Arquivo de agosto, 2011

O papa é culpado?

quarta-feira, 31 agosto 2011

Na Páscoa de 2010, Geoffrey Robertson escreveu um breve comentário para o Guardian e o Daily Beast, no momento que era esperado que o papa Bento XVI comentasse (embora não o tenha feito) a crise em sua Igreja causada pelas revelações no mundo todo de abusos sexuais cometidos por padres. Robertson argumentou que os casos de estupro e assédio sexual cometidos contra crianças de forma ampla e sistemática poderiam ser configurados como crimes contra a humanidade, e que o líder de qualquer organização que proteja seus membros criminosos da justiça poderia ser responsabilizado em um júri internacional. Explicou também que a tese de inimputabilidade do papa por ser um chefe de Estado – da Santa Sé, no caso (uma ideia usada recentemente em sua defesa pelo governo Bush em tribunais dos Estados Unidos) – estava aberta a sérios questionamentos, uma vez que tem como base o parco acordo feito com Mussolini em 1929, o que não se compara à soberania das nações independentes.

Antes da publicação do artigo, o próprio Robertson acreditava que suas palavras passariam despercebidas e que logo cairiam no esquecimento. Mas um ousado subeditor decidiu publicar seu texto com a manchete “Colocando o papa na mira“. Foi uma ideia corajosa que transformou imediatamente o artigo em notícia internacional. E de notícia internacional, ele virou livro. The case of the pope é o título original de O papa é culpado?, o polêmico, revelador e perturbador livro de Geoffrey Robertson. 

Robertson não é o único que, através de seu trabalho, luta a favor dos direitos humanos e tenta mostrar que o Vaticano tem sua parcela de culpa. Em 1933, Diego Rivera retratou o papa pró-fascista Pio XI abençoando Mussolini, enquanto seu esquadrão da morte assassina o parlamentar democrata Matteotti.

MUSSOLINI, 1933. Pintado por Diego Rivera na Nova Escola de Trabalhadores em Nova York. Afresco 1,83 x 1,52 m

43. Duas décadas com a Turma da Mônica

terça-feira, 30 agosto 2011

Por Ivan Pinheiro Machado*

Paulo Lima, o “L” da L&PM, foi o primeiro de nós dois a ter filho. E vendo o fascínio que Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali, Bidu e o resto da turma exerciam sobre Marcello (que na época devia ter uns 8 anos), ele botou na cabeça que iria editar Mauricio de Sousa, o criador da Turma da Mônica.

Era final do ano de 1987. Depois de vários contatos paralelos com amigos comuns, secretárias e assessores, finalmente o Lima conseguiu um encontro com o Mauricio. Consagrado como a tira de maior circulação entre os jornais brasileiros, e também como o campeão de vendas de revistas do país, Mauricio havia mudado de editora, passara da Abril para a Globo, e com isso conseguiu flexibilizar uma relação que era muito rígida nos tempos da editora Abril. No novo contrato, ele poderia administrar a sua obra em livro. Portanto, surgia a possibilidade de uma colaboração entre L&PM e os estúdios Mauricio de Sousa, um enorme complexo de produção editorial que envolve cerca de 300 pessoas entre roteiristas, desenhistas e administradores. Propusemos ao Maurico a edição de uma coleção de luxo, em capa dura, colorida com as principais aventuras da turma. Seriam 8 volumes com as melhores histórias da Mônica, Magali, Cebolinha, Cascão, Chico Bento, Bidu, Tina e Penadinho, com caixa especial que abrigaria a coleção e um display exclusivo para a venda nas livrarias. E mais, o livro seria comercializado também em Portugal.

