10 de maio é o Dia da Cozinheira. Para homenagear essa alquimista dos sabores, aqui vão algumas fotos de gente famosa junto às panelas.
Posts Tagged ‘Charles Bukowski’
Entre panelas
sexta-feira, 10 maio 201330 anos da morte de John Fante, uma das paixões de Bukowski
quarta-feira, 8 maio 2013Um dia, quando o velho Bukowski ainda era o jovem Bukowski, ele encontrou uma velha edição de Pergunte ao pó, de John Fante, na Biblioteca Pública de Los Angeles. Segundo suas próprias palavras, foi “ouro no lixo”. Bukowski apaixonou-se pelo personagem de Fante, Arturo Bandini, um aspirante a escritor sem recursos que mora em motéis baratos, passa fome e se embebeda sempre que pode. Foi a inspiração que faltava para Bukowski seguir o caminho de uma literatura visceral, de humor ácido e carregada de passagens autobiográficas. No artigo “Eu conheço o mestre”, que está em Pedaços de um caderno manchado de vinho, Bukowski conta com detalhes como descobriu “John Bante” – assim mesmo, com “B”, numa escrachada brincadeira ou talvez para mostrar que o seu Johh Fante era diferente, era só dele:
Nessa tarde eu matava o meu dia com o costumeiro baixar de livros das prateleiras, o abrir de páginas, ler uma ou duas de cada volume, devolvê-los aos seus lugares. Bem, peguei mais um. Sporting Times? Yeah?, de um tal John Bante. Abri numa das páginas, esperando o de sempre, mas as palavras, sim, as palavras pularam sobre mim, assim mesmo. Saíram do papel e me perfuraram. As palavras eram simples, concisas, e falavam de alguma coisa que estava acontecendo agora! Até mesmo a fonte parecia diferente. As palavras era legíveis. Havia alguns espaços e então mais palavras. As palavras eram quase como uma voz na sala. Peguei o livro e fui me sentar a uma mesa. Cada página era poderosa. Não podia acreditar naquilo. Era como se as páginas fossem pular do livro e começar a caminhar por ali, voar ao meu redor. Possuíam uma força notável, um realismo total. Por que esse homem nunca tinha sido mencionado antes? Eu também estava lendo crítica literária, Winters, todos aqueles vigaristas, os queridinhos da Kenyon Review e da Sewanee Review, e nunca haviam mencionado este homem. O mesmo ocorreu nos meus dois anos de coma profundo no LA City College, nem uma menção sequer.
Ergui os olhos da minha mesa. Bem, não era minha, pertencia à cidade, aos contribuintes, e eu não podia me enquadrar nessa categoria. Mas eu tinha o livro de John Bante diante de mim e eu olhava para as pessoas nas outras mesas, para as pessoas que caminhavam por ali ou que estavam apenas sentadas, muitos vagabundos como eu e nenhum deles sabia sobre John Bante… ou teriam começado a brilhar, a se sentir melhor, não teriam se importado em ser o que eram ou que deveriam ser.
John Fante era filho de imigrantes italianos pobres e toda a sua literatura estava ligada às suas origens. Mas assim como o seu personagem, Bandini, Fante não teve o devido reconhecimento em vida e trabalhou durante 40 anos como roteirista em Hollywood. Sua trajetória só começaria a mudar a partir dos anos 1980, quando a Black Sparrow Press, editora dos livros de Bukowski, tirou Pergunte ao pó do limbo. Foi a vez do discípulo salvar o mestre. Fante morreria em 8 de maio 1983, já cego devido ao diabetes. Dele, a Coleção L&PM Pocket publica 1933 foi um ano ruim e Sonhos de Bunker Hill.
“The Outsider”: a primeira a publicar Bukowski na América
segunda-feira, 1 abril 2013Os alternativos, os estranhos, os undergrounds, os rebeldes, os malditos. Eram estes que a “The Outsider”, revista literária dos anos 1960, publicava. Seu formato era pequeno e ela parecia ter de um mimeógrafo (talvez até saísse) e era montada à mão pelo casal Jon Edgar Webb e Gypsy Lou Webb, donos da Loujon Press, editora da revista. Charles Bukowski, Jack Kerouac e Lawrence Ferlinghetti foram alguns dos que ganharam destaque nas páginas da “The Outsider”.

Começo de carreira: ao lado da máquina do jovem Bukowski, volumes da “The Outsider” (clique sobre a imagem para ampliar)
Em 2007, foi feito um documentário, “The Outsiders of New Orleans: Loujon Press”, contando a história da famosa publicação e com depoimentos de Louise “Gypsy Lou”. Veja o trailer:
Dia de homenagear Bukowski
sábado, 9 março 2013O velho Buk se foi em 9 de março de 1994, vítima de leucemia. Tinha 73 anos. Deixou uma filha, muitos escritos e uma imensa saudade.
