Arquivo de maio, 2015

G. K. Chesterton, o criador do Padre Brown

sexta-feira, 29 maio 2015

O que há de mais acreditável nos milagres é que eles acontecem. Algumas nuvens no céu agrupam-se para formar um olho humano. Uma árvore destaca-se na paisagem de uma jornada duvidosa na forma exata e elaborada de um sinal de interrogação. Eu mesmo vi as duas coisas nos últimos dias. Nelson morre, de fato, no instante da vitória; e um homem chamado Williams mata de forma completamente acidental um homem chamado Williams Jr., isso soa meio como um infanticídio. Resumindo, na vida existe um elemento mágico nas coincidências que as pessoas ao pensar no prosaico talvez nunca notem. Como bem expressa o paradoxo de Poe, a sabedoria tem que levar em conta o inesperado.

O texto acima está em A inocência do Padre Brown, de G. K. Chesterton (Coleção L&PM Pocket), livro que traz doze histórias sobre crimes misteriosos. O londrino Chesterton, que  nasceu em 29 de maio de 1874, criou um padre detetive que utiliza a intuição – além de métodos excêntricos – para desvendar os crimes. Além de suas histórias de mistério, Chesterton conquistou legiões de fãs com poesias, epopeias, artigos jornalísticos, livros de crítica literária e romances. Segundo Jorge Luis Borges, nenhum outro escritor foi capaz de lhe proporcionar tantas horas felizes quanto Chesterton.

Chesterton e sua esposa, Frances.

Chesterton e sua esposa, Frances.

 

Rooney Mara premiada como melhor atriz em Cannes pelo no filme “Carol”

terça-feira, 26 maio 2015

A história de amor entre duas mulheres de idades e classes sociais diferentes. Este é o storyline de “Carol”, filme baseado no livro de Patricia Highsmith escrito em 1953 e cujo título original é The Price of Salt. “Carol” tem direção de Todd Haynes como personagens principais estão Cate Blanchett e Rooney Mara. O filme está previsto para chegar aos cinemas em dezembro, mas, exibido no Festival de Cannes no final de semana passado, ele já levou dois prêmios: melhor atriz para Rooney Mara e o “Queer Palm 2015″ que destaca, a cada ano, um filme de temática homossexual, bissexual ou transex. Enquanto dezembro não chega, você pode assistir algumas cenas do filme na entrevista com a equipe em Cannes:

Rooney Mara é Therese Belivet, aspirante a cenógrafa que trabalha como vendedora na seção de bonecas de uma loja de departamentos e Cate Blanchet é Carol, uma bela e elegante mulher recém separada e mãe de uma filha que, na época do Natal, em meio à loja lotada, chama atenção de Therese. A vendedora fica hipnotizada por ela: “Alta e clara, com um longo corpo elegante dentro de um casaco de pele folgado (…), seus olhos eram cinzentos, claros e, no entanto, dominadores, como luz ou fogo” – assim começa o livro.

A L&PM publica Carol na Coleção L&PM Pocket e está prevendo também uma nova edição em formato maior..

cate01

(Cuidado que a seguir há um Spoiler!!!)

Escrevendo inicialmente sob o pseudônimo de Claire Morgan, Patricia Highsmith criou um romance que aborda uma relação amorosa entre mulheres que, pela primeira vez na literatura, teve um final feliz. Mas não pense que esta é uma simples história de amor: a escritora criou uma trama cheia de aventura, suspense e contornos noir.

“Sapiens” ganha destaque em Brasília

sexta-feira, 22 maio 2015

Sapiens, de Yuval Noah Harari, é um livro sobre nós todos: seres humanos. Ler suas páginas é mergulhar no nosso passado, mas principalmente no nosso futuro, pois ele não mostra apenas de onde viemos, mas questiona para onde vamos.

O jornal de Brasília Correio Braziliense dedicou uma página inteira ao livro e a seu autor, o israelense Yuval Noah Harari. Clique sobre a imagem para ler a matéria assinada por Nahima Maciel:

C08-DEA-1705.qxd

Clique sobre a imagem para ampliar e ler a matéria

 

O verdadeiro Sherlock Holmes

sexta-feira, 22 maio 2015

WisherNem todo mundo sabe, mas o mais famoso detetive da literatura, Sherlock Holmes, criado por Sir Arthur Conan Doyle, foi inspirado em um homem de carne e osso. Seu nome era Jonathan Whicher e ele era um dos oito investigadores da Scotland Yard em meados do século XIX, na Inglaterra vitoriana. Conhecido como o “príncipe dos detetives”, pela sua capacidade de dedução e percepção apurada, Whicher foi o inspetor designado para solucionar um trágico caso: o de um garoto de três anos sequestrado e degolado na casa de campo dos seus pais, o casal Mary e Samuel Kent, na manhã de 29 de junho de 1860. O crime escandalizou a sociedade inglesa e ficou conhecido como “o assassinato de Road Hill”. A forma como Whicher solucionou o caso o tornou famoso e desencadeou uma “febre detetivesca”. Mas, cá entre nós, a fama dele não chegou nem aos pés de Sherlock Holmes, né?

