Posts Tagged ‘Charles Bukowski’

Entre panelas

sexta-feira, 10 maio 2013

10 de maio é o Dia da Cozinheira. Para homenagear essa alquimista dos sabores, aqui vão algumas fotos de gente famosa junto às panelas.

O que será que tem dentro da panela de Marilyn Monroe?

O que será que tem dentro da panela de Marilyn Monroe?

Os amigos e cozinheiros Allen Ginsberg e Jack Kerouac. Mais amigos do que cozinheiros...

Os amigos e cozinheiros Allen Ginsberg e Jack Kerouac. Mais amigos do que cozinheiros…

Bukowski fazendo pose junto ao fogão

Bukowski fazendo pose junto ao fogão

 musa do jazz Billie Holiday fritando um bife ao lado de seu cão Mister na cozinha do apartamento onde morou no Harlem, em Nova York. A foto é de Herman Leonard

musa do jazz Billie Holiday fritando um bife ao lado de seu cão Mister na cozinha do apartamento onde morou no Harlem, em Nova York. A foto é de Herman Leonard

Picasso em sua cozinha. Talvez esperando a cozinheira lhe servir

Picasso em sua cozinha. Talvez esperando a cozinheira lhe servir

30 anos da morte de John Fante, uma das paixões de Bukowski

quarta-feira, 8 maio 2013

Um dia, quando o velho Bukowski ainda era o jovem Bukowski, ele encontrou uma velha edição de Pergunte ao pó, de John Fante, na Biblioteca Pública de Los Angeles. Segundo suas próprias palavras, foi “ouro no lixo”. Bukowski apaixonou-se pelo personagem de Fante, Arturo Bandini, um aspirante a escritor sem recursos que mora em motéis baratos, passa fome e se embebeda sempre que pode. Foi a inspiração que faltava para Bukowski seguir o caminho de uma literatura visceral, de humor ácido e carregada de passagens autobiográficas. No artigo “Eu conheço o mestre”, que está em Pedaços de um caderno manchado de vinho, Bukowski conta com detalhes como descobriu “John Bante” – assim mesmo, com “B”, numa escrachada brincadeira ou talvez para mostrar que o seu Johh Fante era diferente, era só dele:

Nessa tarde eu matava o meu dia com o costumeiro baixar de livros das prateleiras, o abrir de páginas, ler uma ou duas de cada volume, devolvê-los aos seus lugares. Bem, peguei mais um. Sporting Times? Yeah?, de um tal John Bante. Abri numa das páginas, esperando o de sempre, mas as palavras, sim, as palavras pularam sobre mim, assim mesmo. Saíram do papel e me perfuraram. As palavras eram simples, concisas, e falavam de alguma coisa que estava acontecendo agora! Até mesmo a fonte parecia diferente. As palavras era legíveis. Havia alguns espaços e então mais palavras. As palavras eram quase como uma voz na sala. Peguei o livro e fui me sentar a uma mesa. Cada página era poderosa. Não podia acreditar naquilo. Era como se as páginas fossem pular do livro e começar a caminhar por ali, voar ao meu redor. Possuíam uma força notável, um realismo total. Por que esse homem nunca tinha sido mencionado antes? Eu também estava lendo crítica literária, Winters, todos aqueles vigaristas, os queridinhos da Kenyon Review e da Sewanee Review, e nunca haviam mencionado este homem. O mesmo ocorreu nos meus dois anos de coma profundo no LA City College, nem uma menção sequer.

Ergui os olhos da minha mesa. Bem, não era minha, pertencia à cidade, aos contribuintes, e eu não podia me enquadrar nessa categoria. Mas eu tinha o livro de John Bante diante de mim e eu olhava para as pessoas nas outras mesas, para as pessoas que caminhavam por ali ou que estavam apenas sentadas, muitos vagabundos como eu e nenhum deles sabia sobre John Bante… ou teriam começado a brilhar, a se sentir melhor, não teriam se importado em ser o que eram ou que deveriam ser.

