Posts Tagged ‘Machado de Assis’

Originais de Machado de Assis ao seu alcance

quarta-feira, 11 janeiro 2017

Via Publishnews

A Academia Brasileira de Letras (ABL) disponibilizou essa semana para o público em geral os manuscritos originais de dois romances e um poema de seu fundador e primeiro presidente, Machado de Assis. O Arquivo Múcio Leão da ABL, dirigido pelo Acadêmico e historiador José Murilo de Carvalho, disponibilizou no site da Instituição, os documentos das obras Esaú e JacóMemorial de Aires O Almada, que antes, somente podiam ser consultados nos terminais de computadores instalados em sua sede. Os documentos mostram o processo criativo do autor, inclusive as correções nos textos, assim como mudanças dos nomes de determinados personagens. De acordo com a Chefe do Arquivo da ABL, Maria Oliveira, “a decisão de permitir o acesso aos originais, antes mesmo da conclusão do processo de migração de todo o arquivo, foi tomada a partir do grande número de usuários, provenientes de diversas partes do mundo, interessados nos manuscritos da obra de Machado de Assis que estão depositados no Arquivo Múcio Leão”.

Machado-e-seu-original

A L&PM tem uma série inteira dedicada a Machado de Assis.

A Divina Comédia da L&PM está divina

terça-feira, 5 abril 2016

A Divina Comédia, de Dante Alighieri, acaba de chegar à Coleção L&PM Pocket com tradução de Eugênio Vinci de Moraes. Para conhecer melhor essa versão da mais célebre jornada do inferno ao paraíso, leia um texto de nossa editora, Caroline Chang, seguida de uma entrevista com o tradutor.

A_divina_comedia_2016A jornada até Dante

Lá se vão quase 4 anos que escrevi a Eugenio Vinci de Moraes convidando-o a realizar uma nova tradução de A divina comédia, de Dante Alighieri. Na ocasião, eu sabia que o Eugênio – que é professor universitário de literatura e portanto não é tradutor em tempo integral – não entregaria o trabalho no prazo combinado (de vários meses), nem mesmo nos acréscimos. Mas não imaginaria que só lançaríamos sua nova tradução em prosa da obra-prima de Dante somente no outono de 2016! (Bem, isso é um pouco da beleza do ofício de editor de livros: partes e fases desse lento e minucioso processo não cessam de extrapolar o esperado e nos surpreender, numa paródia da vida.) Mas valeu por esperar. Após dezenas e dezenas de meses em que pingaram na minha caixa de e-mail cantos do inferno, então do purgatório e do paraíso, e só depois do texto todo revisado, o leitor tem em mãos uma belíssima edição, que perdurará anos a fio. Apresenta o clássico de Dante – um dos livros mais influentes de todos os tempos – belamente traduzido em prosa. Perde-se, é verdade, a rima poética do original italiano, mas ganha-se, por outro lado, a melhor compreensão da complexa jornada de sete dias do personagem Dante em busca da excelência moral e espiritual. Também facilitam a leitura: a completa, porém acessível (que equilíbrio difícil!) apresentação, que transmite ao leitor o que se sabe e o que não se sabe sobre a vida de Dante e o contexto de surgimento da obra; uma breve visão geral do universo tal como apresentado na Comédia, uma nota introdutória sobre a organização do inferno, do paraíso e do purgatório; breves resumos do enredo no início de cada canto; e curtas notas de rodapé – tudo preparado pelo Eugênio com muito, muito esmero. O mercado brasileiro já contava com 3 traduções em versos do clássico de Dante. Agora conta com a mais bem-cuidada edição em prosa desse grande épico italiano. (Caroline Chang)

A seguir, uma entrevista com o tradutor Eugênio Vinci de Moraes, doutor em Literatura Brasileira pela Universidade se São Paulo, com uma tese intitulada “A Tijuca e o Pântano. A Divina comédia na obra de Machado de Assis entre 1870 e 1881″. Eugênio é professor do Centro Universitário Uninter do Paraná e também traduziu, entre outras, A arte da guerra, de Maquiavel (L&PM Editores). Eugênio também é responsável pela ótima apresentação de A Divina Comédia, intitulada “Uma semana entre os mortos”.