Conheça os livros de Sir Arthur Conan Doyle publicados pela L&PM Editores.

É ou não é Shakespeare, eis a questão

terça-feira, 19 maio 2015

O historiador e botânico britânico Mark Griffith acaba de plantar uma polêmica: ele afirma ter encontrado aquele que seria o único retrato fiel do dramaturgo William Shakespeare (1564-1616). Griffith diz ter chegado à identificação do bardo em uma gravura do final do século XVI após de ter decifrado um quebra-cabeça engenhoso.

O botânico defende que a gravura mostra Shakespeare por volta dos 33 anos. Ele teria descoberto que se tratava do autor de Hamlet quando pesquisava a biografia de John Gerard (1545-1612), um pioneiro da botânica a quem se deve a monumental obra de referência The Herball or Generall Historie of Plantes, um calhamaço de quase 1500 páginas originalmente publicado em 1597.

Dos exemplares dessa primeira edição que chegaram até aos nossos dias, só uma dezena preserva a página de rosto, decorada com uma gravura de autoria de William Rogers, na qual figuram quatro personagens que, até então, todos achavam que teriam saído da imaginação do artista. Até a tese de Griffith.

Ele defende que Rogers figurou quatro pessoas reais e que os motivos vegetais e heráldicos que rodeiam cada uma das personagens revelam a respectiva identidade. Ainda de acordo com o investigador, seriam elas o próprio autor do livro, John Gerard, um famoso botânico flamengo, Rembert Dodoens, o tesoureiro-mor da Rainha Isabel, Lord Burghley, e William Shakespeare.

A identificação do dramaturgo inglês apoia-se no fato de que a quarta figura representada por Rogers segura uma espiga de milho e uma fritilária, planta da família das liliáceas, motivos que apontariam para o poema Venus e Adônis, de Shakespeare, e para a sua peça Tito Andrônico.

O achado de Griffith foi relevado pela revista britânica Country Life, que o rotulou como “a descoberta literária do século”. Uma declaração um pouco imprudente, dizem alguns, já que a solidez da prova é um tanto quanto duvidosa e existe um histórico de retratos de Shakespeare que foram apresentados e contestados nos últimos anos. Mas não deixa de ser curioso mesmo assim.

Shakespeare novo3

Shakespeare novo2

A L&PM Editores possui uma coleção inteira dedicada a Shakespeare. Veja aqui.

Pesquisadores identificam Machado de Assis em foto histórica sobre abolição

terça-feira, 19 maio 2015

“Onde está Machado?”. Este é o título da matéria da Folha de S. Paulo que traz a incrível foto feita no dia 17 de maio de 1888, quatro dias depois da assinatura da Lei Áurea, e onde pesquisadores do portal Brasiliana Fotográfica identificaram a presença do escritor Machado de Assis. O título é perfeito, já que há uma multidão na imagem.

A divulgação dessa descoberta foi feita exatamente no aniversário da foto, domingo passado, em 17 de maio de 2015.

Essa fotografia mostra a missa campal celebrada em São Cristóvão, no Rio, em homenagem à abolição da escravatura e que reuniu cerca de 30 mil pessoas. A imagem foi registrada pelo fotógrafo Antonio Luiz Ferreira e pertence hoje à coleção do IMS (Instituto Moreira Salles). No canto esquerdo, está a princesa Isabel e seu marido, o conde D’Eu. Analisando a foto, os pesquisadores notaram a presença de Machado de Assis à direita, próximo ao casal real.

MACHADO ONDE

Clique sobre a imagem para ampliá-la e passear por ela em uma interação feita pela Folha de S. Paulo

A equipe da Brasiliana Fotográfica, portal que foi lançado em abril deste ano, digitalizou a fotografia em alta resolução e se dedicou a examinar os detalhes da cena. O palco em que está a princesa Isabel foi ampliado 15 vezes e isso fez com que eles notassem um homem bastante semelhante ao autor de “Dom Casmurro”. Depois disso, especialistas em Machado confirmaram se tratar mesmo dele.

