Arquivo de junho, 2017

China liberta Nobel da Paz Liu Xiaobo, vítima de câncer terminal

segunda-feira, 26 junho 2017

Via Folha de S. Paulo

Autoridades chinesas libertaram o vencedor do Prêmio Nobel da Paz Liu Xiaobo, 61, vítima de câncer de fígado em fase terminal.

Liu Xiaobo, professor, intelectual e dissidente chinês, cumpria uma pena de 11 anos de prisão por “subversão” desde 2009, depois de ter sido um dos autores de um texto que defendia a democracia na China.

“[Xiaobo] está sendo tratado em um hospital de Shenyang [nordeste da China]. Não tem nenhum plano especial. Ele está apenas recebendo tratamento por sua doença”, disse nesta segunda-feira (26) o advogado Mo Shaoping.

De acordo com Shaoping, a doença foi diagnosticada em 23 de maio e Xiaobo foi libertado sob condicional poucos dias depois. Ele ainda tinha três anos de condenação para cumprir.

O dissidente venceu o Nobel da Paz em 2010 por seu ativismo em defesa dos direitos humanos na China, quando já estava detido. Por sua ausência, o prêmio foi entregue de forma simbólica em 10 de dezembro do mesmo ano em Oslo. O ativista foi representado por uma cadeira vazia durante a cerimônia.

A atribuição do Prêmio Nobel provocou indignação na China, que congelou as relações de alto nível com a Noruega, o que afetou as exportações de salmão norueguês a China. Os dois países normalizaram as relações em dezembro de 2016. Pequim classificou Liu Xiaobo de “criminoso”.

Quando indagado sobre Liu, o Ministério das Relações Exteriores chinês, o único órgão do governo que responde perguntas da mídia estrangeira com frequência, disse não estar a par da situação.

A L&PM publica o livro de Xiaobo, Não tenho inimigos, desconheço o ódio, em versão impressa e e-book.

nao_tenho_inimigos

Madonna está lendo Sapiens

segunda-feira, 26 junho 2017

No início de junho, Madonna compartilhou uma foto no seu Instagram Stories com uma pilha de livros que está lendo. Entre eles, está Sapiens, que no Brasil é publicado pela L&PM.

O livro de Yuval Noah Harari é um best-seller mundial e está há 33 semanas na lista de mais vendidos da Revista Veja.

Madona Instagram

Em Sapiens – Uma breve história da humanidade, Harari repassa a história da humanidade, relacionando com questões do presente. E consegue isso de maneira surpreendente. Doutor em história pela Universidade de Oxford e professor do departamento de História da Universidade Hebraica de Jerusalém, seu livro impressiona pela quantidade de informação, oferecida em linguagem acessível, atraente e espirituosa.

 

Papai Bukowski

terça-feira, 20 junho 2017

Charles Bukowski teve uma única filha (que a gente saiba, pelo menos), Marina Louise. No livro Sobre o amor, que reúne poemas amorosos, está presente também o amor paterno. Para provar que dentro do peito do velho safado também batia um coração.

sobre_o_amor

Para os 18 meses de Marina Louise

sol sol
é minha pequena
menina
sol
no tapete -
sol sol
saindo pela
porta
colhendo uma
flor
esperando que eu
me levante
para brincar.

um velho
emerge
de sua
cadeira,
castigado de batalha,
e ela olha
e só

amor, no que eu
me transformo
por meio de sua
majestade
de seu infinito
e mágico
sol.

Na L&PM WebTV há um vídeo legendado com Marina falando sobre seu pai:

Garfield quase quarentão

segunda-feira, 19 junho 2017

Garfield está de aniversário hoje. Foi em 19 de junho de 1978 que sua primeira tirinha foi publicada em 41 jornais norte-americanos. Já pensou? Ano que vem ele vai ser quarentão!

O gato gordo, preguiçoso, sarcástico, dorminhoco e comilão, que adora comer lasanha e pizza, foi criado pelo desenhista Jim Davis e, em 2002, entrou para o Guiness Book como a tirinha mais publicada em jornais de todo o mundo.

Jim Davis, que tem 71 anos, cresceu rodeado por mais de 20 gatos e desde cedo mostrou que tinha jeito para o desenho. Quando resolveu juntar as duas coisas, seu sucesso foi imediato.

O gato laranja, gordo e resmungão, que adora dormir foi batizado com um dos nomes do avô de Jim Davis, – James Garfield Davis – Garfield começou por aparecer nos jornais. Em 1982 eram mil jornais, incluindo já imprensa estrangeira, e em 1987 subiu para dois mil.

As tirinhas de Garfield criaram todo um império: séries de TV, filmes, telefilmes, jogos de computador e dezenas de produtos com a marca Garfiled, como canecas, cartazes e bichos de pelúcia. Garfield também foi ainda usado em campanhas publicitárias, associado a marcas como McDdonald’s, American Express, Kellog’s e Campbell’s.

Além dos livros com as tiras de Garfield que podem ser encontrados em formato pocket, a L&PM também possui um grande livro da Série Ouro com 2.582 tiras de Garfield, incluindo, claro, aquela publicada em 19 de junho de 1978. Clique aqui para vê-la.

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Feliz aniversário Garfield!

Bloomsday: o único feriado do mundo que é dedicado a um livro

sexta-feira, 16 junho 2017

BLOOMSDAY

16 de junho é feriado na Irlanda. Batizado de Bloomsday, o dia é dedicado a Leopold Bloom, personagem criado por James Joyce  que habita as páginas de “Ulisses”, a mais famosa obra do escritor irlandês. Em “Ulisses”, Bloom vive sua Odisseia em apenas um dia: 16 de junho de 1904, enquanto caminha pela capital da Irlanda. Uma data tão emblemática que, desde o final dos anos 1920, os irlandeses a decretaram como feriado nacional e sempre preparam uma grande festa em Dublin.

O escritor James Joyce e o jornal com a data do Bloomsday: 16 de junho de 1904

O escritor James Joyce e o jornal com a data do Bloomsday: 16 de junho de 1904

Aqui no Brasil também tem comemoração no dia de hoje. Separamos alguns eventos que achamos interessantes. Se você souber de mais algum, é só avisar. ;-)

PORTO ALEGRE:

Local: Instituto Ling
Nome do evento: Bloomsday: Joyce era louco?
Horário: 19h30min com duração de 90 minutos
O que: A pergunta “James Joyce era louco?” foi feita pelo psicanalista francês Jacques Lacan em seu conhecido e divulgado Seminário 23. A partir dessa e de outras hipóteses, o escritor e tradutor de Joyce, Donaldo Schüler, lança o seu mais novo livro em Porto Alegre: “Joyce era louco?”. Schüler e as psicanalistas Laura Benites e Fernanda Bernd discutem os limites da loucura a partir da obra de James Joyce. O lançamento do livro será seguido de sessão de autógrafos. A entrada é franca, sujeita à lotação do espaço.Em paralelo e como prevê a tradição dessa festa literária que é o Bloomsday, a artista Elida Tessler estará ao longo de todo o dia 16 lendo o romance Ulysses no Instituto Ling.

SÃO PAULO:

Locais: Casa Guilherme de Almeida e Casa das Rosas
Nome do evento: 30º Bloomsday em São Paulo “Joyce, Lira e Delírio” – Por Marcelo Tápia e Ivan de Campos
Dia e Horário: 16/06 a partir das 18h e 17/06 a partir das 14h
Programação:
16/6
Casa Guilherme de Almeida – “Telêmaco e Circe”

O Bloomsday na Casa Guilherme de Almeida focalizará dois episódios de Ulysses: o primeiro do livro, “Telêmaco”, no qual há referência a um delírio, e o décimo quinto, “Circe”, escrito com a técnica da “alucinação”.

18h: Links diretos com o Bloomsday de Porto Alegre, com breve conversa com Donaldo Schüler, organizador do evento na capital gaúcha, e link direto com Dublin para conversa com Dirce Waltrick do Amarante e Sérgio Medeiros, organizadores do Bloomsday em Florianópolis.
18h30: Abertura, por Marcelo Tápia.
18h40: “Joyce e o cinema”: exibição do curta-metragem inédito Writers’ tears, realizado a partir de imagens de Dublin, por Marcelo Tápia e Donny Correia.
19h: Breve palestra de Donny Correia sobre o filme O retrato do artista quando jovem (1977), de Joseph Strick.
19h15: Leitura de um fragmento do capítulo inicial de Ulysses, por Ivan de Campos.
19h25: Leitura dramática de fragmento do capítulo inicial de Ulysses, com os atores Carlos Rahal e Neto Mahnic.
19h45: Leituras de fragmentos do episódio “Circe”, de Ulysses, em vários idiomas por Marcelo Tápia (português), Alzira Allegro (inglês), Aurora Bernardin (russo), Flávio Ricardo Vassoler (italiano), Simone Homem de Mello (alemão), Fares Saeb (hebraico), Tereza Jardini (espanhol), Sarolta Kobori (húngaro), João Eduardo Hidalgo (catalão), Chloé Bernabé di Rollo (francês), Yun Jung Im (coreano) e outros.
20h15: Link direto com performances do Bloomsday de Florianópolis, organizadas por Clelia Mello e alunos da UFSC.
20h25: Pocket-show com o cantor e compositor Cid Campos e o músico Felipe Ávila.
21h: Encerramento, com apresentação da banda de música irlandesa TUNAS, acompanhada de dança irlandesa, por Letícia Pires e convidadas.

17/6
Casa Guilherme de Almeida

14h às 18h: Oficina de tradução: Fragmentos do primeiro capítulo de Finnegans Wake

Por Daiane Oliveira, Larissa Lagos e Giovana Ursini
Depois de uma breve apresentação do primeiro capítulo de Finnegans Wake e da linguagem do romance de forma geral, a oficina demandará dos participantes um pequeno exercício de tradução: alguns fragmentos capítulo do livro serão traduzidos individualmente, no entanto, ao final, pretendemos ter apenas uma versão dos fragmentos traduzidos. Para se chegar a essa única versão da tradução, as ministrantes recorrerão à operação do acaso, à indeterminação, segundo o conceito do artista norte-americano John Cage.

Casa das Rosas – FORRÓ DO FINNICIUS
Na Casa das Rosas, a festança musical e dançante focalizará o romance Finnegans Wake, escrito em linguagem onírica.

18h: “Joyce era louco?” – Conferência do escritor e tradutor Donaldo Schüler.
19h: Leitura de fragmentos de Finnegans Wake por Marcelo Tápia, Donny Correia e Ivan de Campos.
19h15: Exibição de fragmento do filme Passages from James Joyce’s Finnegans Wake (1967), da diretora …
19h30: Breve workshop de dança irlandesa, por Letícia Pires e dançarinas convidadas.
19h45: Celebração festiva do Velório de Finnegan / Forró do Finnicius, com música e dança tradicional irlandesa, pela banda TUNAS e grupo de dançarinas.

BRASÍLIA:

Local: Sebinho Livraria, Café e Bistrô - CLN 406, Bloco C – Asa Norte
Nome do evento: 6ª edição do Bloomsday
Programação:

19h – Abertura com apresentação da Companhia de Dança Irlandesa Celtas do Cerrado
19h20 – Palestra do embaixador da Irlanda, Brian Glynn
19h40 – Comentários do jornalista Antônio Carlos Queiroz sobre cinema e literatura (Eisenstein & Joyce) com base em “Ithaca”, o penúltimo episódio de Ulysses
20h – Leitura dramática de trechos de “Ithaca” pela professora Michelle Alvarenga, da Universidade Católica, e pelo professor André Aires
20h20 – Leitura dramática de trechos do terceiro episódio “Proteus” por Jesse James
20h40 – Show musical da banda Clan C, com membros do Tanaman Dùl, junto com performance da Companhia de Dança Irlandesa Celtas do Cerrado

De James Joyce, a Coleção L&PM Pocket publica Dublinenses e Retrato do Artista Quando Jovem.

O Santo Antônio de Fernando Pessoa

terça-feira, 13 junho 2017

Fernando Antônio Nogueira Pessoa nasceu em 13 de junho de 1888, às 15h20min, no Largo de São Carlos e Lisboa. Era Dia de Santo Antônio e, coincidência ou não, sua mãe escolheu uma alcunha bem parecida com o nome original do santo: Antônio Fernando de Bulhões. No site português MultiPessoa, que divulga a obra do escritor e oferece material didático e de pesquisa, há um poema chamado “Santo Antonio”. Segundo consta, este é um dos poemas que estava dentro da arca em que Pessoa guardava a produção literária que ainda não havia saído em livro.

O pequeno Fernando Pessoa no colo da mãe, Maria Magdalena

SANTO ANTÓNIO

Nasci exactamente no teu dia —
Treze de Junho, quente de alegria,
Citadino, bucólico e humano,
Onde até esses cravos de papel
Que têm uma bandeira em pé quebrado
Sabem rir…
Santo dia profano
Cuja luz sabe a mel
Sobre o chão de bom vinho derramado!

Santo António, és portanto
O meu santo,
Se bem que nunca me pegasses
Teu franciscano sentir,
Católico, apostólico e romano.

(Reflecti.
Os cravos de papel creio que são
Mais propriamente, aqui,
Do dia de S. João…
Mas não vou escangalhar o que escrevi.
Que tem um poeta com a precisão?)

Adiante … Ia eu dizendo, Santo António,
Que tu és o meu santo sem o ser.
Por isso o és a valer,
Que é essa a santidade boa,
A que fugiu deveras ao demónio.
És o santo das raparigas,
És o santo de Lisboa,
És o santo do povo.
Tens uma auréola de cantigas,
E então
Quanto ao teu coração —
Está sempre aberto lá o vinho novo.

Dizem que foste um pregador insigne,
Um austero, mas de alma ardente e ansiosa,
Etcetera…
Mas qual de nós vai tomar isso à letra?
Que de hoje em diante quem o diz se digne
Deixar de dizer isso ou qualquer outra coisa.