Acertados os detalhes, assinamos os contratos e começamos a executar este grande projeto. Não foi fácil. Na era pré-digital, uma produção a cores, além de caríssima, exigia um enorme trabalho, principalmente nos fotolitos. A técnica de preparação dos filmes escolhida foi a de “separação de cores”. Em poucas palavras, esta técnica funciona assim: quando da confecção dos fotolitos (que já não existem mais, hoje é tudo digital) é feita a indicação de cada cor sobre a arte que é desenhada em branco & preto. A cor só aparecia na impressão. Imaginem o trabalhão…

As edições em luxo editadas em 1991

Enquanto eram aprontadas as artes, negociávamos com Portugal, onde Mauricio já era muito conhecido. Mandamos uma cópia das artes para o importador e recebemos uma carta muito curta que dizia mais ou menos o seguinte: “Está tudo muito bem, mas para vender cá em Portugal é preciso que estas bandas desenhadas sejam traduzidas para o Português…” Com isso tivemos que fazer modificações importantes nos textos, do tipo, eliminar todos os gerúndios ou, onde estava escrito “fazendo”, alterar para “está a fazer”. Trem virou  “comboio”, ônibus se transformou em “autocarro”, camiseta mudou para “camisola” e assim por diante. Feito isso, foram exportadas para Portugal 5 mil coleções que venderam rapidamente. Ao mesmo tempo, em março de 1991, também com enorme sucesso, lançamos em todas as livrarias do Brasil a coleção “As melhores histórias da Turma da Mônica.

No começo dos anos 2000 voltamos a editar a Turma da Mônica. Agora na coleção L&PM Pocket. Já fizemos dez volumes e vamos fazer mais dez. Também com enorme sucesso. No final do mês de agosto deste ano de 2011 o Lima e eu fomos a cidade Passo Fundo, no planalto médio do Rio Grande do Sul, para a inauguração da famosa Jornada Literária em na sua 14ª edição. Fazia um frio de rachar e ao chegarmos na cidade encontramos um dos participantes mais célebres da Jornada: justamente Mauricio de Sousa.

Vendo a verdadeira comoção que Mauricio causava por onde passava, a correria de crianças e adultos em busca de um autógrafo ou de uma foto, eu refleti sobre o extraordinário trabalho deste grande desenhista brasileiro. Há 20 anos quando fizemos nossos belos álbuns a cores ele já era uma celebridade. O tempo melhorou o desenho, as histórias e seu prestígio continua intocado. Este homem modesto e gentil, sempre atencioso com os seus milhares de admiradores tem verdadeira obsessão pela novidade. Ele, que já viu gerações se sucedendo num ritual de amor com a Turma da Mônica, hoje é uma unanimidade. Mauricio de Sousa é um dos maiores fenômenos culturais brasileiros dos últimos 40 anos.

Encontro na Jornada Literária de Passo Fundo deste ano: Ivan Pinheiro Machado, Mauricio de Sousa, Paulo Lima e Edgar Vasques

*Toda terça-feira, o editor Ivan Pinheiro Machado resgata histórias que aconteceram em mais de três décadas de L&PM. Este é o quadragésimo terceiro post da Série “Era uma vez… uma editora“.

“On the road, o manuscrito original” será lançado em pocket

terça-feira, 30 agosto 2011

No ano em que On the road – o manuscrito original completa 60 anos, a L&PM comemora este aniversário editando a famosa “escritura” de Jack Kerouac em pocket. A L&PM Editores trouxe o manuscrito original para o Brasil em 2008, no formato convencional e com tradução de Eduardo Bueno e Lúcia Brito. Na coleção de bolso, seu texto será integral e suas 464 páginas incluirão a longa introdução de Howard Cunnel. Em seu texto, Cunnel conta, entre outras, a história do famoso rolo de telex em que Jack Kerouac escreveu sua história. Vale a pena ler um trecho desta apresentação para entrar no clima:

“A estrada já foi contada”, disse Jack Kerouac em uma carta de 22 de maio de 1951, enviada de Nova York a seu amigo Neal Cassady, que estava no Oeste, em San Francisco. “Chegou rápido porque a estrada é rápida.” Kerouac disse a Casssady que entre os dias 2 e 22 de abril havia escrito “um romance inteiro de 125.000 [palavras]… A história é sobre você e eu e a estrada”. Ele havia escrito “tudo em um rolo de papel com 36 metros de comprimento… simplesmente inserido na máquina de escrever e sem qualquer divisão de parágrafos… deixando que o papel se desenrolasse sobre o chão e que aspecto do rolo lembrasse o de uma estrada”. (…)

O manuscrito original de Kerouac é itinerante e anda de museu em museu

Quando ocorreu a Kerouac pela primeira vez a imagem do papel em rolo? Um longo rolo de papel que o fazia lembra-se da estrada no qual podia escrever em um fluxo rápido e contínuo. De modo que este papel em rolo se tornasse uma página sem fim. Está claro que o rolo, mais do que uma descoberta, foi algo conscientemente concebido por Kerouac. Ele cortou o papel em oito partes, com diferentes extensões, e o formatou para que coubesse na máquina de escrever. As marcas de lápis e os cortes de tesoura ainda são visíveis. Então ele uniu as partes com fita adesiva. Não se pode precisar se ele colou as folhas enquanto as concluía ou se esperou até que estivesse tudo pronto para então colá-las e uni-las.”

A história de como Jack Kerouac escreveu On the Road, há 60 anos, se transformou em lenda. Entre as curiosidades, está também o fato de que, no manuscrito original, os personagens principais se chamam Jack e Neal (os nomes Sal Paradise e Dean Moriarty surgiram depois, para a edição revisada de On the road, publicada pela primeira vez em 1957).

A previsão de lançamento de On the road – o manuscrito original em pocket é final de outubro. Clique aqui e conheça todos os títulos de Jack Kerouac publicados na L&PM.

Um filme embebido em Rum

segunda-feira, 29 agosto 2011

Rum: Diário de um jornalista bêbado, de Hunter S. Thompson, já tem data de estreia nos cinemas. Dia 28 de outubro, The Rum Diary chega às salas dos EUA com Johnny Depp no papel principal e roteiro e direção de Bruce Robinson. O primeiro trailer foi divulgado na semana passada e nós fizemos uma versão legendada para você não perder nenhuma “piada”. Aliás, pelo que deu pra perceber neste trailer, a proposta é quase de uma película cômica. A pergunta que fica no ar é o que Hunter Thompson acharia desta adaptação de Rum, já que, em janeiro de 2001, ele enviou um furioso fax para a produtora executiva do Shooting Gallery (estúdio que havia comprado os direitos de filmagem de Rum, mas que acabou falindo), reclamando do processo de adaptação do livro. Será que dessa vez ele não reclamaria de nada?

Hunter Thompson acabou morrendo sem ver Rum nas grandes telas. Mas Johnny Depp, que era seu amigo, com certeza há de honrar sua memória.

“Abri um sorriso e me recostei no assento enquanto seguimos viagem. Havia algo de estranho e irreal em toda a atmosfera daquele mundo onde eu acabara indo parar. Era divertido e ao mesmo tempo vagamente depressivo. Ali estava eu, vivendo em um hotel de luxo, correndo por uma cidade semilatina a bordo de um carrinho de brinquedo que parecia uma barata e fazia mais barulho do que um avião de caça, me esgueirando por becos e trapando na praia, catando comida em águas infestadas de tubarões, sendo perseguido por multidões que gritavam em um idioma que não era o meu… e tudo isso acontecia na velha e fascinante ilha de Porto Rico, onde todos gastavam dólares americanos, dirigiam carros americanos e ficavam sentados ao redor de roletas, fingindo estar em Casablanca.” (Trecho de Rum: diário de um jornalista bêbado)

De Hunter S. Thompson, a L&PM publica também Medo e delírio em Las Vegas e Hell´s Angels.

Quem disse que ser Woody Allen não cansa?

segunda-feira, 29 agosto 2011

O que você pensa? Que rodar um filme não cansa? As fotos abaixo não só mostram, como provam que filmar dá uma canseira. E mais: pode dar sono. Eis Woody Allen tirando um cochilo no set de filmagem de seu próximo filme, Bop Decameron, que tem como cenário as ruas de Roma. Quem serão aqueles ali no maior tricô, enquanto nosso diretor preferido sonha com suas cenas?

E não basta cochilar, também é preciso esticar as pernas (para cima)… Será que deu cãimbra no bom e velho Woody? 

E já que o clima deste post é italiano, separamos aqui um trecho de “Uma espiada no crime organizado”, um dos contos que está em Cuca Fundida, um dos livro de Woody Allen que faz parte da Coleção L&PM POCKET. Ainda não sabemos se a Máfia vai estar em Bop Decameron, mas como você verá no texto abaixo, Allen tem lá suas teorias sobre ela:

“A Cosa Nostra é estruturada como qualquer governo ou grande empresa – ou como qualquer quadrilha, o que dá na mesma. À testa de tudo, está o capo di tutti capi, ou chefe de todos os chefes. As reuniões são feitas na sua casa, e ele é responsável pelo gelo e pelos salgadinhos. A falta de uma coisa ou de outra implica em morte instantânea. (A morte, por sinal, é uma das piores coisas que podem acontecer a um membro da Cosa Nostra. Talvez por isso, muitos prefiram pagar uma multa.) Abaixo do chefe de todos os chefes, estão naturalmente os chefes, cada qual comandando uma zona da cidade com sua “família”. As famílias da Máfia não consistem de mulher e filhos que costumam ir a circos ou piqueniques. São formadas por homens de cara fechada, cujo maior prazer na vida é ver quanto tempo certas pessoas conseguiam sobreviver no fundo de um rio antes de começarem a engolir água.”

Autor de hoje: Leon Nikoláievitch Tolstói

domingo, 28 agosto 2011

Iásnaia Poliana, Rússia, 1828 – † Astápovo, Rússia, 1910

Filho de latifundiários da alta aristocracia russa, Tolstoi estudou Direito e Línguas Orientais na Universidade de Kazan. Mais tarde, entrou para o exército e tomou parte na Guerra da Crimeia. Sua obra literária inclui livros de memórias e romances. A experiência nas guerras resultou-lhe no conhecimento das aldeias cossacas, das expedições contra as tribos montanhesas e dos costumes do interior da Rússia. Após a guerra, viajou à Suíça, à França e à Alemanha e, ao retornar, fundou uma escola-modelo para camponeses. Considerado um dos romances mais importantes da história da literatura universal, Guerra e paz constitui um painel épico da sociedade russa entre 1805 e 1815. Dele emana uma visão de mundo otimista, que atravessa os horrores da guerra e os erros da humanidade. A obra de Tolstói também registra crises de consciência e a denúncia da mentira social e da ilusão do amor.

OBRAS PRINCIPAIS: Políkushka, 1863; Guerra e paz, 1863-1869; Anna Kariênina, 1877; Padre Sérgio, 1884; A morte de Ivan Ilitch, 1886; Sonata a Kreutzer, 1889; Ressurreição, 1899