MACHADO PRINCESA

Olha o Machado aqui!

Historicamente, esta descoberta é bastante importante porque, segundo Ubiratan Machado, autor de “Dicionário de Machado de Assis” e um dos principais estudiosos da documentação machadiana, a presença do escritor na missa era “fato até hoje desconhecido pelos biógrafos”.

Já Valentim Facioli, professor aposentado da USP, dono da editora Nankin e pesquisador de Machado há 50 anos, ainda está desconfiado: “Não bato o martelo de que é Machado, mas realmente parece muito com ele”.

O inglês John Gledson, outro estudioso do autor também disse que realmente se parece muito com o escritor brasileiro, mas há uma coisa que lhe intriga: “Me surpreende que ele estivesse tão perto da princesa. Ele não era exatamente membro da elite, embora já fosse famoso na época”.

Sergio Faraco nos conta sobre seu encontro com Eduardo Galeano em 2008

segunda-feira, 18 maio 2015

PAVANA PARA UM SEDUTOR

Sergio Faraco*

A foto de Zero Hora de 17 de abril, na página de Roger Lerina, em que estamos juntos Eduardo Galeano e eu, foi tirada em 2008, durante a 54ª Feira do Livro de Porto Alegre. Para a L&PM, eu já traduzira dois livros dele, e mais tarde traduziria sua obra mais notória, “As veias abertas da América Latina”. Não era nosso primeiro encontro, que tinha sido em 1998, no Hotel Plaza San Rafael. O editor Ivan Pinheiro Machado me encomendara a tradução do livro “Patas arriba: la escuela del mundo al revés” e pediu que eu fosse ao hotel, pois Eduardo queria me conhecer.

Um tanto dispersa é minha memória dessa visita. Falamos de Shakespeare, isto eu lembro, porque justo naqueles dias eu estava terminando de ler as peças do inglês para organizar um volume de suas frases lapidares. Lembro também que falei muito e ele pouco, e tenho absoluta certeza de que não conversamos sobre o livro que eu ia traduzir nem sobre minha experiência de tradutor. Acho que ele só queria ter uma ligeira ideia sobre o fulano que ia reescrever seu livro em português.

Se não pude conservar melhor lembrança foi em virtude da impressão que Eduardo me causou, certa emoção que se antepunha às palavras e como as apagava, tão desnecessárias pareciam. Era inacreditável. Era como se estivesse a conversar com ele desde sempre e desde sempre gostasse dele como se gosta de um irmão ou de um verdadeiro amigo.

Este foi o Eduardo que conheci e que lembro tanto, apesar de termos nos visto apenas três ou quatro vezes. Como se ele estivesse sempre com a mão em meu ombro, como nessa foto de 2008. Ele foi sobremodo admirado por seu fremente humanismo, por seu combate contra todos os matizes da opressão, por sua percepção de grandezas em pequenas coisas da vida social, por escrever tão bem e, igualmente, por suas conferências, em que a política e a história caminhavam de mãos dadas com a poesia. Mas o fato é que ele te cativava até em silêncio.

Sergio Faraco e Eduardo Galeano na Feira do Livro de Porto Alegre 2008 / Arquivo pessoal

Sergio Faraco e Eduardo Galeano na Feira do Livro de Porto Alegre 2008 / Arquivo pessoal

*Escritor e tradutor. É autor, entre outros, de Lágrimas na chuvaDançar tango em Porto Alegre Contos completos.

Próxima parada: a biografia de Antonio Bivar em peça

sexta-feira, 15 maio 2015

bivar_peca_proxima_parada

Dois autores de destaque nos anos 70. Jovens autores premiados que deixaram voluntariamente o país durante a ditadura militar e que foram representantes do movimento da contracultura. Esse é o ponto de partida do projeto “Próxima Parada”, fruto de uma pesquisa em torno de textos teatrais, biografias e outras obras dos dramaturgos José Vicente (1945-2007) e Antonio Bivar.

No ano em que o Brasil comemora 30 anos do fim do regime militar, o ineditismo do projeto “Próxima Parada” vem do foco no percurso de ambos os autores e de personagens de suas obras, entrelaçando histórias reais e ficcionais, dados históricos e políticos, e depoimentos recolhidos através das cartas que José Vicente e Antonio Bivar trocaram ao longo de anos de amizade e de viagens feitas pela Europa e América Latina, atingindo a dramaturgia, a interpretação, a cenografia e demais elementos cênicos.