L&PM: “A Divina Comédia” foi, originalmente, escrita em verso. Na sua opinião, a versão em prosa facilita a leitura dessa obra?
Eugênio: Creio que sim, pois a prosa é a forma do discurso com a qual estamos mais acostumados. Isso pode ajudar o leitor. Claro que isso vai depender da tradução e das decisões do tradutor ao fazer a versão. Além disso, algumas traduções em verso às vezes ficam mais difíceis de compreender do que os versos do original, pois são obrigadas a respeitar a métrica e as rimas no português, o que é dificílimo fazer. Por essa razão algumas vezes o texto em português fica mais difícil de compreender do que o italiano. Mas isso dependerá também do leitor. Aquele mais acostumado a ler versos, encara a leitura da Comédia com menos dificuldade.

L&PM: Como é feita essa adaptação de poesia para prosa?
Eugênio: Primeiro tive que estabelecer alguns critérios. Por exemplo, usar a ordem direta do português – sujeito, verbo, complemento e circunstância – sempre que possível. O italiano do Inferno por exemplo é muito menos rebuscado  do que transparece em algumas traduções nacionais dos séculos 19 e início do 20; por isso adotei esse critério. Estabelecidos os critérios, partia da versão em verso do italiano, sempre procurando manter a ordem das ideias e dos eventos do poema, prestando atenção nos recortes temáticos para poder, por exemplo, organizar os parágrafos, ausentes no poema. Depois, nas várias passagens problemáticas e complexas, consultava as traduções em verso. 

L&PM: Qual foi a versão original italiana que você utilizou para realizar sua tradução?
Eugênio: Foi a do Giorgio Petrocchi. É uma versão muito detalhada que este autor fez, com base nos manuscritos e códices mais conhecidos da obra. Não existe nenhum original da Comédia, ou melhor, não há nenhum manuscrito desta obra assinado por Dante. O que existem são versões que foram sendo estabelecidas no correr dos anos após a redação final do texto.

L&PM: Como é possível que um texto de 700 anos siga fascinando os leitores?
Eugênio:  Acho que a viagem pelo reino dos mortos é um tema humano que atrai muitos leitores, haja vista a febre por séries com mortos-vivos, zumbis, que vemos hoje por aí.  A Comédia é muito interessante porque o inferno, o grotesco e mesmo o fantástico são pano de fundo para a discussões humanas seminais, como a moral, a política, a religião, articuladas a reação pessoal dos personagens envolvidos em vários eventos pessoais, históricos etc.. Esses assuntos acabam circundados por uma atmosfera  trágica (caso do Inferno), dramática (caso do Purgatório) e lírica (Paraíso) que dão a eles uma força única. Agora, sinceramente, não sei o alcance desta obra em termos de recepção real, de número de leitores. Muitos conhecem a COmédia, possuem o livro até, mas quantos o leem não faço ideia.

L&PM: Consultar outras versões, mais antigas, em português facilita ou atrapalha?
Eugênio:  Ajuda. Sugiro até que o leitor leia  versão em prosa acompanhada de versões em verso. Até mesmo em italiano.  

L&PM: Célebres escritores verteram alguns cantos de Dante, como Machado de Assis e Mário de Andrade? Qual a sua opinião sobre essas traduções?
Eugênio:  Machado traduziu um canto; Mário de Andrade, não. O Mário analisou um poema de Machado (“Última jornada”) onde o modernista viu uma clara “adaptação” do canto V do Inferno. Além de Machado, Dante Milano, Henriqueta Lisboa, Augusto e Haroldo de Campos traduziram esparsamente versos do escritor florentino. As traduções dos irmãos Campos são primorosas; eu as recomendo para quem não lê em italiano (e pra quem lê também) e quer ter uma sensação mais aproximada do lirismo do texto original. A tradução do Machado também é muito boa, evita os torcicolos sintáticos que seus contemporâneos adoravam empregar nas traduções em geral. Muito boas também são as de Dante Milano e da Henriqueta Lisboa. Nenhum desses autores traduziu a obra integralmente, isso só foi feito por tradutores. 

Dom Casmurro na novela

sexta-feira, 18 dezembro 2015

Foi no capítulo de quinta-feira, 17 de dezembro, que nos surpreendemos ao ver um livro da Coleção L&PM Pocket em uma cena da novela “A Regra do Jogo”.

O personagem Rui, vivido por Bruno Mazzeo, está deitado no sofá lendo “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, quando sua mulher, Indira, chega em casa e diz que ele não está fazendo nada. Rui responde que está lendo um livro e ele mostra qual é. Assista a cena, clicando sobre a imagem:

Dom Casmurro novela

“Dom Casmurro” é leitura obrigatória para o vestibular UFRGS e UPF 2015/2016 e a edição da L&PM traz uma biografia do autor, cronologia e panorama do Rio de Janeiro por Luís Augusto Fischer. Além disso tem fixação de texto, notas e posfácio de Homero Araújo.

Tudo acaba em pizza literária

sexta-feira, 10 julho 2015

Desde 1985, 10 de julho é o Dia da Pizza em São Paulo. A data foi instituída pelo então secretário de turismo, Caio Luís de Carvalho, porque esta foi a data de encerramento de um concurso que elegeu as 10 melhores receitas de pizza mussarela e margherita da cidade. Ou seja: nesta sexta-feira, mesmo que você não seja um paulista da gema, é dia de lembrar desta companheira de todas as horas, deste que é o cardápio preferido das noites de Domingo (e de muitas outras também). O post de hoje começa e termina em pizza. Só que aqui em pizzas literárias, já que fizemos uma brincadeira com nossos escritores:

Pizzas-Literarias

Invente uma pizza literária você também!

Pesquisadores identificam Machado de Assis em foto histórica sobre abolição

terça-feira, 19 maio 2015

“Onde está Machado?”. Este é o título da matéria da Folha de S. Paulo que traz a incrível foto feita no dia 17 de maio de 1888, quatro dias depois da assinatura da Lei Áurea, e onde pesquisadores do portal Brasiliana Fotográfica identificaram a presença do escritor Machado de Assis. O título é perfeito, já que há uma multidão na imagem.

A divulgação dessa descoberta foi feita exatamente no aniversário da foto, domingo passado, em 17 de maio de 2015.

Essa fotografia mostra a missa campal celebrada em São Cristóvão, no Rio, em homenagem à abolição da escravatura e que reuniu cerca de 30 mil pessoas. A imagem foi registrada pelo fotógrafo Antonio Luiz Ferreira e pertence hoje à coleção do IMS (Instituto Moreira Salles). No canto esquerdo, está a princesa Isabel e seu marido, o conde D’Eu. Analisando a foto, os pesquisadores notaram a presença de Machado de Assis à direita, próximo ao casal real.

MACHADO ONDE

Clique sobre a imagem para ampliá-la e passear por ela em uma interação feita pela Folha de S. Paulo

A equipe da Brasiliana Fotográfica, portal que foi lançado em abril deste ano, digitalizou a fotografia em alta resolução e se dedicou a examinar os detalhes da cena. O palco em que está a princesa Isabel foi ampliado 15 vezes e isso fez com que eles notassem um homem bastante semelhante ao autor de “Dom Casmurro”. Depois disso, especialistas em Machado confirmaram se tratar mesmo dele.

MACHADO PRINCESA

Olha o Machado aqui!

Historicamente, esta descoberta é bastante importante porque, segundo Ubiratan Machado, autor de “Dicionário de Machado de Assis” e um dos principais estudiosos da documentação machadiana, a presença do escritor na missa era “fato até hoje desconhecido pelos biógrafos”.

Já Valentim Facioli, professor aposentado da USP, dono da editora Nankin e pesquisador de Machado há 50 anos, ainda está desconfiado: “Não bato o martelo de que é Machado, mas realmente parece muito com ele”.

O inglês John Gledson, outro estudioso do autor também disse que realmente se parece muito com o escritor brasileiro, mas há uma coisa que lhe intriga: “Me surpreende que ele estivesse tão perto da princesa. Ele não era exatamente membro da elite, embora já fosse famoso na época”.

O Rio de Janeiro de Machado de Assis no Facebook

quarta-feira, 30 julho 2014

Machado de Assis está no Facebook e está fazendo posts diários sobre sua vida no Rio de Janeiro. Não é ficção. É, isso sim, parte do projeto O Rio de Machado de Assis que contará com uma exposição no MAR (Museu de Arte do Rio) no mês outubro, além do lançamento de um aplicativo para celulares e tablets no qual os usuários poderão revisitar os lugares por onde passava Machado de Assis. A inspiração dos criadores veio dos aplicativos londrinos que ajudam os usuários a percorrerem os caminhos de Charles Dickens.