encurralado
bem, eles diziam que tudo terminaria
assim: velho. o talento perdido. tateando às cegas em busca
da palavraouvindo os passos
na escuridão, volto-me
para olhar atrás de mim…ainda não, velho cão…
logo em breve.agora
eles se sentam falando sobre
mim: “sim, acontece, ele já
era… é
triste…”“ele nunca teve muito, não é
mesmo?”“bem, não, mas agora…”
agora
eles celebram minha derrocada
em tavernas que há muito já não
frequento.agora
bebo sozinho
junto a essa máquina que mal
funcionaenquanto as sombras assumem
formascombato retirando-me
lentamenteagora
minha antiga promessa
definha
definhaagora
acendendo novos cigarros
servido mais
bebidastem sido um belo
combateainda
é.(Poema de Charles Bukowski publicado em Textos autobiográficos. Clique aqui e veja todos os livros de Bukowski publicados pela L&PM)
Bukowski no Dia da Ressaca
quinta-feira, 28 fevereiro 201328 de fevereiro é o Dia da Ressaca no Brasil (se você souber o porquê, nos conte). Em homenagem a todos aqueles que já passaram por esse sentimento de “cabeça pesada no dia seguinte”, aqui vai um poema de um dos maiores especialistas no assunto: o bom e velho Charles Bukowski.
Conselho amigável para muitos jovens
Vá para o Tibet.
Monte em um camelo.
Leia a bíblia.
Pinte seus sapatos de azul.
Deixe a barba crescer.
Dê a volta ao mundo numa canoa de papel.
Assine The Saturday Evening Post.
Mastigue apenas com o lado esquerdo da boca.
Case-se com uma perneta e se barbeie com uma navalha.
E entalhe seu nome no braço dela.
Escove os dentes com gasolina.
Durma o dia inteiro e suba em árvores à noite.
Seja um monge e beba chumbo grosso e cerveja.
Mantenha sua cabeça dentro d’água e toque violino.
Faça uma dança do ventre diante de velas cor-de-rosa.
Mate seu cachorro.
Concorra à prefeitura.
Viva num barril.
Rompa sua cabeça com uma machadinha.
Plante tulipas sob a chuva.Mas não escreva poesia.
Como ser um grande escritor, por Charles Bukowski
sexta-feira, 18 janeiro 2013Bukowski dá a receita no poema “como ser um grande escritor” do livro O amor é um cão dos diabos:
você tem que trepar com um grande número de mulheres
belas mulheres
e escrever uns poucos e decentes poemas de amor.não se preocupe com a idade
e/ou com os talentos frescos e recém-chegados;apenas beba mais cerveja
mais e mais cervejae vá às corridas pelo menos uma vez por
semanae vença
se possível.aprender a vencer é difícil -
qualquer frouxo pode ser um bom perdedor.e não se esqueça do Brahms
e do Bach e também da sua
cerveja.não exagere no exercício.
durma até o meio-dia.
evite cartões de crédito
ou pagar qualquer conta
no prazo.lembre-se que nenhum rabo no mundo
vale mais do que 50 pratas
(em 1977).e se você tem a capacidade de amar
ame primeiro a si mesmo
mas esteja sempre alerta para a possibilidade de uma derrota total
mesmo que a razão para esta derrota
pareça certa ou erradaum gosto precoce da morte não é necessariamente uma cosa má.
fique longe de igrejas e bares e museus,
e como a aranha seja
paciente
o tempo é a cruz de todos
mais o
exílio
a derrota
a traiçãotodo este esgoto.
fique com a cerveja.
a cerveja é o sangue contínuo.
uma amante contínua.
arranje uma grande máquina de escrever
e assim como os passos que sobem e descem
do lado de fora de sua janelabata na máquina
bata fortefaça disso um combate de pesos pesados
faça como o touro no momento do primeiro ataque
e lembre dos velhos cães
que brigavam tão bem?
Hemingway, Céline, Dostoiévski, Hamsun.se você pensa que eles não ficaram loucos
em quartos apertados
assim como este em que agora você estásem mulheres
sem comida
sem esperançaentão você não está pronto.
beba mais cerveja.
há tempo.
e se não há
está tudo certo
também.
Escritores que assinam embaixo
sexta-feira, 17 agosto 2012Quem não sonha em ter uma primeira edição assinada de próprio punho por um escritor famoso? Mesmo que algumas dessas assinaturas sejam praticamente ilegíveis, elas são pra lá de especiais, você não concorda? Veja aqui algumas delas e tente reconhecer os nomes (todos eles publicados pela L&PM). Caso tenha alguma dúvida, a resposta está no final do post.
Na ordem: James Joyce, Charles Bukowski, Arthur Conan Doyle, Edgar Allan Poe, Francis Scott Fitzgerald, J. D. Salinger, Jorge Luis Borges, Leon Tolstói, Mark Twain, Oscar Wilde, Pablo Neruda, Rainer Maria Rilke.
Os escritores e suas modalidades olímpicas
sexta-feira, 27 julho 2012Hoje, às 17h pelo horário de Brasília, acontecerá a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres. Nós aqui da L&PM já entramos no clima e separamos alguns escritores campeões em suas modalidades – e não estamos falando apenas de modalidades literárias.
Modalidade levantamento de copo. Jack Kerouac foi atleta de verdade e fazia parte do time de futebol americano da sua universidade. Mas por problemas no joelho acabou tendo que largar a vida esportiva. Costumava ser bom em levantamento de copo e corrida na estrada sem obstáculos.
Modalidade marcha de cachimbo. Georges Simenon, o criador do inspetor Maigret, não andava sem seu cachimbo. Na verdade, vê-lo sem seu apetrecho seria mais ou menos como ver um jogo de futebol sem bola.
































