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Segundo a Folha de S. Paulo, romance de Assis Brasil oferece alento em tempos de autoficção

segunda-feira, 31 outubro 2016

O Inverno e Depois“, do gaúcho Luiz Antonio de Assis Brasil, pode ser entendido como uma ode ao romance.

O autor investe na forma clássica da narrativa em terceira pessoa para contar a jornada do personagem principal, com o rompimento da ordem, através de idas e vindas entre o passado e presente.

A forma escolhida é um alento em uma fase abundante em lançamentos de autoficção, em que jovens autores escrevem, não raro, sobre um “eu” que também é escritor.

“O Inverno e Depois” conta a história de Julius, um violoncelista de meia-idade que toca na Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo.

Julius é atormentado por uma promessa que fez ao seu professor de violoncelo na escola de música de Würzburg, na Alemanha: tocar o concerto de Antonín Dvorák. Seu mestre, porém, morreu sem ver o compromisso realizado. Julius tenta, mas abandona sua apresentação assim que toca os primeiros acordes.

O “fiasco”, como ele chama o episódio, soma-se ao fim do namoro com a uruguaia Constanza Zabala, seu eterno amor de juventude. Sem motivos para continuar na Alemanha, Julius volta para o Brasil, onde tem uma vida pacata até decidir, décadas depois, apresentar o concerto de Dvorák no Theatro Municipal de São Paulo.

Em busca de isolamento para os ensaios –e de acertar contas com o passado–, Julius retorna à Estância Júpiter, no pampa gaúcho, perto do Uruguai, onde cresceu.

O local é marcado pela ancestralidade da família e por histórias que são “meio fantasia, meio verdade”, lembrando um pouco os Buendía, de Gabriel Garcia Márquez em “Cem Anos de Solidão”. Entre elas, está a do fogo aceso por um “antepassado visconde” ao voltar de uma guerra, chama que continua viva na estância.

Na fazenda, ajudado pela meia-irmã, Agripina Antônia, Julius lida com seus dilemas.

O fundo temático da música clássica e do pampa também foi explorado por Assis Brasil em “Concerto Campestre”, de 1997. Entre aquele livro e este, seu 19º, uma competência do autor permanece: a de escrever finais sublimes.

O_inverno_e_depoisO INVERNO E DEPOIS 

AUTOR Luiz Antonio de Assis Brasil

EDITORA L&PM

QUANTO: R$ 39,90 (352 págs.)

AVALIAÇÃO: Ótimo

 

 

“Mogli – O menino lobo”, já está entre nós

sexta-feira, 15 abril 2016

“Mogli – O menino lobo”, o novo filme da Disney baseado em “O livro da selva”, de Rudyard Kipling, já chegou aos cinemas. Além das cópias legendadas (com vozes de gente como Ben Kingsley, Bill Murray e Scarlett Johansson), há a versão dublada que traz atores nacionalmente reconhecidos. Neste vídeo, você confere quem dubla as principais vozes do filme e assiste ao trailer dublado.

Prefere ver o trailer legendado ou quer ver como é a versão original? Então assista aqui:

O novo Mogli vem recebendo ótimas críticas, como as publicadas na Folha de S. Paulo e no site G1:

“Graças aos óculos escuros obrigatórios para a versão 3D -  primorosa, aliás -, muito marmanjo vai poder chorar na frente dos filhos sem ser desmarcarado. (…) Com atores como Ben Kingsley, Bill Murray, Scarlett Johansson e Christopher Walken nas vozes dos animais, o trabalho de fazer os lábios dos bichos gerados digitalmente se movimentarem exatamente como fariam se formassem aquelas sílabas deixa tudo mais verossímel. Sim, verossímel. Durante uma hora e 45 minutos, dá para acreditar completamente que aqueles bichos falam e pensam daquela maneira. (…) Por fim, o garoto. Neel Sethi, nova-iorquino de origem indiana escolhido para ser o único de carne e osso nessa aventura cinematográfica, é uma revelação. Um bom ator, que não deixa a peteca cair, não faz gracinha para a câmera e nem parece atuar. É um menino-lobo, à vontade entre os seus, os outros bichos da selva, e com o lugar e as condições em que passou quase toda a vida. “Mogli” é uma experiência mágica: o longa-metragem animado preferido da infância virar um filme para adulto nenhum botar defeito não é uma coisa qualquer.” (Folha de S. Paulo que avaliou o filme como “ótimo”)