O projeto “Próxima Parada” nasceu em 2013, durante ateliê realizado no Centro Cultural Calouste Goulbenkian, ministrado por Cesar Augusto e Marcelo Valle, ambos membros fundadores da Cia dos Atores, renomado grupo teatral carioca. Em seguida, durante oficina no Teatro Ipanema, foram pesquisadas as obras “Hoje é dia de rock”, de José Vicente, que teve montagem histórica neste mesmo teatro, e “Verdes vales do fim do mundo”, de Bivar. E, por fim, no próprio Espaço SESC , teve continuidade a pesquisa por técnicas e experimentos voltados para o desenvolvimento do trabalho autoral dos atores.

No final do ano de 2014, Cesar Augusto se encontra com Antonio Bivar em São Paulo para debater suas obras teatrais, como “Cordélia Brasil”, “O cão siamês ou Alzira Power”, “Longe daqui, aqui mesmo”; livros como “O que é punk”, em que o autor revela o movimento que sacudiu o fim dos anos 70; e suas autobiografias “Verdes vales do fim do mundo” (1985), “Longe daqui, aqui mesmo” (1995) e “Mundo adentro, mundo afora”, estes três lançados pela L&PM Editores.

SERVIÇO

Local: Teatro Café Pequeno (Rua Ataulfo de Paiva, 269, Leblon)

Datas: de 08 a 31 de maio de 2015

Horários: sexta a domingo, 20h

Bilheteria: (21) 2294-4480

Ingressos: R$ 30,00 (inteira) / R$ 15,00 (meia) / R$ 10,00 (estudantes de Artes Cênicas apresentando comprovação de matrícula)

Classificação etária: 16 anos

Duração: 70 minutos

 

Repórter americano que contesta versão da morte de Bin Laden é autor da L&PM

terça-feira, 12 maio 2015

Uma matéria publicada na última edição da revista britânica London Review of Books está causando furor pelo mundo. Nela, o repórter americano Seymour Hersh, ganhador do Prêmio Pulitzer, contesta a versão da Casa Branca para a morte de Osama Bin Laden. Hersh afirma que o fim do fundador da Al-Qaeda não foi resultado de uma complexa operação de inteligência, perseverança e determinação do governo dos EUA - como mostrou o premiado filme A Hora mais Escura. Segundo ele, Bin Laden não estava escondido em uma casa quando foi morto, mas era mantido prisioneiro das forças armadas paquistanesas que teriam capturado o terrorista logo depois da queda do Talibã. Segundo suas declarações, a CIA não chegou até seu esconderijo graças a técnicas de interrogatório, mas sim através do pagamento de US$ 25 milhões para uma fonte ligada às autoridades paquistanesas. O cadáver de Bin Laden também não teria sido sepultado no Oceano Índico e provavelmente foi lançado sobre as montanhas que separam o Paquistão do Afeganistão.

Não é de hoje que Seymour Hersh causa polêmica. Jornalista investigativo especialista em assuntos militares dos EUA, ele vem fazendo revelações bombásticas desde a Guerra do Vietnã. Em seu livro O lado negro de Camelot, publicado no Brasil pela L&PM, por exemplo, ele mostrou um John F. Kennedy que as pessoas ainda não conheciam: inconsequente, infiel, instável. Ou seja: revelar as falsidades escondidas nas reentrâncias do governo norteamericano é sua especialidade.

O lado negro de Camelot

O livro de Seymour Hersh foi publicado pela L&PM em 1998

Aliás, ele não deixou de alfinetar o atual presidente dos EUA em sua reportagem sobre Bin Laden: “Isso é falso, como são muitos outros elementos da versão do governo Obama. A história da Casa Branca poderia ter sido escrita por Lewis Carroll…”

Aliás, por falar no autor de Alice no País das Maravilhas, este livro também é publicado pela L&PM. ;-)

Dalí, um garoto-propaganda surreal

segunda-feira, 11 maio 2015

Para comemorar o aniversário de Salvador Dalí, que nasceu em 11 de maio de 1904, separamos esse comercial sen-sa-cio-nal dos chocolates Lanvin. A propaganda, que traz como protagonista o autor de Libelo contra a arte moderna,  foi gravada em 1969 e tem direito até a bigodinho dançante. O Núcleo de Comunicação da L&PM nunca se divertiu tanto com um vídeo, aproveitem: