazia textos sobre suas andanças por diferentes terras e culturas. Agora chega “Um lugar na janela 2″ com novas paisagens, novas aventuras, novos relatos de viagens. Londres, Tailândia e Camboja, Cascais, México, Sicília, Miami, Rio de Janeiro, Uruguai, Sul da França e Nova York são os cenários de textos inéditos, escritos especialmente para este livro que, em seu final, traz um caderno de fotos coloridas da autora.

A Revista Donna deste final de semana, suplemento do jornal Zero Hora, traz uma entrevista com Martha sobre seu novo livro. Leia abaixo:

Martha_Donna_Lugar_Janela2

Clique sobre a imagem para ampliá-la

Martha vai autografar “Um lugar na janela 2″ na Feira do Livro de Porto Alegre no dia 5 de novembro, sábado, às 17h. No Rio de Janeiro, os autógrafos vão acontecer em 26 de novembro, também um sábado, às 18h na Livraria da Travessa Ipanema.

L&PM na Bienal do Livro de Minas

terça-feira, 19 abril 2016

Topo-Bienal-Minas

Vai até domingo, 24 de abril, a Bienal do Livro de Minas em Belo Horizonte. Além de um mundo de livros, há encontros, debates e bate-papos com a participação de muitos escritores, entre eles duas autoras da L&PM: Martha Medeiros que participa de bate-papo e Graciela Mayrink que fará sessão de autógrafos.

Martha2_baixaMARTHA MEDEIROS no evento
“O amor em tempos apressados”
23 de abril às 16:30 no Pavilhão de Feiras

Martha Medeiros  e Xico Sá
- Mediação João Pombo Barile

Os relacionamentos amorosos são fontes inesgotáveis para a literatura. Sejam em crônicas, romances, poemas. Na literatura brasileira, muitos autores partem dos relacionamentos para tecer painéis bem-humorados e divertidos sobre as dificuldades e alegrias de se viver um grande amor.

Acesso: as senhas para o bate-papo serão distribuídas 1 hora antes de cada sessão, no balcão localizado em frente ao Café Literário. Será distribuída 1 (uma) senha por pessoa.

Arte_Final_Quando_o_Tempo_Sumiu.inddGRACIELA MAYRINK em sessão de autógrafos
23 de abril às 14h no estande da Livraria Leitura

Graciela autografa Quando o vento sumiulivro que publica pela L&PM.

“O caso dos dez negrinhos” por Martha Medeiros

quinta-feira, 10 março 2016

(Crônica publicada no livro Montanha Russa que acaba de chegar em uma nova e linda edição)

Se existe uma culpada pela minha quedinha por romances policiais, acuso: chama-se Agatha Christie. Foi através de seus Assassinato no Expresso OrienteCipreste triste O caso dos dez negrinhos que me rendi ao gênero e que mais tarde aprendi a gostar também de Patricia Highsmith, outra dama da literatura de suspense. Pois um amigo que mora na Alemanha e com quem troco correspondência virtual me informa que a revista Der Spiegel noticiou que os herdeiros da escritora decidiram proibir a utilização do título O caso dos dez negrinhos nas futuras reedições. Esse título é ofensivo, uma vez que negro é uma palavra pejorativa, argumentaram eles. A partir de agora o romance se chamará E não sobrou nenhum.

E não sobrou nenhum livro com o título "O caso dos dez negrinhos"

E não sobrou nenhum livro com o título “O caso dos dez negrinhos”

Com todo respeito: é levar demasiadamente a sério essa febre do politicamente correto. Se a moda pega no Brasil, alguns livros poderão sofrer rebatizados semelhantes. O Navio negreiro, de Castro Alves, e a lenda do nosso Negrinho do pastoreio poderão entrar na mira dos defensores de um vocabulário menos ultrajante e virar Navio com passageiros de cor O afro-americaninho do pastoreio. Clássicos como A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, e O mulato, de Aluísio Azevedo, com sorte, escaparão ilesos.

Esse não precisa mudar... ufa.

Esse vai escapar… ufa.

É bom lembrar que a lista de termos considerados incorretos não se restringe às classificações de raça. Notas de um velho safadode Charles Bukowski, poderá se transformar em Notas de um indivíduo de idade avançada com atenção fortemente voltada para o sexo, e a obra-prima de José Saramago, Ensaio sobre a cegueira, poderá trazer em suas novas edições o título Ensaio sobre o desprovimento de capacidade visual.

Será que o velho safado vai ter que mudar?

Será que o velho safado terá que se comportar melhor?

A gente poderia ficar aqui até amanhã se divertindo com essas traduções. Não nego (do verbo negar) que a expressão negrinho só é simpática para nominar aquele doce também conhecido como brigadeiro, pois ele tem um oponente, o branquinho, e assim ninguém se sente diminuído. Até pode ser que a troca do título de um livro ajude a melhorar as relações entre pessoas de raças diferentes, vá saber. Mas, sinceramente, acho uma forçação de barra, uma patrulha que cada vez mais nos enquadra num comportamento padronizado e  nos impede de ser politicamente alegres e sem ranço.

Simples assim: Martha Medeiros responde

quarta-feira, 2 setembro 2015

A capa do Segundo Caderno do jornal Zero Hora desta quarta-feira, 2 de setembro, é toda dedicada a escritora Martha Medeiros e a seu novo livro Simples Assim, que acaba de sair pela L&PM Editores. Na matéria, Martha responde quatro perguntas de seus leitores. Clique sobre a imagem para ler:

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Dose dupla de Martha Medeiros em São Paulo

quarta-feira, 5 novembro 2014

Autógrafos na sexta-feira, 7 de novembro:

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Sexta-feira

Evento no sábado, 8 de novembro:

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Martha Medeiros: três livros e quatro horas de autógrafos

segunda-feira, 3 novembro 2014

Martha Medeiros mais uma vez saiu da Feira do Livro de Porto Alegre com a mão dormente, a caneta gasta e um grande sorriso por receber tanto carinho. Foram quase quatro horas de dedicatórias ininterruptas e muitas fotos com seus fãs. A sessão de autógrafo de seus três livros Paixão crônica, Felicidade crônica e Liberdade crônica aconteceu na tarde de sábado, 1º de novembro, na Praça da Alfândega em Porto Alegre. Abaixo, algumas fotos:

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Muita gente ficou mais de uma hora e meia na fila, mas o pessoal não perdeu o bom humor.

As escritoras Claudia Tajes e Cíntia Moscovich foram dar um beijo na amiga escritora.

As escritoras Claudia Tajes e Cíntia Moscovich foram dar um beijo na amiga e colega.

Kledir Ramil também passou por lá.

Kledir Ramil também passou por lá.

Foram muitas as entrevistas durante a Feira do Livro.

Foram muitas as entrevistas durante a Feira do Livro.

Jota Quest lança clipe de música inspirada em texto de Martha Medeiros

quinta-feira, 23 outubro 2014

Os mineiros do grupo Jota Quest acabam de divulgar o clipe da nova música de trabalho “Dentro de um abraço” . A faixa é de autoria do vocalista Rogério Flausino e do baixista PJ, e foi inspirada pelo texto de mesmo título da escritora Martha Medeiros.

Já o vídeo foi dirigido por Mess Santos e apresenta os integrantes tocando a faixa em um galpão em meio a fotos de seus arquivos pessoais, de fãs e de momentos históricos da humanidade.

“Dentro de um abraço” integra o mais recente álbum da banda, “Funky Funky Boom Boom”, lançado em outubro do ano passado.

Dentro de um abraço é uma crônica do livro Feliz por nada.

Dentro de um abraço

Martha Medeiros

Fico pensando nos lugares paradisíacos onde já estive, e que não me custaria nada reprisar: num determinado restaurante de uma ilha grega, em diversas praias do Brasil e do mundo, na casa de bons amigos, em algum vilarejo europeu, numa estrada bela e vazia, no meio de um show espetacular, numa sala de cinema assistindo à estreia de um filme muito esperado e, principalmente, no meu quarto e na minha cama, que nenhum hotel cinco estrelas consegue superar – a intimidade da gente é irreproduzível.

Posso também listar os lugares onde não gostaria de estar: num leito de hospital, numa fila de banco, numa reunião de condomínio, presa num elevador, em meio a um trânsito congestionado, numa cadeira de dentista.

E então? Somando os prós e os contras, as boas e más opções, onde, afinal, é o melhor lugar do mundo?

Meu palpite: dentro de um abraço.

Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve.

Que lugar melhor para um recém-nascido, para um recém-chegado, para um recém-demitido, para um recém-contratado? Dentro de um abraço nenhuma situação é incer-ta, o futuro não amedronta, estacionamos confortavelmente em meio ao paraíso.

O rosto contra o peito de quem te abraça, as batidas do coração dele e as suas, o silêncio que sempre se faz durante esse envolvimento físico: nada há para se reivindicar ou agradecer, dentro de um abraço voz nenhuma se faz necessária, está tudo dito.

Que lugar no mundo é melhor para se estar? Na frente de uma lareira com um livro estupendo, em meio a um estádio lotado vendo seu time golear, num almoço em família onde todos estão se divertindo, num final de tarde à beiramar, deitado num parque olhando para o céu, na cama com a pessoa que você mais ama?

Difícil bater essa última alternativa, mas onde começa o amor, senão dentro do primeiro abraço? Alguns o consideram como algo sufocante, querem logo se desvencilhar dele. Até entendo que há momentos em que é preciso estar fora de alcance, livre de qualquer tentáculo. Esse desejo de se manter solto é legítimo, mas hoje me permita não endossar manifestações de alforria. Entrando na semana dos namorados, recomendo fazer reserva num local aconchegante e naturalmente aquecido: dentro de um abraço que te baste.

 

Martha Medeiros no Programa do Jô

quarta-feira, 17 setembro 2014

Na terça-feira, 16 de setembro, Martha Medeiros foi entrevistada por Jô Soares e falou sobre seus mais recentes lançamentos na L&PM: Paixão crônica, Felicidade crônica e Liberdade Crônica, os três livros que marcam seus 20 anos como cronista. Perdeu? Clique sobre a imagem e assista. :-)

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Martha Medeiros no Programa Roda Viva

terça-feira, 2 setembro 2014

Na segunda-feira, 01 de setembro, Martha Medeiros foi a entrevistada do Programa Roda Viva. Nesta edição, além do âncora Augusto Nunes, participaram da bancada Marina Caruso, diretora de redação da revista Marie Claire; Fernanda Pompeu, webcronista do Yahoo! Brasil e do blog Nota de Rodapé; Ivan Martins, editor-executivo e colunista da revista Época; Marcelino Freire, escritor e Mariana Kalil, editora da revista Donna, do jornal Zero Hora.

Durante uma hora e meia, Martha Medeiros respondeu às perguntas e falou sobre seus 20 anos de carreira como cronista. Se você perdeu, pode assistir aqui:

A L&PM Editores acaba de lançar três livros de Martha Medeiros: Paixão crônica, Felicidade crônica e Liberdade crônica.