Arquivo de setembro, 2017

Walden, o jogo

terça-feira, 26 setembro 2017

Em julho de 1845, desgostoso com o crescente comercialismo e industrialismo da sociedade americana, Henry David Thoreau deixou Concord, Massachusetts, sua cidade natal, para instalar-se à beira do Lago Walden. Essa experiência deu origem ao seu livro mais famoso. Publicado primeiramente em 1854 com o título Walden ou A vida nos bosques, é o relato de dois anos, dois meses e dois dias em que o autor viveu apartado da sociedade dos homens, suprindo as próprias necessidades, estudando, contemplando a natureza e conhecendo-se a si mesmo.

Pois eis que agora a obra mais famosa de Thoreau virou um game. Calma, nada a ver com aqueles jogos eletrônicos em que você tem que correr, pular, caçar e essas coisas enervantes que alguns. Como escreveu o colunista da Folha de S. Paulo, João Pereira Coutinho, em uma matéria publicada no Caderno Ilustrada da Folha, “Um jogo é competitivo, Walden é contemplativo. Thoreau iria gostar.”

Coutinho contou que baixou o jogo com o pé atrás, mas foi surpreendido:

“Quando soube da bizarria, ri alto: como transformar as meditações solitárias de Thoreau em videogame? (…) A desconfiança foi recuando quando soube que o jogo era patrocinado pela National Endowment for the Humanities, instituição que tudo tem feito para ressuscitar, com a dignidade inerente, a obra completa do autor. Comprei o jogo e iniciei a experiência” porque somos convidados a ser Thoreau, a ver o mundo pelos seus olhos, a tocar nos objetos com as suas mãos. (…) Então aceitei ser Thoreau. Caminhei pelo bosque. Fui recolhendo objetos, contemplando as árvores e reconhecendo a cabana incompleta que esperava por mim.”

WALDEN, A GAME custa U$ 18,45 (R$ 58). O download pode ser feito em www.waldengame.com e ele roda em PC e Macintosh.

Para sentir este clima, que tal dar uma olhada no trailer:

A L&PM publica Walden com apresentação de Eduardo Bueno e tradução de Denise Bottmann.

O dia em que a guitarra de Hendrix silenciou

segunda-feira, 18 setembro 2017

Na manhã de 18 de setembro de 1970, às onze e meia, Jimi Hendrix, 27 anos, foi declarado morto. Uma análise sanguínea identificou Vesparax, Seconal, anfetaminas e álcool. Houve controvérsias se teria sido ou não suicídio. Mas a maioria dos amigos defendeu que sua morte não foi intencional, mas sim um acidente. Em Jimi Hendrix, publicado na Coleção L&PM Pocket, conseguimos mergulhar na vida e na psiquê daquele que é considerado o maior guitarrista de todos os tempos, através do texto sensível e melódico do biógrafo francês Franck Médioni com tradução de Julia da Rosa Simões.

A imagem de Jimi Hendrix é a de um príncipe negro com chapéu de pirata, anéis nos dedos, penduricalhos no pescoço, falando com as estrelas. Restou sua música, de uma energia incrível. Uma música veemente com potencial de vida. Altamente energética e não menos supersônica, ela é parte de um mundo em que a arte ainda expressa o humano, traduz um ideal, e ainda não é um produto cinicamente classificado por seu valor comercial.

jimi chapeu

Jimi conhecia os poderes da música, que é de fato a rainha das musas, reunindo todas elas num mesmo movimento centrífugo. No impulso da partida, dos primórdios, desde a primeira inflexão, do primeiro riff, tocado na guitarra, ela é o presente eterno, a errância infinita. Às vezes, em sua batalha de cada instante, em sua corrida desenfreada, em sua violência impetuosa, ela não se diferencia do arrebatamento de uma dança.  

O vestido mais famoso do cinema

quinta-feira, 14 setembro 2017

Digamos que você tivesse uma máquina do tempo. Imagine que, ao entrar nela, fosse possível girar um botão e ir parar em Nova York há exatos 63 anos atrás. Neste caso, você provavelmente seria uma das pessoas que se acotovelaram para ver uma das cenas mais célebres do cinema: a louríssima, glamourosa e vaporosa Marylin Monroe mostrando as pernas enquanto seu vestido branco flutuava junto com os pensamentos daqueles que acompanhavam a gravação de O pecado mora ao lado.