“Serei bem sincero. Quando a Disney anunciou faria um novo “Mogli – O menino lobo”, com atores e computação gráfica, fui um dos primeiros a torcer o nariz. A animação de 1967 é um dos grandes clássicos desenhados à mão do estúdio, e a última produção supervisionada pelo próprio Walt Disney, mas tem uma narrativa que não envelheceu tão bem. Eu tinha medo de que os erros se repetissem e a regravação se tornasse desnecessária. Com a estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (14), posso dizer que felizmente estava enganado. O diretor Jon Favreau, responsável pelos dois primeiros filmes do Homem de Ferro para a Marvel, amadurece com habilidade a estrutura do desenho, enquanto mantém a leveza e a diversão características das animações Disney. O enredo ainda é o mesmo. (…) A estrutura original, que mais parecida uma sequência de esquetes, dá lugar a um roteiro mais completo, preocupado em explicar melhor as motivações de cada personagem. Claro, ainda não dá bem pra entender por que uma pantera ignoraria seus instintos naturais e entregaria um bebê humano para uma alcateia, mas quase tudo se explica. Até o ódio pessoal que o vilão, o tigre de bengala Shere Khan, nutre pelo homem recebe mais atenção. Mérito do roteirista Justin Marks, que se inspirou bastante nos contos originais escritos por Rudyard Kipling no final do século 19 para contar essa clássica história de amadurecimento para um público moderno acostumado a uma linguagem mais completa. (Site G1 – Cesar Soto)

A L&PM publica “O livro da selva“, de Rudyard Kipling, em dois formatos:

Livro-da-selva-dupla

 

Eventos gratuitos para marcar os 400 anos da morte de Shakespeare

segunda-feira, 11 abril 2016

William_Shakespeare_16091

A Folha de S. Paulo preparou uma programação especial para marcar os 400 anos da morte do maior dramaturgo em língua inglesa de todos os tempos: William Shakespeare (1564-1616). Vale a pena conferir:

LEITURA DE “RICARDO II”

O que: Leitura dramática com Leonardo Medeiros, Maria Fernanda Cândido, Débora Duboc, Paulo Marcello e Washington Luiz Gonzales. Direção de Marcio Aurelio, renomado encenador que fez a montagem da peça nos anos 1990.
Quando: 13 de abril, das 20h às 22h.
Onde: Auditório da Folha. Barão de Limeira, 425, 9° andar
Inscrições: Gratuitas pelo site eventos.folha.uol.com.br – Vagas limitadas

DEBATE SHAKESPEARE 400

O que: Debate sobre o legado e a relevância do dramaturgo, com participação do apresentador Jô Soares e do diretor Gabriel Vilela, experiente no teatro shakespeariano, e o ator britânico Greg Hicjs, da Royal Shakespeare Company.
Quando: 14 de abril, das 18h30 às 21h
Onde: Auditório do Centro Brasileiro Britânico – Rua Ferreira de araújo, 741
Incrições: Gratuitas pelo 0800 777 0360 ou seminariosfolha@grupofolha.com.br – Vagas limitadas

FÓRUM SHAKESPEARE

O que: Workshops, seminários e encontros de jovens diretores, atores e dramaturgos. No teatro, o ator e diretor greg Hicks dirige uma versão de “Macbeth”. Além de São Paulo, o fórum terá edições em Belo Horizonte (12 a 22/5) e Rio de Janeiro (20 a 29/5)
Quando: 20 a 25/4
Onde: Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112, centro)
Quanto: Grátis – Ingressos limitados
Programação completa: www.forumshakespeare.org.br

SHAKESPEARE AMOROSO

O que: Os atores Luna Martineli e Eduardo Semerjian, sob direção de Mika Lins, farão uma leitura das cenas de amor de peças do escritor inglês e de alguns de seus famosos sonetos. Dos trágicos Romeu e Julieta aos cômicos Benedito e Beatriz.
Quando: 23/4, às 19h30
Onde: Casa das Rosas (Av. Paulista, 37, Paraíso)
Quanto: Grátis

BIBLIOTECA PQ. VILLA-LOBOS

O que: Oficinas para adultos e crianças homenageiam Shakespeare durante todo mês de abril
Onde: Av. Professor Fonseca Rodrigues, 2001 – Altos Pinheiros
Quando: Ter. a dom. das 9h30 às 18h30
Quanto: Grátis
Programação completa: www. bvl.org.br

E não deixe de conferir também os livros de Shakespeare da L&PM Editores. Tem uma série inteirinha dedicada ao bardo.