E por falar nisso, os livros de Machado de Assis publicados pela L&PM trazem na introdução um panorama do Rio de Janeiro na época de Machado, organizado pelo escritor Luís Augusto Fischer.

Machado de Assis no Rio de Janeiro

Machado de Assis no Rio de Janeiro

 

Sergio Faraco no Vestibular 2015 da UFRGS

segunda-feira, 31 março 2014

O livro Dançar tango em Porto Alegre, de Sergio Faraco, é uma das leituras obrigatórias do Vestibular 2015 da UFRGS. São 18 contos reunidos no volume, que faz parte da Coleção L&PM Pocket.

dancar tango em porto alegre_hd

Além da coletânea de contos de Sergio Faraco, fazem parte da lista os clássicos Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio Almeida, Esaú e Jacó, de Machado de Assis, e O guardador de rebanhos, de Alberto Caeiro/Fernando Pessoa, todos publicados na Coleção L&PM Pocket. Clique aqui e confira a lista completa de leituras obrigatórias para o Vestibular 2015 da UFRGS.

A invenção do amor por Sergius Gonzaga

segunda-feira, 12 agosto 2013

O amor na literatura é o tema do curso que será ministrado pelo professor Sergius Gonzaga ao longo do mês de agosto na Casa de Ideias, em Porto Alegre. Serão 3 encontros + uma palestra-bônus em que o professor do Instituto de Letras da UFRGS analisa textos clássicos de Goethe, Flaubert, Dostoiévski, F. Scott Fitzgerald, Machado de Assis e outros grande autores de acordo com o cronograma a seguir:

amor_sergius

(clique na imagem para ampliar)

Mais informações e inscrições pelo telefone (51) 3018 7740 ou contato@casadeideias.com

SÉRIE OURO da L&PM Editores: uma grande coleção para todos os leitores

quarta-feira, 16 janeiro 2013

A “Série Ouro” é uma grande coleção de livros em formato 23 x 16 cm, papel pólen e acabamento especial de luxo, cujos volumes têm entre 600 e 1.000 páginas. O objetivo desta série é reunir várias obras de grandes autores com amplo material de referência, como texto biográfico, bibliografia do autor e comentários críticos e históricos dos textos publicados.

Com esta coleção, a L&PM Editores disponibiliza para o público leitor as principais obras de grandes autores clássicos, modernos e também grandes autores de quadrinhos, através de edições cuidadosamente planejadas, totalmente referenciadas e com traduções de reconhecida excelência, no caso de autores estrangeiros.

Já foram lançados os seguintes livros:

WILLIAM SHAKESPEARE - OBRAS ESCOLHIDAS – “Hamlet”, “Macbeth”, “Romeu e Julieta”, “Otelo”, “A megera domada” e outros textos num total de 12 comédias, tragédias e dramas históricos. As traduções são de Millôr Fernandes e Beatriz Viégas-Faria.

LIVRO DOS POEMAS – Mais de 400 poemas de autores brasileiros e portugueses do século XIV ao século XX, organizados de forma temática pelo escritor Sergio Faraco.

MACHADO DE ASSIS – “Memórias póstumas de Brás Cubas”, Quincas Borba” e “Dom Casmurro”. Os três principais romances de Machado em edição inteiramente revista e anotada, partindo dos textos estabelecidos pela edição crítica do Instituto do Livro, estabelecida pela comissão Machado de Assis. Inclui resumo biográfico, cronologia, ensaios críticos, mapas e panorama cultural do Rio de Janeiro na época do autor.

CLÁSSICOS DO HORROR – Os mais célebres romances do gênero: “Drácula”, de Bram Stoker, “Frankenstein”, de Mary Shelley, “O médico e monstro”, de Robert Louis Stevenson.

GARFIELD – de Jim Davis. “2.582 tiras”. 624 páginas de pura diversão com um texto crítico de Hiron Goidanich (Goida), especialista em quadrinhos e fã de gatos.

PRÓXIMOS LANÇAMENTOS:

FREUD – “A interpretação dos sonhos”. Edição integral e anotada. Pela primeira vez no Brasil em tradução direta do alemão, traz notas e comentários que Freud adicionou ao longo de sua vida. A edição é coordenada por renomados psicanalistas e professores.