LEON NIKOLÁIEVITCH TOLSTÓI por João Armando Nicotti

O nome Leon Tolstói sugere considerações importantes em relação a outros nomes da literatura russa: sua obra surgiu,nas palavras de um crítico, a partir das denominadas escolas puchikiniana e gogoliana. Foi contemporâneo de Turguêniev, Dostoiévski, Gonchárov e Saltikóv-Schedrín; apreciou O herói de nosso tempo, de Liérmontov; ao reler A filha do capitão, de Púchkin, enfatizou que a psicologia dos personagens ficara em segundo plano e, mais tarde, estabeleceu estreitas relações com Korolénko, Tchekhov e Górki, a geração posterior. Suas primeiras obras (1852-1857) abrangem as épocas de sua vida: Infância, Adolescência e Juventude. Em seguida, sua participação em guerras (Cáucaso e Criméia) fica registrada também, na literatura. A partir de então, Tolstói, longe da carreira militar e tendo como preceptor Iván Turguêniev, investe na literatura, na educação, e concentra-se, também, nos problemas existenciais, sociais e filosófico-religiosos do homem russo. Idealiza uma sociedade russa (similar à apresentada em Os cossacos, 1864) em que todos desfrutem do mesmo plano de igualdade; constrói um vasto painel da vida russa a partir da invasão napoleônica em Guerra e paz (1863-1869) e discute a infidelidade conjugal num mundo hipócrita da alta sociedade russa e a morte em Anna Kariênina (1877), tema este reincidente e específico em títulos como A morte de Ivan Ilitch e Sonata a Kreutzer. O leitor de Tolstói, em especial o de Guerra e paz  e Anna Kariênina, é absorvido pela complexa rede de interesses e jogos psicológicos que confirmarão o destino de cada protagonista. O liame entre autor e leitor se fecha na tentativa deste de se compreender um pouco mais no cenário da existência humana. Tolstói foi um pensador da sociedade russa: escreveu sobre a repressão czarista (Não posso calar!, 1908), discutiu os ditames da Igreja (A confissão, 1882, e Padre Sérgio, 1911), sugeriu um modelo pedagógico novo para a educação (Abecedário, 1872) e buscou critérios para uma definição de arte (O que é a arte?, 1898). Expulso da Igreja Ortodoxa russa, em 1901, Tolstói pregava um cristianismo novo, desligado do dogmatismo eclesiástico a partir da transformação interior do indivíduo. Em Ressurreição, a espiritualização renovada em seus protagonistas deveria ser, segundo o desejo do autor, extensiva a todo o povo da Rússia. Com a chegada do século XX, Tolstói almejava uma nova vida para os injustiçados sociais, na perspectiva de reconciliação do bem, da moral reavaliada e da bondade acima de tudo. Sua obra como um todo enfatizou a vida e suas diferentes formas de amor, assim como apresentou, na essência de personagens como Anna Kariênina, Vronski, Liêvin, Ivan Ilitch, Guerássim, Políkushka, André Bolkonski, Natacha Rostov e Evgueni Irténiev, as manifestações problematizadas frente à vida e à morte, eternizando esse dualismo que compõe o grande mistério da condição humana.

* Guia de Leitura – 100 autores que você precisa ler é um livro organizado por Léa Masina que faz parte da Coleção L&PM POCKET. A partir de hoje, todo domingo,você conhecerá um desses 100 autores. Pra melhor configurar a proposta de apresentar uma leitura nova de textos clássicos, Léa convidou intelectuais para escreverem uma lauda sobre cada um dos autores.

Minestrone: uma receita inesquecível

sábado, 27 agosto 2011

Minestrone é uma receita que alimentou inúmeras gerações. Silvio Lancellotti recupera esse prato e o eterniza em 100 receitas de macarrão, um livro com receitas imperdíveis.

MINESTRONE

Ingredientes (para quatro pessoas):

50g de manteiga. 100g de pancetta de porco, a sua barriguinha já curtida, cortada em lasquinhas delicadíssimas. 2 dentes de alho micrometricamente picadinhos. 100g de cebola branca, micrometricamente batidinha. 100g de rodelinhas bem delicadas de cenoura. 2 folhas de salsão, talhados em tirinhas finérrimas, na sua transversal. 100g de rodelinhas bem delicadas de abobrinha, com as casca. 100g de vagens, livre de suas pontinhas, cortadas em pedaços de 2cm de comprimento. 100g de feijões brancos, frescos. 4 tomates, sem as pele, sem as sementes e sem os seus brancos internos, em dadinhos. 2 litros de água fresca e declorada. 300g de macarrão do tipo argolinhas ou estrelinhas. Sal. Pimenta-do-reino. Um punhado de folhinhas de manjericão. Parmesão ou pecorino, finalmente raladinho.

Modo de fazer:

Num caldeirão, derreto a manteiga. Nela, rapidamente, douro a pancetta. Agrego o alho, a cebola, a cenoura, o salsão, o alho-poró, a abobrinha e as vagens. Refogo, ternamente, sem machucar os vegetais. Cubro com água, levemente condimentada. Levo à fervura. Rebaixo o calor. Tampo. Reduzo o líquido a cerca de 1,5 litro. Agrego os feijões e os tomates. E quando percebo que os feijões já estão quase no ponto, incorporo o macarrão. Misturo e remisturo. Levo a massa ao ponto correto. Agrego algumas folhinhas de manjericão. Acerto o ponto dos temperos. Sobre os pratos respectivos, despejo um fiozinho de azeite. Sirvo com parmesão, ou pecorino, a gosto.