Um mundo de homenagens a Shakespeare

quinta-feira, 3 março 2016

Pouco importa de William Shakespeare nasceu e morreu mesmo em 23 de abril. Esta foi a data escolhida para prestarmos homenagens a ele. E ponto. 23 de abril deste ano, aliás, marca os 400 anos de sua morte, ocorrida em 1616, o que fará acontecer muitas produções, concertos, exposições e eventos ao redor do mundo. O The New York Times separou aqueles que considerou mais significativos e publicamos eles aqui com tradução feita pela Folha de S. Paulo.

Este seria o único retrato de Shakespeare que foi pintado enquanto o dramaturgo era vivo

Este seria o único retrato de Shakespeare que foi pintado enquanto o dramaturgo era vivo

CENTRO DE LONDRES

O trecho da margem sul do rio Tâmisa, em Londres, situado entre Westminster e Tower Bridge, deve ficar lotado no fim de semana de 23 e 24 de abril. Nesses dias, o Shakespeare’s Globe vai apresentar “The Complete Walk”, uma celebração shakespeareana com 37 telas, cada uma das quais exibindo um curta-metragem com atores notáveis como Simon Russell Beale e Jonathan Pryce representando cenas de cada peça de Shakespeare.

‘FIRST FOLIO’ EM TURNÊ

A Folger Shakespeare Library está enviando exemplares do “First Folio” —a publicação de 1623 que incluiu quase todas as peças do dramaturgo em um só volume, pela primeira vez— em uma turnê que passará por todos os 50 Estados americanos. A tour do “First Folio” faz parte de uma celebração promovida pela biblioteca Folger intitulada “The Wonders of Will”, que também inclui uma produção de “Sonho de Uma Noite de Verão” na Folger, em Washington, uma série de palestras e um convite para as pessoas compartilharem em vídeo suas histórias envolvendo Shakespeare ou suas visões do discurso “ser ou não ser” de Hamlet.

DEPOIS DO APOCALIPSE

A distopia se espalha pelo palco em “unShakeable”, obra encomendada pela Santa Fe Opera ao compositor e regente Joseph Illick e a libretista Andrea Fellows Walters. Inspirada nas peças de Shakespeare, a ópera é ambientada num teatro abandonado do Novo México, 25 anos no futuro, três anos depois de uma pandemia viral. Contrariando essa descrição trágica, trata-se de uma comédia romântica, pelo menos pelos padrões operísticos. Depois de apresentações em Santa Fe em 9 e 10 de abril, a produção partirá em turnê pelo Novo México e Colorado.

VENDENDO ESPETÁCULOS

Em 28 de março a companhia Theater for a New Audience e a Princeton Architectural Press vão promover uma discussão livre sobre o design de pôsteres para obras de Shakespeare, vinculada a “Presenting Shakespeare: 1.100 Posters from Around the World”, um grande compêndio de arte de 55 países. Os pôsteres que mais chamam a atenção no livro são minimalistas inteligentes, como o deliciosamente mórbido sorvete de casquinha de carne numa produção argentina de “Hamlet”. A discussão será presidida pelos autores do livro, Mirko Ilic e Steven Heller, e contará com a participação dos designers gráficos Milton Glaser e Paul Davis.

RELÂMPAGO

Para assistir a uma peça do jeito que os contemporâneos do autor faziam -possivelmente até em pé-, uma boa opção pode ser dar um pulo até Auckland, Nova Zelândia. Ali você encontrará uma réplica do Globe Theater em dimensões fiéis ao original. Estamos falando do segundo Globe Theater: o primeiro, construído em 1599, tinha telhado de colmo e foi destruído em um incêndio em 1613, durante uma apresentação de “Henrique 3º”. “Hamlet” e “A Tempestade” são algumas das peças que serão encenadas na temporada curta deste espaço relâmpago, que vai desaparecer rapidamente em abril.

FLUIDEZ DE GÊNERO

A companhia Cohesion Theater, de Baltimore, está dedicando parte de sua temporada a obras de autores teatrais transgêneros ou estreladas por transgêneros. No caso de sua produção de “Hamlet”, a diretora Alice Stanley, que não se identifica com nenhum gênero, escolheu uma atriz para representar uma Hamlet mulher e uma atriz para fazer um Laerte homem.