FREUD – “Textos sociais” – “Totem e tabu”, “Psicologia das massa e análise do eu”, “O futuro de um ilusão”, “ O mal-estar na cultura” e “O homem Moisés e a religião monoteísta”.

BALZAC – “O Pai Goriot”, “Ilusões perdidas” e “Esplendores e misérias das cortesãs”. Excelentes e modernas traduções. Edição inédita que apresenta em sequência os três romances que Balzac considerava um livro só.

MOACYR SCLIAR“O Exército de um homem só”, “A guerra no Bom Fim”, “Os deuses de Raquel”, “O ciclo das águas”, “A festa no castelo”, “Max e os felinos” e “Os Voluntários”.  Todos os romances são precedidos de ensaio crítico de Regina Zilbermann e de introdução biobibliográfica.

FERNANDO PESSOA“Cancioneiro”, “Mensagem”, Odes de Ricardo Reis”, “Poemas de Alberto Caieiro”, “Poemas de Álvaro de Campos”, “Quadras ao gosto popular”, “Poemas dramáticos”. Introduções, organização e notas de Jane Tutikian.

SHERLOCK HOLMES (CONAN DOYLE) “O vale do terror”, “O cão dos Baskerville”, “Um estudo em vermelho”, “O signo dos quatro”, “Memórias de Sherlock Holmes” e “O último adeus”. Todos os romances e os principais contos protagonizados pelo célebre Sherlock Holmes.

Depois de ser Michael Jackson, Machado de Assis vira Morgan Freeman

sexta-feira, 14 outubro 2011

Por Paula Taitelbaum*

A Caixa Econômica Federal refilmou o comercial em que Machado de Assis aparecia tão branco quanto o Michael Jackson. Mas parece que agora, talvez para evitar novos protestos, o pessoal não teve dúvida: escolheu um ator negro. Não mulato, como  Machado era de fato – filho de mãe açoriana com pai também mulato -,  mas preto mesmo, da cor do Morgan Freeman. Aliás, se o novo Machado da Caixa tivesse talento, a gente até poderia dizer que ele era uma versão brasileira do oscarizado ator norteamericano. Mas o coitado parece ter sido dublado pelo ex-presidente Lula: tem a língua presa! Alguém sabe me dizer se Machado de Assis tinha a língua presa? Sei que ele era epilético, mas nunca ouvi nada a respeito de problemas de fala.

A iniciativa da Caixa Econômica Federal de, nos seus 150 anos, fazer uma campanha publicitária embasada na  história, com certeza é elogiável. Resgatar episódios e personagens do Brasil é um gesto nobre. O problema é que, em suas produções de apelo histórico, a Caixa (na verdade, a agência de propaganda que criou os roteiros), não parece ter se preocupado muito com os detalhes. Fora o caso da cor do nosso maior escritor (branco demais, preto em exagero…), há outros deslizes que, para um espectador desavisado, acabam passando despercebidos. Mas que, na verdade, fazem toda a diferença.

Por exemplo: a data que aparece no início do comercial é “Setembro de 1908″. Basta consultar qualquer biografia básica de Machado de Assis (até a Wikipedia!) para descobrir que ele morreu em 29 de setembro daquele ano e que, no mês anterior,  já estava convalecendo em casa. Em setembro de 1908, o escritor jamais iria à Caixa fazer depósito em sua caderneta de poupança. Aliás, para que ele guardaria dinheiro se já suspeitava que iria morrer (tanto era assim que escreveu cartas de despedida aos amigos)?

Mais uma coisa: a cena que mostra ele escrevendo seu testamento também é uma falácia. A caderneta de poupança de Machado estaria na primeira versão de seu testamento, escrito em junho de 1898. E mesmo que essa cena se referisse ao seu último testamento, datado de 1906, a impressão que temos é de o episódio mostrado se passa também em 1908.

Mesmo com licenças poéticas, estes são detalhes que não deveriam e não poderiam ter passado despercebidos por uma instituição do porte e da importância da Caixa Econômica Federal. Até porque, no lugar de servir de exemplo para os alunos de nossas escolas, o banco vai acabar sendo motivo de piada dentro da sala de aula. Isso se o pessoal perceber os erros, é claro.

Leia também o meu post anterior: “O dia em que Machado de Assis virou Michael Jackson“.

* Paula Taitelbaum é escritora e coordenadora do Núcleo de Comunicação L&PM.