Sábado tem sempre uma “Receita do dia” vinda diretamente dos livros da Série Gastronomia L&PM.

A primeira tradução de Hamlet

sexta-feira, 26 agosto 2011

Por Jorge Furtado*

A primeira tradução de Hamlet que se tem notícia foi feita, veja só, para o português. A proeza se deu em 1607 a bordo do navio inglês Red Dragon, ancorado na costa Oeste da África, e seu autor foi Lucas Fernandez, um negro nascido em Serra Leoa.

Navios na costa da África. Hendrick Cornelisz Vroom, 98 x 151 cm, óleo sobre tela, 1614

O Red Dragon fazia parte de uma frota de três galeões a serviço da Companhia das Índias Ocidentais, em sua terceira expedição. Um dos navios tomou ventos em direção ao Brasil, mas o Red Dragon e o Hector enfrentaram longas calmarias. Para reabastecer e tratar doentes, ancoraram no porto de Freetown, na foz do Rio Mitombo, em Serra Leoa.

No dia 5 de setembro de 1607, o capitão do Red Dragon, William Keeling, recebeu a bordo um grupo de emissários do Rei Borea, entre eles seu cunhado e intérprete, descrito em seus diários como “um negro chamado Lucas Fernandez, que falava português muito bem”, e por outras testemunhas como um cristão capaz “argumentar bem em defesa de sua fé”, fluente em português, espanhol, inglês e temne, o dialeto local.

O Capitão Keeling registrou o encontro no diário de bordo:

5 de setembro. Enviei o intérprete, de acordo com seu desejo, a bordo do Hector, onde ele fez seu desjejum, e depois veio a bordo [do Red Dragon], onde nós apresentamos a tragédia de Hamlet, e na parte da tarde fomos todos juntos à terra, para ver se podíamos caçar um elefante; acertamos sete ou oito balas nele, o que o fez sangrar abundantemente, como pode se ver em seus rastros, mas a noite se aproximava e regressamos ao navio, sem atingir nossos propósitos.

Lucas Fernandez fez a tradução simultânea de Hamlet, encenado pela tripulação inglesa. É bom lembrar que em setembro de 1607 Shakespeare estava vivo, muito vivo, no auge de sua carreira: nos últimos três anos ele havia escrito sete peças, entre elas Otelo, Rei Lear e Macbeth. No momento, estava em cartaz no Globe com os King’s Men na recém escrita “Péricles”. Não há registros – e é muito improvável – de que tenha tomado conhecimento de que sua maior criação, Hamlet, já tinha sua primeira tradução, para o português.

A primeira tradução de Shakespeare sobre a qual há registro, de Romeu e Julieta, foi feita em 1604, para o alemão, o autor é desconhecido. A segunda tradução – a primeira de Hamlet e a primeira fora da Europa – foi a de Lucas Fernandez, para o português. O feito é ainda mais notável quando sabemos que a segunda tradução conhecida de Hamlet, esta para o alemão, só vai aparecer em 1626, quando Shakespeare já estava morto há 10 anos.

Traduzir é fazer escolhas. Sabe-se lá como Lucas Fernandez traduziu para o português as primeiras palavras da peça, a fala de Bernardo, de sentinela, ao perceber que alguém se aproxima: “Who’s there?” Sua escolha pode ter sido “Quem está aí?” (como fizeram os tradutores Cunha Medeiros e Oscar Mendes, Sophia de Mello Breyner, Millôr Fernandes, Oliveira Ribeiro Neto, José Roberto O’Shea), ou “Quem está lá?” (Anna Amélia Carneiro de Mendonça, Mario Fondelli), ou ainda “Quem vem lá?” (Péricles Eugênio da Silva Ramos, Domingos Ramos, Elvio Funk, Marilise Rezende Bertin e John Milton).

*Jorge Furtado é diretor, roteirista e escritor. Pela L&PM publicou Meu tio matou um cara. Este texto foi publicado originalmente no blog da Casa de Cinema de Porto Alegre em 24 de agosto de 2011.

Peanuts de presente pra você

sexta-feira, 26 agosto 2011

Prepare-se. Vem aí A vida segundo Peanuts, um presente para os fãs de Charlie Brown e sua turma. O livro, que traz as máximas dos personagens criados por Charles Schulz, é considerado “o melhor dos melhores” de Peanuts. Isso porque, para criar este giftbook, os editores passaram um pente fino nas tirinhas originais até encontrarem os mais perfeitos aforismos, as mais impactantes frases de sabedoria e as observações mais expressivas dos personagens como “Babysitters are like used cars. You never know what you’re going to get“ (em uma livre tradução: “Babás são como carros usados. Você nunca sabe o que está levando”).

O livro terá cerca de 128 páginas e é organizado em capítulos curtos como, por exemplo, “Amor”. Alexandre Boide (o tradutor de Peanuts Completo) ainda está trabalhando na tradução e a previsão de lançamento é outubro.  

A capa da edição original americana

“Se todo mundo concordou comigo, todos eles estão certos”

“Este livro tem uma abordagem diferente daquela presente na maioria dos títulos que reúnem a obra de Charles M. Schulz. Em vez de trazer ‘historinhas’ na forma de tiras, este Guia é um compêndio de lições sobre como ser bem-sucedido nas esferas emocional e social da vida, e de como usar o bom e velho bom senso. Tenho certeza de que você vai gostar de ver como o humor característico de Schulz vai acompanhá-lo em suas obrigações diárias. Sua filosofia de caráter prático e pé-no-chão, ilustrada de forma caprichada e colorida, vai falar diretamente a você sobre coisas como confiança, autoafirmação, determinação, amor e outros temas da vida real. Apesar de, como todas as tiras de quadrinhos, este livro ser bastante compacto, ele é repleto de um senso de humor bastante abrangente e de grandes ideias.” escreveu o comediante Bill Cosby (lembra do Bill Cosby Show?) na introdução de A vida segundo Peanuts.

Para os milhões de fãs fiéis de Peanuts esta é uma coleção de “greatest hits” imperdível.

O depoimento de Brizola sobre a Legalidade

quinta-feira, 25 agosto 2011

Há 50 anos, com a renúncia do presidente Jânio Quadros, tinha início o Movimento da Legalidade. No vídeo a seguir, Leonel Brizola dá um depoimento que explica um pouco como tudo aconteceu, acompanhado de imagens da época. As cenas fazem parte do documentário “Jango”, de Sílvio Tendler, que foi lançado em 1984 e que, naquele mesmo ano, acabou virando um livro homônimo, publicado pela L&PM.

O filme de Silvio Tendler teve textos de Maurício Dias, narração de José Wilker, trilha sonora de Milton Nascimento e Wagner Tiso, além de produção de Denize Goulart, filha de Jango. Já o livro traz fotos, transcreve os textos (os offs e os depoimentos) e faz um resgate minucioso da vida política de Jango: de vice-presidente de Jânio até sua morte.

Infelizmente, o livro está esgotado. Mas se você quiser assistir ao filme, breve terá uma chance. Ou melhor, duas. Ele será exibido dentro da mostra “O Documentário Segundo Sílvio Tendler”  que acontecerá no Rio de Janeiro. A exibição será no dia 03 de setembro às 18h e no dia 04 de setembro às 16h. Também no dia 03, das 20h às 21h30min, o escritor Eduardo Bueno participa do seminário “O Documentário e a Construção da Narrativa Histórica e Política”. A mostra acontecerá no Centro Cultural da Justiça Federal que fica na Avenida Rio Branco, 241 e os ingressos custarão R$ 1,00. Confira aqui a programação completa

E por falar em Legalidade, Flavio Tavares está preparando um livro sobre o tema. A previsão de lançamento é final de setembro.