“Na própria noite de chegada, 14 ou 15 de setembro de 1954, a produção planejou filmar no coração de Nova York uma curta cena em que a loura criatura se entrega inocentemente, no espaço de um instante, à volúpia de deixar o vestido se levantar em cima de um bueiro de metrô.” descreve o livro Marilyn Monroe, de Anne Plantagenet, Série Biografias L&PM.

O vestido em questão foi desenhado pelo estilista William Travilla que já havia criado modelos para o filme Os homens preferem as loiras. Travilla, que conhecia como ninguém as preferências da Fox, o estúdio responsável por O pecado mora ao lado, criou um vestido cujo tecido teria que ser tão leve a ponto de ter sua saia levantada pela corrente de ar do metrô. “Queria que ela parecesse fresca e limpa. Então me perguntei o que podia fazer com essa mulher tão linda para que aparecesse com uma imagem clara, pálida e adorável? Que tipo de vestido poderia ser levantado por uma brisa e que ao mesmo tempo fosse divertido e bonito?” disse Travilla na época. Foi durante um final de semana que Travilla desenhou os dez vestidos que Marilyn Monroe usaria no filme, entre ele um branco, simples, de verão, plissado e com as costas de fora que produziria um efeito mágico.

Marilyn Monroe "Seven Year Itch", 1955

A etiqueta do vestido de Marilyn com a assinatura de seu criador

Após a estreia da película, o vestido branco ficou com o estúdio que o vendeu para Debbie Reynolds. O mundo, no entanto, não se conformou e prostestou que queria vê-lo de perto. Assim, no final dos anos 50, Travilla conseguiu que Reynolds lhe emprestasse a peça para que ele pudesse fazer uma cópia exata, com os mesmos materiais e medidas. Foi a primeira e única vez que o estilista fez duas vezes a mesma peça.  A partir de então, a roupa mais célebre de Marilyn (ou pelo menos um clone dela) passou a participar de exposições pelo mundo.

Já o vestido original usando pela loira foi a leilão em junho de 2011 e acabou sendo arrematado pela “bagatela” de 4,6 milhões de dólares.

Millôr está na moda

sexta-feira, 8 setembro 2017

A marca carioca de roupas e calçados Reserva lançou uma nova coleção de camisetas com frases de Millôr Fernandes. Os temas escolhidos têm tudo a ver com o momento atual do Brasil. São aforismos centrados na política nacional que parecem ter sido escritos hoje. No entanto, foram criados por Millôr há cerca de 30 anos e se encontram no livro Millôr definitivo – A bíblia do caos que a L&PM publica em diferentes formatos.

Conheça algumas das frases das camisetas. E se quiser ver todas, clique aqui.

CAMISETA 2 MILLOR

CAMISETA FRANK MILLOR

CAMISETA TERRA A VISTA MILLOR

CAMISETA PRIVATIZACAO BRANCA MILLOR

CAMISETA VELHINHA MILOR

É a segunda vez que a Reserva lança uma linha temática de Millôr e, além de serem comercializadas no site da marca, as novas camisetas também estão à vendas nas lojas do Shopping Leblon e Rio Sul.

Camiseta exposta em loja do Shopping Leblon

Camiseta exposta em loja do Shopping Leblon

A Reserva sempre teve inúmeros motivos para admirar Millôr Fernandes. Um artista brasileiro com orgulho, como a gente. Com uma opinião forte, como a gente. E às vezes polêmico, como a gente. Com tantas semelhanças, resolvemos transformar nossa admiração em trabalho: assim nasceu a parceria Reserva + Millôr. Com um inconfundível tom de crítica, os desenhos e frases permanecem surpreendentemente atuais, graças ao talento atemporal do mestre Millôr. (Mensagem da Reserva em seu site)

Primeiro final de semana de grande movimento na Bienal do Rio

segunda-feira, 4 setembro 2017

O primeiro final de semana da Bienal Internacional do Livro do Rio foi bastante movimentado. Os corredores dos pavilhões ficaram lotados de gente que foi a procura de seus livros preferidos. Chamou atenção a quantidade de jovens circulando. No estande da L&PM, os livros mais procurados pela ala jovem foram os de Agatha Christie.