John Fante era filho de imigrantes italianos pobres e toda a sua literatura estava ligada às suas origens. Mas assim como o seu personagem, Bandini, Fante não teve o devido reconhecimento em vida e trabalhou durante 40 anos como roteirista em Hollywood. Sua trajetória só começaria a mudar a partir dos anos 1980, quando a Black Sparrow Press, editora dos livros de Bukowski, tirou Pergunte ao pó do limbo. Foi a vez do discípulo salvar o mestre. Fante morreria em 8 de maio 1983, já cego devido ao diabetes. Dele, a Coleção L&PM Pocket publica 1933 foi um ano ruim e Sonhos de Bunker Hill.

John Fante quando jovem

John Fante quando jovem

“The Outsider”: a primeira a publicar Bukowski na América

segunda-feira, 1 abril 2013

Os alternativos, os estranhos, os undergrounds, os rebeldes, os malditos. Eram estes que a “The Outsider”, revista literária dos anos 1960, publicava. Seu formato era pequeno e ela parecia ter de um mimeógrafo (talvez até saísse) e era montada à mão pelo casal Jon Edgar Webb e Gypsy Lou Webb, donos da Loujon Press, editora da revista. Charles Bukowski, Jack Kerouac e Lawrence Ferlinghetti foram alguns dos que ganharam destaque nas páginas da “The Outsider”.

Começo de carreira: ao lado da máquina do jovem Bukowski, volumes da "The Outsider"

Começo de carreira: ao lado da máquina do jovem Bukowski, volumes da “The Outsider” (clique sobre a imagem para ampliar)

Bukowski chegou a estampar a capa da revista

Bukowski chegou a estampar a capa da revista

Em 2007, foi feito um documentário, “The Outsiders of New Orleans: Loujon Press”, contando a história da famosa publicação e com depoimentos de Louise “Gypsy Lou”. Veja o trailer:

Dia de homenagear Bukowski

sábado, 9 março 2013

O velho Buk se foi em 9 de março de 1994, vítima de leucemia. Tinha 73 anos. Deixou uma filha, muitos escritos e uma imensa saudade.

bukowski_cemiterio

encurralado

bem, eles diziam que tudo terminaria
assim: velho. o talento perdido. tateando às cegas em busca
da palavra

ouvindo os passos
na escuridão, volto-me
para olhar atrás de mim…

ainda não, velho cão…
logo em breve.

agora
eles se sentam falando sobre
mim: “sim, acontece, ele já
era… é
triste…”

“ele nunca teve muito, não é
mesmo?”

“bem, não, mas agora…”

agora
eles celebram minha derrocada
em tavernas que há muito já não
frequento.

agora
bebo sozinho
junto a essa máquina que mal
funciona

enquanto as sombras assumem
formas

combato retirando-me
lentamente

agora
minha antiga promessa
definha
definha

agora
acendendo novos cigarros
servido mais
bebidas

tem sido um belo
combate

ainda
é.

(Poema de Charles Bukowski publicado em Textos autobiográficos. Clique aqui e veja todos os livros de Bukowski publicados pela L&PM)

 

Bukowski no Dia da Ressaca

quinta-feira, 28 fevereiro 2013

28 de fevereiro é o Dia da Ressaca no Brasil (se você souber o porquê, nos conte). Em homenagem a todos aqueles que já passaram por esse sentimento de “cabeça pesada no dia seguinte”, aqui vai um poema de um dos maiores especialistas no assunto: o bom e velho Charles Bukowski.

buk_bebendo2

Conselho amigável para muitos jovens

Vá para o Tibet.
Monte em um camelo.
Leia a bíblia.
Pinte seus sapatos de azul.
Deixe a barba crescer.
Dê a volta ao mundo numa canoa de papel.
Assine The Saturday Evening Post.
Mastigue apenas com o lado esquerdo da boca.
Case-se com uma perneta e se barbeie com uma navalha.
E entalhe seu nome no braço dela.
Escove os dentes com gasolina.
Durma o dia inteiro e suba em árvores à noite.
Seja um monge e beba chumbo grosso e cerveja.
Mantenha sua cabeça dentro d’água e toque violino.
Faça uma dança do ventre diante de velas cor-de-rosa.
Mate seu cachorro.
Concorra à prefeitura.
Viva num barril.
Rompa sua cabeça com uma machadinha.
Plante tulipas sob a chuva.

Mas não escreva poesia.

(De Bukowski – Textos Autobiográficos)

Como ser um grande escritor, por Charles Bukowski

sexta-feira, 18 janeiro 2013

Bukowski dá a receita no poema “como ser um grande escritor” do livro O amor é um cão dos diabos:

você tem que trepar com um grande número de mulheres
belas mulheres
e escrever uns poucos e decentes poemas de amor.

não se preocupe com a idade
e/ou com os talentos frescos e recém-chegados;

apenas beba mais cerveja
mais e mais cerveja

e vá às corridas pelo menos uma vez por
semana

e vença
se possível.

aprender a vencer é difícil -
qualquer frouxo pode ser um bom perdedor.

e não se esqueça do Brahms
e do Bach e também da sua
cerveja.

não exagere no exercício.

durma até o meio-dia.

evite cartões de crédito
ou pagar qualquer conta
no prazo.

lembre-se que nenhum rabo no mundo
vale mais do que 50 pratas
(em 1977).

e se você tem a capacidade de amar
ame primeiro a si mesmo
mas esteja sempre alerta para a possibilidade de uma derrota total
mesmo que a razão para esta derrota
pareça certa ou errada

um gosto precoce da morte não é necessariamente uma cosa má.

fique longe de igrejas e bares e museus,
e como a aranha seja
paciente
o tempo é a cruz de todos
mais o
exílio
a derrota
a traição

todo este esgoto.

fique com a cerveja.

a cerveja é o sangue contínuo.

uma amante contínua.

arranje uma grande máquina de escrever
e assim como os passos que sobem e descem
do lado de fora de sua janela

bata na máquina
bata forte

faça disso um combate de pesos pesados

faça como o touro no momento do primeiro ataque

e lembre dos velhos cães
que brigavam tão bem?
Hemingway, Céline, Dostoiévski, Hamsun.

se você pensa que eles não ficaram loucos
em quartos apertados
assim como este em que agora você está

sem mulheres
sem comida
sem esperança

então você não está pronto.

beba mais cerveja.
há tempo.
e se não há
está tudo certo
também.

Uma ponta de Bukowski

segunda-feira, 3 setembro 2012

Você já assisitiu ao filme Barfly? Lançado em 1987, ele tem roteiro de Charles Bukowski, feito a partir de uma encomenda do diretor francês Barbet Schroeder. Na verdade, ele é exatamente como os livros do velho Buk e tem como personagem principal seu alter-ego Henry Chinaski que, em Barfly é vivido por um Mickey Rourke ainda com cara de gente.  A partir do roteiro do filme, Bukowski escreveu o livro Hollywood (Coleção L&PM Pocket), em que narra a história de um escritor que ganha um bom dinheiro para escrever um roteiro para o cinema. Qualquer semelhança com a realidade, não é mera coincidência.

Charles Bukowski entre os atores Faye Dunaway e Mickey Rourke

Bukowski não apenas acompanhou a filmagem de várias cenas, como participou de uma delas. Melhor do que contarmos, é você mesmo ver. Ele aparece em uma ponta no início da cena em um bar, em que Mickey Rourke contracena com Faye Dunaway. É apenas uma ponta, mas os olhares do escritor (ou a falta deles) são memoráveis.

Escritores que assinam embaixo

sexta-feira, 17 agosto 2012

Quem não sonha em ter uma primeira edição assinada de próprio punho por um escritor famoso? Mesmo que algumas dessas assinaturas sejam praticamente ilegíveis, elas são pra lá de especiais, você não concorda? Veja aqui algumas delas e tente reconhecer os nomes (todos eles publicados pela L&PM). Caso tenha alguma dúvida, a resposta está no final do post.

Na ordem: James Joyce, Charles Bukowski, Arthur Conan Doyle, Edgar Allan Poe, Francis Scott Fitzgerald, J. D. Salinger, Jorge Luis Borges, Leon Tolstói, Mark Twain, Oscar Wilde, Pablo Neruda, Rainer Maria Rilke.

Feliz aniversário, Buk

quinta-feira, 16 agosto 2012

metamorfose

uma namorada chegou
me construiu uma cama
esfregou e encerou o chão da cozinha
esfregou as paredes
aspirou o pó
limpou a patente
a banheira
esfregou o chão do banheiro
e cortou minhas unhas e
meus cabelos.

então
naquele mesmo dia
o encanador veio e consertou a torneira da cozinha
e a patente
e o homem do gás consertou o aquecedor
e o homem do telefone, o telefone.
agora me sento aqui em meio a tanta perfeição.
tudo está tranquilo.
rompi com minhas 3 namoradas.

me sinto melhor quando tudo está
bagunçado.
vai levar alguns meses até que as coisas voltem ao
normal:
não consigo encontrar sequer uma barata para viver em comunhão.

perdi meu ritmo.
não consigo dormir.
não consigo comer.

roubaram-me
minha sujeira.

(De Bukowski - Textos autobiográficos)

Bukowski nasceu em 16 de agosto de 1920. Faria 92 anos hoje, o velho Buk… Dele, a L&PM publica todos os romances, além de poesia, contos, textos variados e até uma HQ.

Os escritores e suas modalidades olímpicas

sexta-feira, 27 julho 2012

Hoje, às 17h pelo horário de Brasília, acontecerá a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres. Nós aqui da L&PM já entramos no clima e separamos alguns escritores campeões em suas modalidades – e não estamos falando apenas de modalidades literárias.

Modalidade levantamento de copo. Jack Kerouac foi atleta de verdade e fazia parte do time de futebol americano da sua universidade. Mas  por problemas no joelho acabou tendo que largar a vida esportiva. Costumava ser bom em levantamento de copo e corrida na estrada sem obstáculos.

Modalidade levantamento de copo

Modalidade lançamento de livro à distância. Agatha Christie chegou a surfar no Havaí, mas acabou percebendo que se dava melhor com os papéis do que com as pranchas. Tornou-se uma das maiores lançadoras e vendedoras de livro do planeta e foi traduzida para 45 línguas.

Modalidade lançamento de livro à distância

Modalidade marcha de cachimbo. Georges Simenon, o criador do inspetor Maigret, não andava sem seu cachimbo. Na verdade, vê-lo sem seu apetrecho seria mais ou menos como ver um jogo de futebol sem bola.

Modalidade marcha de cachimbo

Modalidade revezamento de personalidade. Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Bernando Soares. Ninguém praticava revezamento de heterônimos com tanta habilidade como Fernando Pessoa. Ele não era um escritor, era uma equipe completa.

Modalidade revezamento de personalidade

Modalidade salto sobre mulheres. Charles Bukowski era um excelente levantador de copos e empinador de garrafas – provavelmente melhor do que Kerouac – mas dizem que ele também era um exímio atleta sexual e campeão em salto sobre mulheres.

Modalidade salto sobre mulheres

O tema geral da cerimônia de abertura dos jogos olímpicos recebeu o nome de “Ilhas da Magia”, um espetáculo de música, cores e muita história. Os produtores se basearam na peça A Tempestade, de Shakespeare, que mostra a vida rural do interior da Inglaterra. Um grande sino, de 27 toneladas, dará as badaladas para o início ao show.