Qual santo! Olham a árvore a olho nu
E não a vêem, de olhar só os ramos.
Chama-se a isto ser doutor
Ou investigador.

Qual Santo António! Tu és tu.
Tu és tu como nós te figuramos.

Valem mais que os sermões que deveras pregaste
As bilhas que talvez não concertaste.
Mais que a tua longínqua santidade
Que até já o Diabo perdoou,
Mais que o que houvesse, se houve, de verdade
No que — aos peixes ou não — a tua voz pregou,
Vale este sol das gerações antigas
Que acorda em nós ainda as semelhanças
Com quando a vida era só vida e instinto,
As cantigas,
Os rapazes e as raparigas,
As danças
E o vinho tinto.

Nós somos todos quem nos faz a história.
Nós somos todos quem nos quer o povo.
O verdadeiro título de glória,
Que nada em nossa vida dá ou traz
É haver sido tais quando aqui andámos,
Bons, justos, naturais em singeleza,
Que os descendentes dos que nós amámos
Nos promovem a outros, como faz
Com a imaginação que há na certeza,
O amante a quem ama,
E o faz um velho amante sempre novo.
Assim o povo fez contigo
Nunca foi teu devoto: é teu amigo,
Ó eterno rapaz.

(Qual santo nem santeza!
Deita-te noutra cama!)
Santos, bem santos, nunca têm beleza.
Deus fez de ti um santo ou foi o Papa? …
Tira lá essa capa!
Deus fez-te santo! O Diabo, que é mais rico
Em fantasia, promoveu-te a manjerico.

És o que és para nós. O que tu foste
Em tua vida real, por mal ou bem,
Que coisas, ou não coisas se te devem
Com isso a estéril multidão arraste
Na nora de uns burros que puxam, quando escrevem,
Essa prolixa nulidade, a que se chama história,
Que foste tu, ou foi alguém,
Só Deus o sabe, e mais ninguém.

És pois quem nós queremos, és tal qual
O teu retrato, como está aqui,
Neste bilhete postal.
E parece-me até que já te vi.

És este, e este és tu, e o povo é teu —
O povo que não sabe onde é o céu,
E nesta hora em que vai alta a lua
Num plácido e legítimo recorte,
Atira risos naturais à morte,
E cheio de um prazer que mal é seu,
Em canteiros que andam enche a rua.

Sê sempre assim, nosso pagão encanto,
Sê sempre assim!
Deixa lá Roma entregue à intriga e ao latim,
Esquece a doutrina e os sermões.
De mal, nem tu nem nós merecíamos tanto.
Foste Fernando de Bulhões,
Foste Frei António —
Isso sim.
Porque demónio
É que foram pregar contigo em santo?

Na Coleção L&PM Pocket, há a série Fernando Pessoa, com sete livros do mestre português.

Lovecraft ensina a pronunciar “Cthulhu”

quinta-feira, 1 junho 2017

Acaba de chegar à Coleção L&PM Pocket, O chamado de Cthulhu e outro contos, de H. P. Lovecraft. E bastou chegar pro pessoal começar a perguntar: mas, afinal, como se pronuncia essa palavra alienígena do título? Cutulo? Chulhu? Ctulho? Ó céus… Como pedir esse livro na livraria? Calma! Não é fácil mesmo.

O próprio Lovecraft não tinha uma resposta definitiva a respeito. Afinal, é um nome criado em um idioma horripilantemente interplanetário.

Em uma carta que ele enviou a um certo amigo (que questionara sobre como ele deveria dizer Cthulhu), Lovecraft escreveu:

“O nome da entidade infernal foi inventado por seres cujos órgãos vocais não eram como os do homem, portanto, não tem relação com o equipamento de fala humana. As sílabas foram determinadas por um equipamento fisiológico completamente diferente do nosso, portanto nunca poderia ser proferido perfeitamente por gargantas humanas… O som real — o mais próximo dele que podem chegar os órgãos humanos de pronunciá-lo ou a caligrafia humana de reproduzi-lo — seria algo como Khlûl’-hloo, sendo a primeira sílaba muito gutural e viscosa.”

Entendeu alguma coisa? Não né? Digamos que você terá que grunhir, ladrar ou tossir para pronunciar algo como “Cluh-Luh” com a ponta da língua firmemente grudada no céu da boca. No Youtube há um vídeo bem engraçado que tenta ensinar a pronúncia aos leitores a partir da descrição de Lovecraft. Vale tentar:

O conto O chamado de Cthulhu foi escrito por Lovecraft em 1926 e deu origem aos chamados “Mitos de Cthulhu”, denominação sob a qual parte de sua obra foi reunida depois que o escritor morreu. Ah e pra facilitar a gente prefere dizer “Ctulu”. Assim bem simples.

O_chamado_de_Cthulhu