Bienal_findi

A Bienal segue até 10 de setembro e o estande da L&PM está no pavilhão azul. ;-)

Convite_Bienal2017

Leia, seja, apoie essa ideia

sexta-feira, 1 setembro 2017

Campanha de valorização à leitura transforma personalidades em personagens de clássicos da literatura.

Bernardinho, Washington Olivetto, Baby do Brasil, Bela Gil, Cauã Reymond e Pedro Bial são as estrelas de uma campanha de valorização do livro e do papel transformador da leitura que foi lançada oficialmente nesta quinta-feira, 31 de agosto, durante a abertura da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. A ação LEIA. SEJA. é uma realização do SNEL - Sindicato Nacional dos Editores de Livros e as peças da campanha foram criadas pela agência WMcCann.

Os astros da campanha foram escolhidos por sua paixão pelos livros e pela leitura e cada um deles assumiu um personagem da literatura:

Cauã Reymond é Dom Quixote de la Mancha, personagem criado por Cervantes.

Cauã Reymond é Dom Quixote de la Mancha, personagem criado por Cervantes.

Bela Gil virou Capitu, personagem de "Dom Casmurro", de Machado de Assis

Bela Gil virou Capitu, personagem de “Dom Casmurro”, de Machado de Assis

Pedro Bial é Sherlock Holmes, o famoso detetive criado por Sir Arthur Conan Doyle

Pedro Bial é Sherlock Holmes, o famoso detetive criado por Sir Arthur Conan Doyle

Bernardinho como Capitão Rodrigo, do livro "O tempo e o vento", de Érico Verissimo

Bernardinho como Capitão Rodrigo, do livro “O tempo e o vento”, de Érico Verissimo

Diretamente do Sítio do Picapau Amarelo: Washington Olivetto como Visconde de Sabugosa e Baby do Brasil como Emília

Diretamente do Sítio do Picapau Amarelo: Washington Olivetto como Visconde de Sabugosa e Baby do Brasil como Emília

O conceito desenvolvido pela agência parte da ideia de que, quando lemos, nos tornamos parte da história – ler estimula a imaginação, a criatividade e a inspiração; faz rir e chorar, refletir e viajar. Na campanha, as personalidades dão vida aos personagens, lendo trechos dos títulos escolhidos. Assim que fecham os livros, voltam a ser eles mesmos, com o semblante transformado pelo prazer e a reflexão que uma boa leitura oferece.

“O Brasil precisa com urgência de uma revolução de cidadania e ética, e acreditamos que a leitura tem um papel fundamental a desempenhar nessas áreas. A campanha LEIA.SEJA. quer mostrar exemplos de pessoas reconhecidas pelo público em geral, que tiveram suas trajetórias marcadas pelos livros de diferentes maneiras”, afirma Marcos da Veiga Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros. “Nosso desejo é que essa ação reverbere pelos meses seguintes, estimulando o hábito da leitura ao redor do país e propondo uma conscientização sobre o seu valor”, completa.

O grupo foi fotografado por Miro, um dos mais consagrados fotógrafos brasileiros, em cenários que remetem às obras. As imagens serão utilizadas em anúncios impressos, outdoors, mídia urbana Out Of Home (OOH) e mídia digital, espalhados por diversas partes do país.

Durante o lançamento oficial da campanha houve a transmissão de um filme sobre os bastidores da campanha e a divulgação da hashtag #LeiaSeja nas redes sociais, através da fanpage no Facebook (www.facebook.com/leiaseja) e do perfil no Instagram (@leiaseja).

Ao longo de toda a Bienal, que vai até 10 de setembro, o público poderá conferir uma exposição das fotos dos personagens, que estarão acompanhadas de vídeos com o making-of e depoimentos das personalidades sobre a influência dos livros em suas vidas pessoais e profissionais.

Além disso, modelos circularão pelos pavilhões da Bienal nos fins de semana e no feriado de 7 de setembro com os trajes que foram usados pelas celebridades, divulgando a campanha entre os visitantes.

E aí? Curtiu essa ideia? Então leia e seja o personagem que você quiser.