SHAKESPEARE E VOCÊ

“We Are Shakespeare”, criado pela Shakespeare Theater Association em colaboração com a Universidade de Notre Dame, convida qualquer pessoa a compartilhar uma homenagem —quer seja um discurso, monológo, trabalho de arte visual ou qualquer outra coisa—, colocando no site do projeto um link para um vídeo do YouTube. As contribuições já postadas incluem uma performance de um Hamlet armado com navalha e uma explicação do deputado democrata Ted W. Lieu, da Califórnia, das razões por que gosta de Shakespeare.

Conheça a Série Shakespeare na L&PM Editores.

Em 2016 vai ter Van Gogh em São Paulo

quinta-feira, 21 janeiro 2016

Confirmado: Vincent Van Gogh e outros pintores pós-impressionistas ganharão exposição em São Paulo no primeiro semestre de 2016.

A mostra que acontecerá no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), será em parceria com o Museu Museu d’Orsay, de Paris, que vai ceder parte do acervo. O diretor do centro cultural, Tadeu Figueiró, relatou ao jornal Folha de S. Paulo que esta será uma continuação da exposição sobre os impressionistas que ocorreu em 2012.

A abertura está prevista – mas ainda não confirmada – para março e, além de Van Gogh, terá pinturas de Manet e Renoir. No entanto, a lista de obras selecionadas ainda não está fechada. Aguardaremos ansiosos!

Vincent Van Gogh em autorretrato feito em 1889

Vincent Van Gogh em autorretrato feito em 1889

Sobre este assunto, a L&PM publica livros sobre Van Gogh e também Impressionismo na Série Encyclopaedia.

Nova montagem de “Otelo” tem Mel Lisboa no elenco

sexta-feira, 14 agosto 2015

A atriz Mel Lisboa já incorporou Rita Lee no teatro. Agora, volta aos palcos como Desdêmona, o principal papel feminino de “Otelo”, de Shakespeare, ao lado de Samuel de Assis que assume o papel título. A montagem com direção de Débora Dubois, que estreou nesta terça-feira, 11 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso em São Paulo, já começou a agradar a crítica. Na Folha de S. Paulo de sexta-feira, Nelson de Sá avalia a peça como “muito boa”, só fazendo ressalvas à trilha sonora: “A cena da morte na cama é especialmente bem conduzida, com o confronto entre força e fragilidade, violência e prostração. Embora o cenário e os figurinos, principalmente aqueles de Otelo e Desdêmona, sejam bastante eficazes, o impacto de “Otelo” é garantido pela iluminação. (…) Uma exceção fica por conta da trilha de velhos hits de Caetano Veloso, com letras cuja relação com a narrativa é uma incógnita, do início ao fim.” escreveu o crítico.

Sobre Samuel de Assim, Nelson de Sá escreveu que “É um Otelo que surge íntegro, nobre, até o veneno das palavras de Iago começar a corromper toda a sua retidão, de dentro para fora.”. E Mel Lisboa também foi elogiada: “Desdêmona pode não estar entre os papéis femininos mais complexos de Shakespeare, mas Mel Lisboa consegue dar a ela, em diversas passagens, uma convincente e tocante inocência.”

Samuel de Assis e Mel Lisboa como Otelo e Desdêmona

Samuel de Assis e Mel Lisboa como Otelo e Desdêmona

Rafael Maia, Antonio Ranieri, Cesar Figueiredo, Yael Pecarovich, Glaucia Fonseca, Marcio Guimarães e Ricardo Monastero completam o elenco. Para ajudar a viabilizar a peça, o grupo realizou um financiamento coletivo pelo Catarse.com em que as pessoas puderam colaborar.

Otelo todo elenco

O elenco de “Otelo”

OTELO

Quando: Terças e quartas às 20h até 9 de setembro.
Onde: Teatro Sérgio Cardoso – Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista. Fone: (11) 3288-0136
Quanto: R$ 40,00

A L&PM publica “Otelo” em dois formatos.

“As pessoas parecem flores finalmente” na Folha de S. Paulo

segunda-feira, 13 julho 2015

O Caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo de sábado, 11 de julho, traz um texto do poeta e jornalista Ciro Pessoa sobre o mais recente livro de Charles Bukowski, publicado pela L&PM.  As pessoas parecem flores finalmente, com tradução de Claudio Willer, recebeu a avaliação “muito bom” da Folha:

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E vem mais novidade por aí. Ainda este ano, a L&PM lança, de Bukowski, Queimando na água, afogando-se na chama e On Writing (ainda sem título em português). Além disso, Miscelânea septuagenária será lançado em pocket.

Site oficial de Moacyr Scliar está publicando suas crônicas

segunda-feira, 23 março 2015

Moacyr Scliar nasceu em 23 de março de 1937. Estaria completando 78 anos hoje. Para marcar a data, o site oficial do escritor vai presentear os leitores com todas as crônicas publicadas por ele nos jornais Zero Hora e Folha de S. Paulo.

Todo sábado será publicado um texto. E assim tentamos amenizar a saudades de nosso querido Scliar.

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A L&PM publica mais de 30 livros de Moacyr Scliar. Clique aqui para ver os títulos.

Folha de S. Paulo mergulha em “O mar é meu irmão”, o livro perdido de Kerouac

segunda-feira, 3 novembro 2014

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O Caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo de sábado, 1º de novembro, traz uma resenha sobre O mar é meu irmão & outros escritos, de Jack Kerouac, que acaba de ser lançado pela L&PM Editores. A obra – que demorou mais de 60 anos para ser publicada – foi o primeiro livro escrito por Kerouac. Clique sobre a imagem para ler a matéria:

Flash

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“Os Rebeldes”, de Claudio Willer, na Folha

segunda-feira, 25 agosto 2014

CRÍTICA: ESTUDO CONSISTENTE REAFIRMA IMPORTÂNCIA DA GERAÇÃO BEAT 

Por Ciro Pessoa – Caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo – 23/08/2014

Perguntado certa vez sobre o que achava da literatura beat, o escritor americano Truman Capote respondeu com uma frase contundente: Isso não escrita, é datilografia”.

O “Slogan”, uma crítica à prolixidade da prosa beat, tornou-se munição nas hostes daqueles que a detrataram e tentaram minimizar sua importância.

Os_rebeldesEm “Os Rebeldes – Geração Beat e Anarquismo Místico”, o poeta, tradutor e escritor Claudio Willer retoma a polêmica e afirma que a influência beat contribuiu para a abertura em sociedades contemporâneas “vencendo o descrédito promovido por críticos burocráticos e sumidades acadêmicas”.

O livro é um estudo consistente sobre o movimento iniciado nos anos 1940 e definido por um de seus principais mentores, Allen Ginsberg (1926-19997), como “um grupo de amigos que trabalharam juntos em poesia, prosa e consciência cultural”.

E não deixa dúvidas de que seus integrantes tinham um embasamento intelectual bastante apurado e sabiam muito bem o que faziam e onde queriam chegar.

Dentre as diversas abordagens que Willer faz sobre os beats – influências poéticas, origens sociológicas, loucuras, opções políticas – chama atenção aquela que tira o budismo do principal foco de religiosidade do grupo.

Segundo ele, comentaristas tendem a se fixar na relação deles com o budismo e “são deixadas de lado outras correntes, antecedentes e influências do grupo, desde os antigos gnósticos dos primeiros séculos d.C., passando pelos adeptos do Espírito Livre (seita medieval que tinha como um de seus postulados ‘nada é pecado exceto aquilo que é pensado como pecado’) até os contemporâneos”.

E é exatamente essa mescla heterogênea de culturas religiosas que recebe o nome de anarquismo místico.

Os protagonistas da narrativa de Willer são os poetas e escritores Jack Kerouac (1922 – 1969) e Ginsberg. Numa espécie de dupla biografia que corre paralela ao livro, a história da relação entre os dois é contada desde o momento que Ginsberg levou os originais do primeiro livro de Kerouac a editores que conhecia até o fim dos anos 1960.

Em seu último pronunciamento, o artigo “Depois de Mim, o Dilúvio”, de 1969, Kerouac disparou sua metralhadora giratória em direção a Ginsberg e à contracultura e negou ser “o grande pai branco e precursor intelectual que desovou um dilúvio de radicais alienados, manifestantes contra a guerra, vencidos na vida, hippies e até beats”.

É datilografia ou escrita?

Claudio Willer no pátio da PUC-SP, depois de uma palestra

Claudio Willer no pátio da PUC-SP, depois de uma palestra

OS REBELDES – GERAÇÃO BEAT E ANARQUISMO MÍSTICO
AUTOR Claudio Willer
EDITORA L&PM
QUANTO R$ 34.90 (296 págs.)
AVALIAÇÃO ótimo

No blog de Claudio Willer você pode ler mais matérias sobre “Os Rebeldes”.